ELIAS FADEL SAHIONE

(comerciante e político)

Filhos dos imigrantes libaneses Jorge Elias Sahione e Victória Fadel Sahione, o alemparaibano Elias Fadel Sahione nasceu no dia 2 de setembro de 1922, através das mãos da parteira Honorata Fernandes. Teve oito irmãos: Jorge, Fuhad, Willian, Wildade, Fidalma, Arlete, Lourival e Dilma.

Cresceu no bairro de Porto Novo, onde o pai era um próspero comerciante, fez o curso primário no Grupo Escolar Salles Marques e concluiu seus estudos no então Gymnásio Além Paraíba. Começou a trabalhar bem cedo, e com apenas oito anos de idade, antes de ir para a escola, abastecia a cozinha do Magnífico Hotel, que pertencia ao seu pai, com lenha.

Em janeiro de 1946, casou-se com Elza Pinto Sahione, e tiveram cinco filhos: Victória, Luiz Ronaldo, Rosane, Eliane e Luciena. À ocasião, recebeu de seu pai, como dote, o Hotel da Estação, dando início a uma carreira das mais prósperas na área do comércio alemparaibano. Com o passar do tempo, adquiriu de seu irmão Willian a Rádio Pan, uma loja especializada em artigos musicais, como discos e partituras, depois ampliada para o comércio de eletrodomésticos. Também foi proprietário de uma gráfica e fundou, também em parceria com o irmão Willian, o jornal A Gazeta. Em 1972, perdeu a esposa que tanto amava, vindo a se casar anos depois, com Maria Helena Ghetti Nascimento, com quem teve dois filhos: Elias e Ilena.

O cerne da política estava encravado no sangue de Elias. Foi um dos fundadores do MDB de Além Paraíba, depois PMDB, hoje novamente nominado MDB, e dele foi presidente por vários anos consecutivos. Após a cassação de seu irmão Willian, pelo governo implantado no país a partir de 1964, e a renúncia do irmão Fuhad do cargo de deputado estadual, assumiu a frente do MDB, e, em 1976, ao levar o nome do médico Maurício de Marca para candidato ao cargo de Chefe do Executivo Municipal de Além Paraíba, deste recebeu a indicação de que deveria ser o candidato. Eleito com esmagadora maioria dos votos mostrou sua capacidade de administrar, sua determinação no agir, seu idealismo por uma Além Paraíba melhor, e, sobretudo, a honestidade tão necessária e raramente encontrada nos homens públicos de hoje.

Certa vez, ao ser entrevistado pela imprensa alemparaibana, afirmou que nunca aspirou ser prefeito. “Sempre gostei de trabalhar da política como homem de retaguarda, mas me senti no dever do chamamento de comparecer e prestar serviço ao meu partido e à minha terra”, disse.

Em seu primeiro mandato, de 1977 a 1982, Elias Fadel Sahione deu mostras de sua capacidade de administração ao promover a melhoria das condições de vida do povo que o elegera. Adotou como meta de governo a valorização do homem, destacando e executando um grande número de obras de infra-estrutura urbana e rural levando iluminação, calçamento, sanitarismo, saúde, educação e embelezamento a diversos bairros e localidades onde tais benefícios inexistiam, isto sem contar com o incentivo à implantação de novas indústrias no município, como a Guabi e a Emil. Terminou seu primeiro mandato elegendo seu sucessor, o então vice-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles, retornando em 1989, carregado pelos braços do povo.

Em sua longa carreira político-administrativa Elais Fadel Sahione por tudo se interessou. Nada escapou às suas preocupações em relação ao futuro de sua querida terra natal. Conhecedor da capacidade humana como poucos homens públicos, construiu com rara transparência uma administração voltada aos anseios dos menos favorecidos pela sorte, contrapondo-se sempre a interesses que ferissem seus ideais. Austeridade sempre foi sua marca, aliada a honestidade com que sempre conduziu os recursos públicos para os mais nobres propósitos, objetivando sempre o bem-estar de seu povo.

O segundo mandato de Elias Sahione foi marcado por grandes conquistas. Com recursos financeiros nunca abundantes, concentrou os investimentos municipais em saúde, educação e saneamento, sendo que no primeiro item o município apresentou resultados nunca antes vistos em toda a história da região. Implantou milhares de metros de rede de esgoto, galerias pluviais e água tratada, canalizou e recapeou córregos, outras centenas de calçamento, pavimentação asfáltica e aplicação de meios-fios, etc. Voltado para o futuro, dinamizou os serviços burocráticos da prefeitura instalando um Centro de Processamento de Dados.

Uma escola mereceu atenção especial de Elias Sahione no seu segundo mandato: a Escola Estadual Santa Rita, demolida e totalmente reconstruída, com 95% dos recursos da obra arcadas pelo município e apenas 5% pelo governo estadual. Por que isso? Devido a grande demanda existente no entorno daquele educandário e a total falta de recursos do Governo Estadual para tal empreendimento. Ainda no segundo mandato, Elias Sahione construiu o Espaço Comunitário “Dr. José Braz Azevedo”, onde é realizada a Fexpo, o Mini Hospital “Silvio França”, e outras obras de grande relevância.

Ao término de seu segundo mandato, Elias Sahione amargou uma derrota política em sua terra natal não conseguindo eleger como sucessor o seu pupilo, Sérgio Ribeiro, que foi derrotado nas urnas por um ex-pupilo, Fernando Lúcio Donzeles. Quatro anos depois, novamente se viu decepcionado com nova derrota nas urnas, desta vez quando candidatou-se ao cargo de vereador. Daí, já enfrentando problemas de saúde, preferiu buscar o anonimato, o que não conseguiu já que seu nome sempre foi uma referência de respeito, austeridade e integridade. Se alguns amigos o haviam abandonado, outros se mantiveram fiéis e novos surgiram buscando sempre os sábios conselhos e exemplos que nunca deixou de oferecer.

Vale ressaltar que em seu primeiro mandato realizou a obra que sempre tratou como “menina de seus olhos” – a Praça dos Imigrantes. Idealizada para homenagear aqueles que vieram de terras distantes para construir sua terra natal, Elias Sahione viu a praça aos poucos sendo desfigurada, o que lhe trouxe até o fim de seus dias grande mágoa.

E em 18 de agosto de 2005, com quase 83 anos de idade (ia completar em 02 de setembro), Elias Fadel Sahione, um homem que teve uma carreira política gloriosa e marcante, levada pela competência e acima de tudo com um desejo de diminuir contrastes nos vários segmentos da comunidade alemparaibana, deu seu último suspiro. Além Paraíba não perdeu apenas um grande homem púbico. Perdeu um grande filho…

Publicado na edição nº 338. Texto de Flávio Senra.

Foto: arquivo Jornal Além Parahyba.