Crispim Jacques Bias Fortes

(Por Carmo Chagas – publicado na edição nº 763, de 11/12/2013)

Filho de um capitão da Guarda Nacional, Crispim Jacques Bias Fortes nasceu no dia 25 de outubro de 1847, no distrito de Livramento, então pertencente a Barbacena hoje município de Oliveira Fortes. Fez os estudos básicos em Barbacena e se formou em direito em São Paulo, na mesma turma de Joaquim Nabuco, Castro Alves, Rui Barbosa, Rodrigues Alves e do também mineiro Afonso Pena.

Sua base sempre foi Barbacena, como promotor, juiz, advogado, fazendeiro e, principalmente, chefe político. Foi deputado provincial (estadual), chegando a ocupar a presidência da Assembleia, preocupado sempre com as questões financeiras do governo e com a moralidade administrativa. Mas renunciou, declarando-se republicano. Tentou se eleger de novo, em 1889, teve grande votação mas não foi diplomado, por interferência dos partidos Liberal e Conservador.

Já se destacava, entretanto, como importante liderança política mineiro e João Pinheiro o convidou para preparar o anteprojeto da primeira Constituição mineira, logo depois de proclamada a República. Em 1890 e 1891, exerceu o governo provisório de Minas em quatro ocasiões (alguns meses, cada vez), por indicação do presidente Deodoro da Fonseca.

Elegeu-se deputado estadual em 1891 e, na presidência da Assembleia, coordenou a redação da primeira Constituição Republicana de Minas Gerais. Foi eleito também senador constituinte, mas renunciou em 1894, quando tornou-se o segundo governador eleito de Minas (o primeiro foi Afonso Pena), com mandato até 1898. Procedeu à transferência da capital mineira, de Ouro Preto para Belo Horizonte (que deixava de ter o nome de Cidade de Minas, usado durante sua construção).

Suas prioridades como governador fora; desenvolver a agricultura, levando imigrantes para a lavoura; reformar o ensino agrícola e veterinário; ampliar a rede ferroviária.

Findo o governo, voltou ao Senado, para o qual foi seguidamente reeleito até sua morte, aos 69 anos, ocorrida no dia 14 de maio de 1917, em Barbacena. Nesse período, participou sempre da política mineira. Na sucessão de Francisco Sales, em 1906, tentou voltar ao governo, mas sofreu oposição dos silvianistas (seguidores de Silviano Brandão), que apoiavam Venceslau Brás. As duas facções se retiraram quando se propôs o nome de João pinheiro como candidato de conciliação.

O nome de Bias Fortes foi cogitado para a presidência da República, em 1906. Mas ele preferiu apoiar seu colega de faculdade, o conselheiro Afonso Pena.

Causo

Paschoal Carlos Magno dava assessoria ao presidente Juscelino em assuntos culturais. Um dia, Juscelino queixou-se de falta de tempo.

– As pessoas vêm aqui conversar, ficam esticando a conversa, não me deixam trabalhar em paz.

– Use o protocolo, presidente. O protocolo ensina que cabe ao presidente encerrar esse tipo de conversa.

No dia seguinte, Paschoal Carlos Magno levou uma comitiva de intelectuais para apresentar um requerimento a Juscelino. O presidente deu uma olhada na papelada, disse que ia examinar com mais atenção, levantou-se e estendeu a mão para os cumprimentos de despedida. Enquanto todo o grupo saia, meio desconcertado, Juscelino puxou Paschoal Carlos Magno pelo braço e cochichou:

– Estou apenas usando o protocolo, como você ensinou. Não reclame.