Eduardo Gama Cerqueira

(Por Carmo Chagas – publicado na edição nº 762, de 04/12/2013)

Nascido de origem humilde no dia 15 de janeiro de 1840, na cidade de São João del Rei, Eduardo Gama Cerqueira trabalhou para se sustentar desde garoto. Passando grandes dificuldades, com esforço formou-se em Direito, em 1868, na cidade de São Paulo.

Formado, advogou no Estado do Rio, depois em Minas Gerais, mais precisamente em Leopoldina e Cataguases. Militante entusiasmado da propaganda republicana, elegeu-se senador estadual logo após a proclamação da República.

Era amigo pessoal de Cesário Alvim, de quem foi eleito vice-governador (ou vice-presidente, como se dizia na época) em junho de 1891, assim que a Assembleia Constituinte promulgou a primeira constituição mineira. Em junho do ano seguinte, quando Cesário Alvim renunciou ao governo, coube a Gama Cerqueira permanecer no cargo até a posse de Afonso pena, o primeiro governador eleito pelo voto direto.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 11 de novembro de 1907.

Causo

San Tiago Dantas era o cacique-mor do PTB mineiro. Artur Bernardes Filho era o cacique-mor do PR mineiro. O PSD queria o apoio dos dois partidos a Bias Fortes, candidato pessedista ao governo estadual, em 1955. Em nome do PSD, Tancredo Neves procurou San Tiago e prometeu ao PTB algumas das melhores secretarias e diretorias, além do lugar de vice-governador. San Tiago topou. Assinaram um acordo formal. Depois, Tancredo procurou Artur Bernardes Filho, prometeu as mesmas secretarias e diretorias, além do lugar de vice-governador. Bernardes topou. Assinaram um acordo formal.

Levados ao Palácio da Liberdade, para anúncio da coligação, San Tiago e Bernardes Filho notaram a superposição de promessas. Ambos exigiram primazia. Ambos ameaçaram romper. Tancredo achou na hora a solução: mais secretarias e diretorias seriam criadas, novas empresas de economia mista, mais uma coletoria em cada município. Haveria, em suma, lugares esplêndidos tanto para o PTB quanto para o PR.

– E o lugar de vice na chapa de Bias Fortes? – quiseram saber os dois.

– Não tem problema – desapertou-se Tancredo. – O partido que ficar com o vice terá uma secretaria a menos. E o outro ficará com o cargo de presidente da Assembleia Legislativa, que vem a ser o segundo vice-governador.

Deu certo a trama daquele que um dia seria presidente da nação…

Outro caso vem da parte de um correligionário que chega até Tancredo Neves e diz:

– Dr Tancredo, vou lhe contar um segredo. Mas é segredo mesmo, não contei para ninguém, nem para minha mulher.

Respondeu Tancredo:

– Então não conte nem para mim. Se você, que é o dono do segredo, não está dando conta de guardá-lo, muito menos eu.