Francisco Antônio Sales

(Por Carmo Chagas – publicado na edição nº 766, de 08/01/2014)

Filho de um tenente-coronel da Guarda Nacional, Francisco Antônio Sales nasceu em 22 de janeiro de 1864, na vila de Lavras do Funil, hoje Lavras. Estudou em Mariana e Ouro Preto, antes de se mudar para São Paulo, onde se diplomou advogado em 1886. Formado, pôs banca de advogado em Lavras mas aproveitava toda oportunidade para viajar pelo interior de Minas, fundando grande quantidade de clubes republicanos. A pulverização de tais clubes ajuda a explicar o predomínio que veio a exercer por muitos anos, na política mineira.

Com  a proclamação da República, Francisco Sales foi indicado para juiz municipal de Lima Duarte e como candidato ao Congresso constituinte mineiro. Eleito deputado, seu estilo conciliador e moderado o credenciou para a presidência da Câmara (nome original da Assembleia), com presença também nas comissões de Orçamento e Justiça.

Foi secretário das Finanças de dois governos consecutivos, o de Bias Fortes e o de Silviano Brandão. Elegeu-se senador estadual em 1899, renunciando a seguir para assumir a prefeitura de Belo Horizonte.

Em 1900, após eleito deputado federal, Francisco Sales foi líder da bancada do PRM (Partido Republicano Mineiro), e inspirador da maioria dos projetos encaminhados pelos deputado de Minas. Deixou a Câmara em 1902, para assumir o governo de Minas, onde montou um secretariado relativamente jovem. Ao mesmo tempo, teve o cuidado de atrair para o governo importantes lideranças que andavam desgarradas, como Silviano Brandão. Considerava fundamental pacificar a política, para administrar bem. Algumas de suas realizações foram: o aprimoramento da agricultura, com a importação de sementes, adubos e reprodutores; regularização das fronteiras com São Paulo e Espírito Santo; reorganização da Brigada Policial; impulso ao ensino básico; redução das taxas de impostos, como parte de um programa de recuperação das finanças públicas.

Quando Francisco Sales deixou o governo de Minas, seu nome constava da lista dos possíveis escolhidos pelo Partido Republicano para ocupar a presidência da República entre 1906 e 1910. Havia na lista três ex-governadores mineiros: ele, Crispim Jacques Bias Fortes e Afonso Pena. Os dois primeiros apoiaram Afonso Pena, que assim assumiu fortalecido pela união de Minas.

Francisco Sales, a essa altura, dominava como senhor absoluto a política mineira. Eleito senador, teve grande influencia na escolha na chapa Hermes da Fonseca / Venceslau Brás para a sucessão de Afonso Pena, contra a ação civilista pregada por Rui Barbosa e preferida pelo próprio presidente Afonso Pena.

No governo de Hermes foi nomeado ministro da Fazenda. A crônica política costuma realçar mais o “caso da prata”, que provocou sua saída do ministério. Foi, em resumo, o seguinte: o ministro Francisco Sales autorizou a aquisição de barras de prata, com as quais cunharia moedas destinadas a substituir as cédulas de mil-réis e dois mil-réis, pensando com essa medida fortalecer o dinheiro nacional – o que, na prática, não funcionou, muito pelo contrário.

Antes desse insucesso, porém, o ministro Francisco Sales tomou várias medidas importantes, sempre dentro de uma linha ortodoxa no trato das finanças públicas. Algumas delas: acerto da máquina arrecadadora, combate ao déficit público, proteção à indústria, regularização da circulação de cheques.

A demissão do Ministério da Fazenda custou a Francisco Sales, também, a perda do controle absoluto da política mineira, onde já crescia a influência de Artur Bernardes. Reelegeu-se senador, permaneceu no Senado até 1923, mas cada vez mais afastado das decisões na política mineira. Quando faleceu, no dia 16 de janeiro de 1922, não tinha mais mandato nem militância política. Era apenas empresário e agricultor.

Causo

Atribui-se à José Maria de Alkmin uma série de causos engraçados e surpreendentes no cotidiano político mineiro. Certa vez, no centro de Belo Horizonte, Alkmin encontra o jornalista Oswaldo Nobre.

– Estou cada vez mais impressionado com O Combate. Parabéns.

– Obrigado, dr. Alkmin, mas o nome do jornal é O Debate.

– Mas eu falo é do combate que você trava diariamente pelas páginas do seu jornal.

– Mas o meu jornal é um semanário, dr. Alkmin.

– Semanário para você, que o edita uma vez por semana. Para mim, que leio todos os dias, é diário.

Outra de José Maria de Alkmin é o seguinte diálogo – e ele nunca negou – com um eleitor, quando de suas viagens pelo interior mineiro:

– Como vai seu pai, rapaz?

– Meu pai já morreu há muito tempo.

– Morreu para você, filho ingrato. Porque continua vivo no meu coração.