TUFFI ELMAIS

Durante o período de sua colonização, enfrentando as dificuldades e perigos da época, movimentando-se através das fazendas e vilas, os mascates foram de grande importância para a integração, o desenvolvimento e a economia dos chamados Sertões do Leste. Eram homens destemidos, parte originados do Oriente Médio, que levavam mercadorias diversas para serem trocadas ou vendidas para os fazendeiros ou garimpeiros que colonizavam a região.

Por Além Paraíba passaram diversos mascates, alguns formaram riquezas e famílias, e um deles foi Tuffi Elmais, que residiu e faleceu em Angustura. Tuffi Elmais nasceu no Líbano, em data incerta ao final da segunda metade do século XIX. De origem humilde e pobre, saiu de sua terra natal em busca de um tio e um primo, de nomes Jorge e José, que haviam saída do Líbano em busca de riquezas. Passageiro de um navio cargueiro, passando dificuldade e fome, Tuffi passou pela França e os Estados Unidos antes de chegar ao Rio de Janeiro, de onde seguiu para o interior chegando até a Fazenda do Recanto, em Angustura, onde encontrou o tio e o primo que mascateavam na região.

Em terras angusturenses, Tuffi, o tio e o primo montaram um diversificado armazém de secos e molhados que atendia os moradores da vila, os fazendeiros e seus empregados. O negócio prosperou…

Na mesma Angustura, Tuffi fundou uma companhia de cinema, uma grande novidade para seus moradores que com os olhares curiosos e espantados viam os filmes mudos de então que eram acompanhados pelos músicos: Marieta Loyola (piano), Antônio Felício de Paula (saxofone) e Belmiro Pereira (violino).

Na primeira década do século XX, o mundo enfrentou uma grave epidemia chamada de “febre espanhola” que matou milhões de pessoas, milhares no Brasil, e entre os milhares morreu o primo José Elmais que na época contava com cerca de 25 anos de idade. Logo após, deixando sua parte do armazém para Tuffi, o tio Jorge mudou-se para Santo Antônio de Pádua (RJ), onde se casou com Rosária. Tiveram os seguintes filhos: Latiffe, Jamil, Sharif, Francisca, Mustafá Becha, Helena, Kalil, Jorge, José Daurila e Terezinha.

Em Angustura, Tuffi conheceu Maria, filha de Antônio Soares e Cândida da Conceição, nascida em 30 de janeiro de 1896. Ele e Maria, que foi a primeira telefonista do lugar, se casaram no ano de 1919 e tiveram oito filhos: Nazira, casada com Felisberto Antônio Diniz; Neif, que faleceu ainda na adolescência; Maria José, casada com Paulo Antônio Diniz; Nacif, casado com Ester Pitassi; Narle, casado com Regina Gobbi Silva; Ramit Said, casado com Cely Machado, Cândida; e Adma, casada com Samir Chatack.

Na época, era comum os fazendeiros comprarem mercadorias dos armazéns existentes com promessas de pagamento quando da venda da safra de suas colheitas do café. No final da década de 40, Tuffi Elmais passou por sérias dificuldades financeiras, isto porque vários fazendeiros devedores deixaram de cumprir com suas promessas de pagamento. O armazém, então próspero, teve os negócios reduzidos e Tuffi, apesar de todo o esforço, se viu praticamente falido.

Não esmorecendo, voltou a mascatear ovos, galinhas, suínos e outras mercadorias que eram vendidas porta a porta em Além Paraíba e região, sendo respeitado e admirado por sua tenacidade e honestidade até o dia em que faleceu, em 19 de fevereiro de1974.

A esposa Maria faleceu também em Angustura, no dia 28 de fevereiro de 1993.

Publicado na edição nº 348.

Texto de Flávio Senra. Foto cedida por familiares.