Adão Pereira de Araújo

Adão Pereira de Araujo

“Meus senhores.

Agora, felizmente não nos falta nada e levamos vantagem a muitas outras cidades do estado; somente quatro possuem bondes elétricos, Juiz de Fora, Lavras, Belo Horizonte e Além Parahyba. Temos iluminação pública farta e elegante, modelo de calçamento de ruas, comércio activo, indústria desenvolvida, lavoura bem cuidada, muitas fábricas, a maior officina da Estrada de Ferro; duas vias férreas, a Central e a Leopoldina; hospital confortavelmente montado de acordo com as modernas prescripções médicas; asylo de mendigos religiosamente cuidado pelo caritativo fundador, exmo. Sr. e Dr. Ladário de Faria, que faz daquelle templo de caridade a menina de seus olhos; boas casas de diversões, bons hotéis, dentro outros manda a justiça que citemos o Magnífico, luxuosamente installado; boas bandas de música, harmoniosa orchestra,; templos sumptuosos, onde a fé do alemparahybano se expande em preces que sobe em volutas até o throno de Deus; soberbo educandário de instrucção bastante difusa, que nos falta mais? Nada!”

Acima, a transcrição, na íntegra, de um discurso de Adão Pereira de Araújo, onde ele ressalta a modernidade de Além Paraíba no século passado, publicado na edição de nº 116, de 22 de novembro de 1926, do jornal Além Parahyba.

Falar de Adão Pereira de Araújo nos lembra a parte notória que este espírito propulsor tornou o progresso industrial em nossa cidade. Sua personalidade é exemplo às pessoas de iniciativa. Ele foi o industrial ativo que tirou o município, pode-se dizer das trevas, fornecendo energia elétrica para sua iluminação.

No ano de 1906, este português de nascimento instalou na Fazenda Lordelo uma pequena usina geradora de energia elétrica. Até aquele momento, as ruas e as casas alemparaibanas eram iluminadas a luz de lampião de querosene ou carbureto. Aos “lobisomens” ou “fantasmas” cabia a tarefa de acender os lampiões das ruas e praças às 18 horas e pagá-las às três horas da madrugada.

Com a energia elétrica instalada aumentou o progresso de Além Paraíba com o surgimento de diversas indústrias. A primeira foi a fábrica de bebidas do italiano Nicolau Taranto, localizada próxima ao hoje bairro Granja Três de Outubro.

Adão Pereira de Araújo foi um grande empreendedor em nossa cidade. Acreditava no trabalho e valorizava quem fazia do trabalho o lema.

Instalou laticínios, fábricas diversas, e o que fez elevar o seu nome mais ainda em nosso município e região foi a revolucionária instalação dos bondes elétricos que cortavam Além Paraíba do Porto Velho a São José, transportando pessoas e mercadorias. Vale lembrar que somente umas poucas cidades brasileiras dispunham desse moderno meio de transporte da época.

Adão Pereira de Araújo transferiu-se para a Capital Federal, então a cidade do Rio de Janeiro, ponde possuía outros empreendimentos, entre eles, na área da hotelaria, o Jardim Hotel, onde veio a falecer na quarta-feira de cinzas do ano de 1941.

A referência de Adão Pereira de Araújo mostra que quando há honestidade e trabalho, uma cidade pode se transformar num local de desenvolvimento.

Garagem dos bondes, localizada no bairro de Porto Novo.
 Inauguração do bonde elétrico em Além Paraíba.  

Publicado na edição nº 301, de 24/11/2004. Texto de Mauro Senra, com fontes de informação a edição do ALÉM PARAHYBA de 22/11/1925, e a Revista Almanack para 1936 do município de Além Paraíba.

Fotos: domínio público.