Cidade, gente e acontecimentos que ficaram na história

Os anos passam, gerações vêm e vão, e a vida continua.

Além Paraíba, a nossa cidade querida, por exemplo, tem a sua história de progresso e cultura, cumprida por homens e mulheres que marcaram as suas presenças quando por aqui passaram.

Foram pessoas que contribuíram de forma efetiva e eficiente, algumas direta e outras indiretamente, para o desenvolvimento não só da cidade, como também de todo o município, muitas das quais já se foram de nosso convívio físico, mas que deixaram a marca do seu trabalho e do amor que nutriam por esse pedaço de chão de Minas Gerais.

Das construções que foram orgulho dos alemparaibanos da época, poucas se conservam de pé. Muitas marcas que deram início à criação do município e da comarca, desapareceram, o que é bastante lamentável, e entre elas devo citar o prédio estilo colonial do Fórum, erguido no século XIX; o prédio estilo romano, onde funcionou o bar e restaurante Ponto Chic. Onde hoje está edificado o Edifício Perácio, o prédio assobradado em cujo terreno funcionava a Cooperativa de Leite e no andar superior um hotel; o prédio do Liceu Operário, na Vila Laroca, e muitos outros; inúmeras casas, especialmente no bairro de São José. Também o distrito de Angustura sofreu perdas irreparáveis com a derrubada quase indiscriminada de muitos casarões que agradavam aos olhos na época da produção cafeeira das fazendas daquela parte do município. O prédio das Casas Pernambucanas, que após a sua demolição o terreno vem sendo utilizado como estacionamento. E por aí vai…

E a derrubada não se cingiu somente a casas mais antigas da cidade. Também muitas indústrias que fizeram parte do acervo de progresso da cidade e do município, já não existem mais. Foram desaparecendo aos poucos e quando nos demos conta elas já não eram mais garantia de emprego para mais ninguém.

E os três cinemas da cidade. Tudo desapareceu em nome de um progresso que não existe, o que é lamentável. Nem sempre demolição ou extinção faz sentido e é justificável.

E por tudo isso, como justificativa, invocam a velha desculpa de que se trata de um processo de modernização e que esse não pode sofrer solução de continuidade.

Ainda bem que o ilustre Prefeito Dr. Sérgio e sua digníssima esposa, D. Tereza, resolveram em boa hora recuperar o antigo prédio da Prefeitura Municipal, que se encontrava quase que em ruínas. Foi uma decisão sábia de ambos ao resgatarem um pouco da história arquitetônica que ainda nos resta. Parabéns aos dois, e também a todos aqueles que participaram da recuperação, há muito tempo reclamada e aguardada pelos alemparaibanos.

Que outras iniciativas estejam nos planos da atual administração no sentido de se recuperar outras obras que representem parte da história da cidade.

É claro que não seria possível conservar todos os prédios antigos às expensas da Prefeitura. Porém, os centenários e os mais próximos dessa condição, não podem prescindir dos cuidados dos mandatários do município e nem da ajuda pecuniária para a recuperação de tais obras.

A história faz o futuro. Portanto, Sr. Prefeito Municipal e Srs. Proprietários particulares, não deixem que tudo que representa o nascer e o caminhar da cidade, desapareça, sem reação.

Na verdade, Além Paraíba não pode ser considerada cidade histórica. Entretanto, tem uma boa parcela no que toca à história e à cultura de Minas Gerais, por ser a terra de pessoas ilustres que contribuíram para o engrandecimento do Estado, dentro e fora do País, podendo citar, entre elas, o jurisconsulto Dr. Nelson Hungria, conceituadíssimo em terras além-fronteiras.

Para salvar um pouco do que ainda nos resta de história da cidade, os alemparaibanos esperam que as autoridades constituídas, de um modo geral, e também os proprietários de construções antigas, se sensibilizem e venham em socorro da cidade e de todo o município. O assunto mexe com o coração de todos que, inquietos e esperançosos, aguardam notícias de dias melhores para a cidade, que afinal de contas, todos amam.

Publicado na edição nº 362, de 08/02/2016.