O homem e suas vicissitudes

Às vezes, sem qualquer motivo plausível, e às vezes levado por ímpeto do momento, o homem se distancia da linha de boa conduta, aflorando desse estado de coisa uma possível cólera que pode, em certos casos, levá-lo a conseqüências imprevisíveis.

Um pensador desconhecido já disse: “o homem é o animal mais feroz que o sol cobre”.

Tal pensamento um tanto rude ao homem, exagerado mesmo, na foge, em parte, à realidade dos dias atuais.

Na verdade, o homem a que se referiu o autor da frase é aquele que vem fazendo coisas de estarrecer e fazer corar o cidadão por mais tranquilo e indiferente que seja.

Tal fato nos faz acreditar, infelizmente, na triste assertiva de que esse mesmo homem é capaz de chegar ao absurdo para conseguir até o impossível.

Por isso, veio-me a vontade de citar esta velha frase: “nunca é tarde demais”. E é dela que se pode tirar proveito; principalmente com relação à conduta do homem, o qual precisa se desfazer, pelo menos em parte, enquanto é tempo, desse conceito de mau que o envolve e o deprecia.

Todos, sem exceção, devem desenvolver um trabalho consciente no sentido de abrir espaço para uma convivência fraterna, de amor, de paz e de solidariedade, não se deixando envolver por intrigas e coisas de somenos importância.

As religiões dão suporte para que todos caminhem em direção ao que é saudável e necessário na nossa vida terrena.

Mas não basta ao indivíduo bater no peito e afirmar que é católico, protestante, ateu, ou seja lá o que for, se na realidade sua conduta na vida não condiz com os ensinamentos ditados por religiões ou doutrinas.

Equilíbrio e grandeza de espírito são necessários ao encaminhamento de qualquer pessoa em direção ao bem. Mania de grandeza, orgulho, violência, cobiça, inveja e outras coisas não recomendáveis, que perturbam o bom-viver, não deseje mal a ninguém e nem colabore para que outro o faça.

Que, ao contrário, procure ser solidário nas boas causas, ajudando moral, espiritual e financeiramente, aqueles que realmente necessitam de apoio.

O nosso mundo bonito, mas às vezes cruel, está a clamar por apoio e socorro.

Todos aqueles que nele se encontram por força da vontade de Deus, têm a obrigação de, na medida de suas limitações, trabalharem no sentido de salvá-lo, inclusive para que aqueles que vierem a povoá-lo no futuro, possam encontrá-lo mais belo e em melhores condições de paz e amor.

O homem precisa colocar um “pára” nos seus ímpetos de violência, os quais, obviamente, só amarguram e infelicitam.

(Publicado na edição 363, de 15/02/2006)