Waltair Couto

Quando faleceu, em 10 de janeiro de 2005, aos noventa anos de idade, a Vila Laroca perdeu o brilho e o céu ganhou uma estrela de grande magnitude. Carinhosamente tratado pelos amigos e até familiares de “Véio”, Waltair Couto conseguia agregar em torno de si todos os possíveis e imagináveis bons adjetivos: generoso, resignado, bondoso, humilde, honesto, amigo, íntegro, amoroso, sábio, sereno, afetivo, lúcido, justo, enfim, um exemplo a ser seguido por todos.

Nascido em Pirapetinga no dia 16 de dezembro de 1914, filho de Antônio do Couto e Ailza Luz Couto, Waltair era irmão de Wantuil, Newton, Hydméia, Plínio, Laerte, Wilder e Celina. Seu pai trabalhou como estucador, profissão herdada do pai, Manoel do Couto, renomado profissional que trabalhou na construção das igrejas Madre de Deus de Angustura e Matriz de São José, em Além Paraíba.

Em 1932, quando completou 18 anos, serviu ao Exército Brasileiro (Tiro de Guerra), no Rio de Janeiro, onde conheceu Maria Santiago, sua futura esposa, filha de Cícero Santiago e Felipa Corrêa Santiago. Maria nasceu em 14 de outubro de 1919, em Gravatá dos Bezerros, hoje Bezerros (PE). Após a morte do pai, vítima da “febre espanhola” quando tinha apenas nove meses de vida, mudou-se com a mãe e os irmãos para o Rio de Janeiro, a então Capital Federal.

Waltair, então trabalhando na empresa que explorava os serviços de telefonia do Rio de Janeiro, casou-se com Maria, operária da Fábrica de Tecidos Bangu, também no Rio de Janeiro, no dia 14 de outubro de 1937. Tiveram oito filhos: Idelson Santiago Couto, casado com Nadir Aparecida Andrade Couto; Ailza Maria Couto Fortes, casada com Fernando Azevedo Fortes; Maurício Santiago Couto, casado com Maria Bernadete Rezende Couto; Manoel Francisco Couto, casado com Rosângela Teles Couto; Berenice Couto Ferreira, casada com Alberto Ferreira; Marlene Santiago Couto, solteira; Cícero Antônio Santiago Couto, casado com Narcisa Cunha Oliveira Couto; e Maria Elisa Couto França, casada com Paulo Sérgio Valente França. O carinho com que o casal Waltair e Maria dispensava aos genros e noras era tamanho que estes os considerava como pais, o mesmo acontecendo com os muitos amigos de seus filhos que sempre enchiam sua casa com alegria e amizade. Entre tantos que podem ser citados estão Marcelo Cohen, Luiz Cristóvão, “Kareta”, Tonico e Bebeto Miranda, Fausto, Mário e dezenas de outros mais. 

Waltair e Maria moraram no Rio de Janeiro até 1941, ocasião em que ele, atendendo um chamado do pai, retornou à sua terra natal – Pirapetinga. A mãe estava com sérios problemas de saúde e clamava pela presença do filho. Lá, trabalhando na prefeitura, preparou-se para fazer o concurso público para fiscal de rendas do Estado de Minas Gerais, tendo sido aprovado com distinção. No cargo, trabalhou por diversas cidades mineiras, tais como: Volta Grande, Estrela Dalva, Ubá, Recreio, Guarani, Além Paraíba e outras.

Além Paraíba entrou para a vida de Waltair Couto no ano de 1956 quando, transferido para a Agência de Fiscalização Estadual existente no município, mudou-se com toda a família. Anos depois foi transferido para Ubá, retornando para as terras alemparaibanas em 1969, ocasião em que ingressou para o Lions Clube, de onde foi presidente no biênio 1970/1971.

No início dos anos 70 aposentou-se no cargo de Delegado Fiscal, sendo reverenciado por seus superiores por sua integridade moral e profissional quando do exercício do cargo. Naquele mesmo período foi convidado para administrar um dos mais importantes laticínios do vizinho Estado do Rio, o Laticínios Normandie, localizado na Fazenda Bemposta, em Areal. Anos depois, no início dos anos 80, o genro Fernando Fortes adquiriu a empresa de ônibus Transportes Além Paraíba, convidando-o para ser o gerente-geral da empresa alemparaibana. Exerceu o cargo com sabedoria, honestidade e justiça, sendo aclamado pelos empregados da empresa, da época, como um verdadeiro amigo.

Waltair Couto foi membro da Maçonaria e da Família Espírita, tendo atuado como conselheiro, diretor e médium do Centro Espírita Amor em Deus, de Além Paraíba, por longos anos. Em 1997, lançou o livro “História do Movimento Espírita em Além Paraíba e Cidade Vizinhas – período de 1890 até 1983”, um trabalho de pesquisa de longos anos.

O “Véio”, como era carinhosamente chamado por familiares e amigos, sempre se destacou por onde passava. Ouvia os lamentos de todos e sabia, como ninguém, levar uma mensagem de paz e serenidade aos que nele buscavam um conselho. “… ele já nasceu desse jeito, com a sabedoria que algumas pessoas comuns só adquirem com o tempo e que as pessoas especiais – como ele – já trazem dentro de si, desde muito tempo”, disse Plínio Fajardo Alvim, um dos muitos amigos que conquistou ao longo de sua vida.

Além de todas as atividades que atuou com zelo e perfeição, Waltair Couto foi presidente de uma das mais queridas agremiações carnavalescas que existiu na história do carnaval alemparaibano – a Acadêmicos da Vila. Tinha, também, pelo futebol uma grande paixão, sendo fanático torcedor do Fluminense Futebol Clube, do Rio de Janeiro, e ferrenho anti-flamenguista. “Era fanático, mas educado…”, afirmou o filho Maurício Santiago do Couto.

“Waltair Couto era a serenidade em pessoa. A generosidade feita homem. Resignado, sabia aceitar, como poucos, as limitações e as situações impostas pela vida. Palavras ponderadas e gentis era só o que se ouvia de sua boca. Bondade e afetividade, era só o que ele sabia praticar”. (Plínio Fajardo Alvim) (Publicado na edição n° 351, de 21/11/2005 – Texto de Flávio Senra – Dados informativos e fotos cedidas pela família)

Cercado de familiares, Waltair Couto quando do lançamento de seu livro.
Waltair e Maria Santiago Couto na Escola de Samba Acadêmicos da Vila.