José Francisco Bias Fortes

Esta imagem é parte do Fundo Agência Nacional Série FOT Subsérie PPU

Filho do segundo governador eleito de Minas Crispim Jacques Bias Fortes, José Francisco Bias Fortes nasceu em Barbacena, no dia 03 de abril de 1891. Fez os primeiros estudos em Barbacena e Belo Horizonte. Cursou Direito na capital mineira e no Rio de Janeiro, onde formou-se em 1912. Logo após formado, seguindo os passos do pai, entrou para a política, como vereador, presidente da Câmara. Em 1915 já estava em Belo Horizonte, como deputado estadual eleito pelo PRM, vice-presidente e presidente da Assembléia Legislativa.

Nos tempos de deputado estadual, Bias Fortes apareceu com destaque em duas ocasiões. Após a morte de Raul Soares, em 1924, ajudou a articular a eleição de Melo Viana para completar o mandato de governador. Em 1926, ajudou a articular o domínio de Artur Bernardes na política mineira.

Estava eleito deputado federal, em 1926, quando Antônio Carlos o convidou para a secretaria de Segurança. Nem foi ao Rio assumir o mandato. No início de seu quarto ano como secretário, divergiu de Antônio Carlos nas discussões sobre a sucessão estadual. Apoiava Melo Viana, enquanto o governador buscava um nome de conciliação, afinal Olegário Maciel. No plano federal, porém, ficou ao lado de Antônio Carlos, na Aliança Liberal que apoiou a candidatura rebelde de Getúlio Vargas a presidente.

Fora do governo, deixou a Aliança, aderiu à Legião Liberal que Olegário Maciel estimulou para pacificar a política mineira e por fim se filou ao PRM, àquela altura perto da extinção. Elegeu-se deputado federal pelo PRM, em 1934, ficou no Rio até o golpe do Estado Novo, em 1937. Fechado o Congresso, retornou a Barbacena, nomeado prefeito pelo interventor  Benedito Valadares. Permaneceu na prefeitura até o fim do Estado Novo, em 1945.

Aliado de Benedito Valadares, tornou-se membro da Comissão Executiva do Partido Social Democrático (PSD), pelo qual saiu candidato a governador de Minas em janeiro de 1947. Cindido pela dissidência aberta de Carlos Luz, o PSD perdeu as eleições e Bias Fortes, eleito deputado federal no ano anterior, foi para o Rio. Nos meses finais do governo Dutra, em 1950, foi ministro da Justiça.

Pretendeu ser novamente candidato a governador, em 1950, mas se rendeu ao peso da corrente que preferia Juscelino Kubitschek. Ficou no Rio, durante todo o governo JK, na presidência do Conselho Superior da Caixa Econômica Federal. Retornou a Minas em 1955, para vencer as eleições ao governo estadual.

Governou Minas até 31 de janeiro de 1961, sem deixar marca pessoal. Limitou-se a dar continuidade, com eficiência, à obra iniciada por Kubitschek, com o término das obras das hidroelétricas de Camargos, Furnas e Três Marias, a modernização da agricultura, a expansão do crédito rural, a diversificação industrial.

Preocupou-se, bem mais que Kubitschek, com o equilíbrio orçamentário, cuidando de reduzir substancialmente os gastos públicos. Um ano antes de deixar o Palácio da Liberdade, gabava-se de ter reduzido quase à metade o déficit público, de 11% da receita estadual entre 1946 e 1955, para 6% em seu governo.

Praticamente desapareceu do cenário político, ao deixar o governo. Registra-se apenas sua assinatura no Manifesto de Governadores e ex-Governadores, divulgado no início de 1964 como advertência aos rumos que o presidente João Goulart dava ao país.

Quando morreu, no dia 30 de março de 1971, no Rio de Janeiro, aos 80 anos, ocupava uma diretoria do Banco de Crédito Real, na capital do estado fluminense.

(Publicado na edição 778, de 02/04/2014)

CAUSOS

No seu tempo de secretário estadual, Alkmim recebeu o pedido de uma nomeação em Barbacena. Estranhou que a nomeação era apoiada pelos arquirivais da terra, José Bonifácio e Bias Fortes. Reação dele: “Não nomeio. Se esse dois estão de acordo, quem perde é o Estado”.

Alkmim engendrou um esquema em seu aparelho de telefone para afastar as visitas indesejáveis ao seu gabinete: debaixo da mesa, para ser acionada com o pé, uma campainha com o som semelhante ao de um telefone. Quando a conversa ficava insuportável, ele acionava a campainha, tirava o telefone do gancho e simulava uma conversa com o governador de Minas. A certa altura, dizia: “Governador, gostaria muito de aceitar o seu convite, mas agora é impossível. Estou aqui com o nosso companheiro fulano de tal e não posso sair”. Era infalível, no mesmo instante a visita indesejável se despedia, desculpando-se.

Inúmeros casos e causos foram vivenciados e atribuídos a José Maria de Alkmim. Certa vez, num almoço com diplomatas árabes, então ministro da Fazenda no governo JK, quis saber o significado de seu sobrenome. Diplomaticamente, os diplomatas desconversaram. O ministro, esperto, também desconversou. Mas o igualmente esperto Augusto Frederico Schmidt, poeta, editor, intelectual finíssimo, ghostwriter do presidente Juscelino Kubitschek, pressentiu que havia ali uma situação muito especial e insistiu em saber o significado do sobrenome Alkmim.

Constrangido, um dos diplomatas explicou:

– Al é o artigo masculino O. Na sílaba seguinte, pronuncia-se o K bem rápido, mas bem forte, para compor o restante da palavra, kmim. Significa mentira.

– Então, Alkmim quer dizer mentira? – riu Schmidt.

Todos riram, inclusive o ministro Alkmim, para alívio dos diplomatas árabes. No dia seguinte, Schmidt entrou logo no gabinete de Kubitschek, para contar a novidade.

– Presidente, fiquei sabendo ontem o que significa Alkmim.

– Eu também já estou sabendo, ele mesmo me ligou ontem à noite, todo vitorioso. Al é o artigo O. E kmim, com o K pronunciado bem forte mas ligado ao restante da palavra, significa valentia. Alkmim é o valente.