Euclides Vasconcellos Barbosa – “Mestre Tida”

Euclides Vasconcellos Barbosa – “Mestre Tida”

    Na terra mineira banhada pelo Rio Paraíba do Sul, vários homens e mulheres fazem jus a homenagens pela forma como conduziram seus passos ao longo da existência, servindo de exemplo não só para seus descendentes, mas para toda a comunidade alemparaibana. E um desses homens é Euclides Vasconcellos Barbosa, o “Mestre Tida”, nascido em Além Paraíba no dia 21 de março de 1892, filho de João Evangelista Barbosa e Maria Rosa Vasconcellos Barbosa. Sua infância foi muito sofrida, devido a diversos problemas de ordem familiar, tendo ao seu lado a irmã Ermínia, apelidada carinhosamente de “Pequetita”.

    Ainda adolescente, com apenas 15 anos de idade, em 1º de fevereiro de 1907, começou a trabalhar na Estrada de Ferro Leopoldina, na condição de aprendiz de pintor. Por saber ler e escrever, se destacou entre os colegas, fazendo os pedidos de materiais da turma para seu encarregado, tanto que quando este se aposentou assumiu o cargo de Mestre da turma de Pintura, ganhando o apelido de “Mestre Tida”, pelo qual ficou conhecido por todo o meio ferroviário e em toda a comunidade alemparaibana. 

    Na ferrovia participou ativamente da fundação e direção do Sindicato dos Ferroviários, aposentando-se no dia 30 de novembro de 1950, após 42 anos de muita luta sem faltar um único dia de trabalho. Sua dedicação à Estrada de Ferro Leopoldina foi tamanha que a cantina de supervisores da RFFSA levou o seu nome, uma homenagem feita ainda em vida, ao lado de seus entes queridos.

    Foi exímio musicista da Sociedade Musical Sete de Setembro, na qual ingressou aos 16 anos. Tocava com habilidade todos os instrumentos, tendo auxiliado muitos músicos, desde a formação musical e até mesmo na alimentação, emprego e moradia. Elevou o nome da Banda, ora levantando fundos para a compra de instrumentos, uniforme e condução para os seus integrantes, muitas vezes tirando dinheiro do próprio bolso, além de ter tocado inúmeras vezes gratuitamente em benefício de várias instituições alemparaibanas. Sua vida na Sete de Setembro foi atuante e participante durante setenta e cinco anos.

    Quando tinha 26 anos, “Mestre Tida” casou-se com Maria da Conceição Barbosa, nascida em 09 de julho de 1902, filha de Manoel José Bento e Maria Cândida Bento, com quem viveu setenta e um anos. Tiveram doze filhos: Edwander, Ivanôe, Eloah, Edmundo, Solange, Inah, Almen, Jubran, Wagner, Ydma, Fernando e Dayse; 35 netos, 50 bisnetos e um tataraneto. A vida de casado, devido o grande número de filhos e pela situação difícil com que vivia a classe ferroviária, foi repleta de dificuldades. E como o trabalho vinha sempre em primeiro lugar, fazia bicos tocando num conjunto de Jazz para ajudar nas despesas do lar. Os filhos, quase todos o seguiram na carreira de ferroviário e um só o seguiu na carreira musical.

    Amigo, íntegro, autêntico, humilde, honesto, pacífico, conciliador, trabalhador, perseverante, resoluto, amoroso e caridoso, Euclides Vasconcellos Barbosa, que era tudo isso e muito mais, ainda assumiu importantes missões em sua Além Paraíba, tendo sido Juiz de Paz por vários anos, integrado o quadro de diretores da Sociedade Beneficente Dezoito de Julho onde alcançou o cargo de presidente, diretor da Liga de Desportos, membro-fundador da Loja Maçônica Perfeita União Nº 5 e, com muita altivez e orgulho, foi maestro da sua querida Sociedade Musical Sete de Setembro por dezenas de anos. Na área religiosa, foi criado sob os preceitos da Igreja Católica Apostólica Romana, entretanto aceitava convites para participar de reuniões de outras Igrejas.

    Da sua mocidade até a velhice sempre gostou de fazer caminhadas, do bairro de São José, onde morava, até Porto Novo, parando às vezes para conversar com amigos, cumprimentando e sendo cumprimentado por crianças, jovens e adultos. A cidade toda sempre comentava a sua grande animação e vigor físico.

    Em 11 de maio de 1991, “Mestre Tida” sofreu um duro golpe com a morte de sua mui amada e querida esposa Maria da Conceição. Pouco mais de três meses depois, no dia 16 de agosto, às 10 horas e quinze minutos da manhã, parecendo estar sentindo saudades da companheira de tantos anos vividos, faleceu aos 99 anos e cinco meses de idade, deixando um imenso vazio na vida de seus familiares e amigos.

    A vida de Euclides Vasconcellos Barbosa, o “Mestre Tida”, teve quase um século de existência. Uma lição de vida…

Texto: Flávio Senra. Foto: arquivo familiar.
Publicado na edição 337, de 18/08/2005)

Mestre Tida e a esposa Maria da Conceição Barbosa.
Mestre Tida regendo a Sociedade Musical Sete de setembro.