Desprezo às escâncaras

Com relação aos problemas das nossas estradas, o “O Globo” de 23 de dezembro do ano passado publicou uma notícia que além de espantosa dá conta de como são tratadas as coisas de interesse público no Brasil, numa demonstração clara e evidente de que “se eu não faço, os outros também não podem fazer”.

Tal fato me faz lembrar daquele quadro estampado semanalmente na antiga revista “O Cruzeiro”, sob o título “O Amigo da Onça”.

É mesmo inacreditável!

A história é a seguinte: o DER-RJ havia iniciado o conserto das estradas que vão até a região norte-fluminense, incluindo-se os trechos praianos. Parece que por determinação de um órgão superior ligado ao Governo Central, a Polícia Rodoviária Federal determinou a paralisação dos trabalhos, sem previsão do seu reinício.

É de se perguntar até quando essa política destrutiva e incompreensível será manchete nos jornais?

É difícil de acreditar que homens detentores do poder em nosso país, não vejam os prejuízos que atitudes espúrias como essa em relação às estradas possam prejudicar o nosso desenvolvimento comercial e turístico, além de outros setores da vida ativa brasileira.

Segundo consta, tudo continua como dantes, apesar de já passados alguns meses.

O descaso não acontece somente no aprazível Estado do Rio de Janeiro. O problema, infelizmente, é de âmbito nacional.

Como já comentei em outras ocasiões, o Brasil é um país feliz e, ao mesmo tempo, infeliz. Feliz porque aqui não ocorrem terremotos, furacões e outros fenômenos da natureza, e infeliz porque os poderes constituídos entram em choque no que diz respeito a assuntos de interesse geral da nação e do seu povo, embaraçando até mesmo o trabalho de reparação das estradas.

Por que não tapar os buracos até que seja feita uma nova pavimentação, que não se sabe quantos anos o brasileiro terá que esperar? Por que não preservar o bem-comum? Por quê?!…

Na verdade, as estradas continuam esburacadas, forçando os motoristas a verdadeiros malabarismos para percorrê-las e chegarem, aos seus destinos sãos e salvos.

Além do desgaste físico e mental, os motoristas não têm como fugir do prejuízo material. São manobras e mais manobras que consomem pneus, combustível e peças de reposição, o que inferniza, sobremaneira, a paciência daqueles que para garantirem a própria subsistência e a das suas famílias, são obrigados ao sacrifício, por não terem outro meio de vida, senão o do transporte.

Como perfeição não existe, o melhor é aceitar a situação, porém sob protesto, fazendo votos para que alguma coisa de urgente seja feita, a fim de, pelo menos, minorar as condições de tráfego nas estradas.

O problema é grave, em torno do qual os mandatários do país deveriam dar mais atenção, pois não é só o prejuízo material que os motoristas dos veículos estão sujeitos. As paradas nas estradas, às vezes em locais ermos, podem propiciar assaltos, alguns até de conseqüências gravíssimas.

(Publicado na edição 367, de 09/03/2006)