Herdeiros do terreno no Vassourão são ouvidos na reunião da Câmara Municipal

Prefeito, procurador municipal e outros convocados não comparecem à reunião. Fernando Ferreira, advogado e procurador jurídico da municipalidade, e que foi advogado dos herdeiros do terreno, apesar de ter se relacionado para a Tribuna Livre não compareceu à reunião mesmo tendo sido convocado.

Dia 16 de março, compareceram à reunião ordinária da Câmara Municipal de Além Paraíba, atendendo convocação do vereador Reginaldo Câmara Estevanim (Regisom), dois dos vários herdeiros de um terreno situado ao lado do extinto Vassourão que foi invadido pela municipalidade alemparaibana no sentido desta executar uma obra que vem sendo contestada por boa parcela da comunidade alemparaibana, gastando mais de R$ 2 milhões. Vale ressaltar, para muitos a obra é eleitoreira.

Para a reunião ainda foram convocados o procurador municipal Fernando Ferreira e outros agentes da municipalidade. O prefeito Miguel Belmiro foi convidado e não convocado. Sobre o advogado Fernando Ferreira, vale ressaltar que Hedymauro Batista Milagres, um dos herdeiros do terreno em litígio, foi o advogado no início de uma ação judicial para a regularização da área. Segundo Hedymauro, Ferreira teria afirmado à ocasião de que “a causa era ganha”. O procurador do município, apesar ter sido constatado que se inscrevera na Tribuna Livre da reunião, não compareceu e sequer justificou a ausência, o mesmo ocorrendo com os demais convocados.

Hedymauro Batista Milagres e Júlia Lorena Milagres, respectivamente neto e bisneta de José  Batista de Oliveira, o saudoso Sargento Batista, defenderam seus direitos de herança sobre um terreno invadido pela prefeitura, durante a reunião da Câmara Municipal realizada no dia 16 de março.

Inicialmente, Hedymauro fez um relato na situação litigiosa envolvendo seus familiares, herdeiros de José Batista de Oliveira, com relação ao terreno que de forma abrupta a atual Administração Municipal toma para si. A seguir, Hedymauro apresentou aos vereadores e público presente uma certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis de Além Paraíba, onde estavam transcritas confrontações e características do imóvel em questão. Todo o teor da certidão foi lida em plenário pelo vereador Rodrigo frança, secretário em exercício na reunião, em atendimento á solicitação de Hedymauro.

A seguir, a herdeira Júlia Lorena Milagres, bisneta de José Batista de Oliveira, o saudoso Sargento Batista, deu início a um relato aos vereadores e público presente sobre quem foi seu bisavô, um policial militar que chegou em Além Paraíba no início da década do ano de 1920.

Sargento Batista teve seu nome registrado na história alemparaibana como um homem honrado que muito contribuiu para o crescimento da cidade. Também tem seu nome registrado na história por uma passagem de grande relevância quando da Revolução de 1930, salientou Júlia. À época, relatou, Além Paraíba ficou entre fogo cruzado – do lado fluminense estavam as tropas legalistas que apenas aguardavam a ordem de seus comandantes para invadir e saquear a cidade. Do lado mineiro, estava o sargento Batista e seus soldados, e as tropas revolucionárias lideradas pelo major Lerac.

Já ao final da revolução, que teve a vitória dos apoiadores de Getúlio Vargas, uma grande tragédia aconteceu na cidade com a explosão do paiol de munições das forças revolucionárias que ficava instalado ao lado da agência do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, depois Bemge, hoje Itaú. Grande conhecedor da forma correta de como armazenar munições, Batista alertou o major Lerac das condições equivocadas em que estava acondicionada a munição. Por sua vez, com soberba, pois acreditava ter mais conhecimento que um sargento, não deu ouvidos às sugestões. Daí, com a alta temperatura, o paiol veio a explodir, ceifando a vida de dezenas de pessoas, entre estas o próprio major Lerac e sua esposa, o tenente Mário Stewart (hoje nome de uma das ruas da cidade), e um garoto de apenas 9 anos, de nome Manoel, filho primogênito do sargento Batista.

Sobre o terreno ora em litígio, Júlia salientou que este foi adquirido pelos idos de 1923, sete anos antes do acender do estopim que resultou na Revolução de 1930. Júlia ainda ressaltou que seu bisavô foi um grande benfeitor no município, tanto que doou vários terrenos que lhe pertenciam para a municipalidade, entre estes o onde está instalado a Escola Rotária “Anchildes Baranda”, hoje funcionando como creche municipal. Doou também o terreno onde está fincada a sede da Escola de Samba União da Colina, tendo permitido ainda que a municipalidade projetasse e executasse várias ruas que vieram a unir os bairros Morro da Conceição e Morro Santa Rosa.

O relato de Júlia Lorena teve momentos de grande emoção ao lembrar do bisavô, seus familiares e o golpe covarde que pelas costas os atingem. Não existem dúvidas de que o terreno em questão pertence aos herdeiros de José Batista de Oliveira. E se existe alguma, esta pode ser lançada por terra com a afirmativa de Hedymauro Batista Milagres de que o próprio procurador municipal, advogado Fernando Silva Ferreira, esteve à frente da ação judicial que teve por mote a regularização do terreno. Hedymauro é bem claro quando afirma que à ocasião o advogado teria afirmado em alto e bom som de que a ação era ganha – como diz no popular, fava contada!

Árvores são criminosamente ceifadas no Vassourão

Hedymauro Batista Milagres e Júlia Lorena Milagres, respectivamente neto e bisneta de José  Batista de Oliveira, o saudoso Sargento Batista, defenderam seus direitos de herança sobre um terreno invadido pela prefeitura, durante a reunião da Câmara Municipal realizada no dia 16 de março.

Não bastasse o imbróglio envolvendo herdeiros do terreno onde pretende executar uma obra gastando mais de R$ 2 milhões enquanto a cidade encontra-se com a maioria de suas ruas esburacadas, faltando remédio nos postos de saúde e com as estradas vicinais que cortam o município em petição de miséria, na semana passada a população vivenciou um verdadeiro crime ambiental na referida área, com os executores da obra assassinando cerca de seis árvores já adultas, mas com muito tempo de vida pela frente oferecendo sombra e até frutos.

O fato fez muita gente lembrar quando, durante a gestão municipal do ex-prefeito Wolney Freitas, este mandou cortar inúmeros jambeiros que circundavam a Praça dos Imigrantes, plantadas pelo sempre saudoso prefeito Elias Fadel Sahione, considerado por muito como o melhor prefeito de Além Paraíba dos últimos 50 anos, que além de sombra ofereciam saborosos frutos para a população.

Onde está esse tal Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente, um órgão que pelo visto se curva aos ditos da municipalidade tal qual vaca de presépio, que não tomou uma providência e impedido o assassinato dessas árvores do Vassourão? 

Veiculado na edição nº 1092, de 18/03/2020.