Faleceu Rolando Correa Amaral

A manhã do dia 20 de março foi de grande tristeza para Além Paraíba, em especial para o carnaval da boa terra que viveu grandes momentos sob a batuta do artista plástico e ferroviário aposentado Rolando Correa Amaral.

Rolando estava com 85 anos, e era filho de José Amaral e Nezolina Correa Amaral. Mais velho dos dez filhos do casal, desde cedo Rolando desenvolveu o dom para a arte, em especial a pintura, sempre incentivado pela mãe. Participou de vários movimentos culturais alemparaibanos, sendo um dos protagonistas daquele que até hoje é lembrado como um dos mais importantes de toda a história da cultura alemparaibana – a criação, junto com José Heitor, Jorge de Souza e outros, do Grupo Cruz e Souza, isto pelos idos da década de 1970.

Rolando Amaral era ferroviário, tendo sido admitido na Estrada de Ferro Leopoldina após concluir, ao final da década de 1940, curso profissionalizante no então Senai 6-1, hoje SAPE.

Sua origem familiar era de músicos, daí, apesar do jeito tímido e calado, ser uma grande admiração pelos festejos carnavalescos, em  especial pelas fantasias e alegorias das escolas de samba, ranchos e blocos. Daí, em meados dos anos de 1970, recebeu um convite da direção da escola de Samba Nova Floresta para assumir o cargo de carnavalesco da agremiação do bairro de São José. Aceito o desafio, seu primeiro trabalho foi desenvolveu o enredo “Festas Tradicionais Brasileiras” que lhe deu um honroso segundo lugar entre as cinco agremiações carnavalescas que disputaram o título. Por mais dois anos ficou à frente da azul e branco.

A seguir, Rolando Amaral foi convidado para ser o carnavalesco da recém-criada Escola de Samba Acadêmicos da vila, que teve o seu ápice em 1986, com um enredo rico e brilhantemente desenvolvido que conquistou o primeiro lugar, com aplausos até mesmo das demais concorrentes – “O Brasil Vista Através de Debret”. No desenvolver o enredo, Rolando Amaral mostrou a todo público do carnaval alemparaibano o seu talento como pintor, até então escondido devido a sua timidez.

No ano seguinte, com a direção da Acadêmicos da Vila desistindo de levar a agremiação até a passarela do samba, e também com a saída do carnavalesco Carlos Louro Franco da Unidos Três Corações, Rolando Amaral foi convidado a assumir os barracões da vermelho e branco da Jaqueira, Timbira e Boiadeiro, mais conhecida do público carnavalesco como Cutuca. Foi um grande desafio, isto porque, além da tradição e história dentro do carnaval alemparaibano, o Cutuca sempre foi a agremiação que mais torcedores apaixonados e fanáticos tinha e ainda têm na cidade. Seria e é o Flamengo no carnaval de Além Paraíba.

O casamento com a Unidos Três Corações durou até o ano de 2005. Ao sair da agremiação onde conquistou várias vitórias e teve algumas decepções, Rolando segredou a Flávio Senra, diretor deste semanário, de que o Cutuca mexeu com o seu coração – “Ali eu passei a gostar ainda mais do carnaval de Além Paraíba. A mistura amor e paixão de seus integrantes, de todas as idades, às vezes me deixava fora do ar”, disse o carnavalesco.

Rolando Amaral ainda teve passagem em duas agremiações carnavalescas de Além Paraíba. No Bloco da Ilha, dividiu parte de seu tempo livre no Cutuca para conquistar vários títulos. Na Escola de Samba Mocidade da Cidade Alta, de Vila Caxias, encerrou suas atividades com o carnaval da boa terra.

Rolando Correa Amaral deixou viúva a sempre amada e incentivadora Diva Gomes Amaral, com quem teve quatro filhos – Ricardo, Mirele, Gisele e Thaís. Foi sepultado no Cemitério Municipal, na tarde do mesmo dia em que foi se reunir com o Criador.

Além Paraíba perdeu não somente o carnavalesco, o artista brilhante de nome Rolando Correa Amaral. Além Paraíba perdeu um dos maiores baluartes da cultura alemparaibana. Aos familiares, fica aqui registrado o grande pesar  da direção e colaboradores desse semanário que sempre recebeu o seu carinho e atenção.

Obrigado, caro amigo Rolando!!!

Veiculado na edição 1094.