Além Paraíba: uma cidade onde imperam o desrespeito e a maledicência

Igrejas lotadas (nem todas), filas gigantescas, povo passeando pelas ruas sem usar máscaras, sem contar as redes sociais que se transformaram o município num grande centro de futricas – essa é a realidade de Além Paraíba em época de pandemia.

Ao que parece a boa terra não faz parte desse mundo que foi literalmente infectado pelos chineses com o famigerado COVID-19. Pelas ruas da cidade o povo circula sem a proteção de máscaras como estivesse vivendo num paraíso; nos bancos, em especial na Caixa Econômica Federal, as filas, sem obedecer o distanciamento obrigatório, são gigantescas, o mesmo acontecendo nas lojas lotéricas; igrejas, não todas, continuam promovendo seus cultos, algumas com as portas escancaradas, outras às escondidas, daí burlando os decretos da municipalidade, com as portas cerradas.

Antes fosse apenas isso, mas eis que agora o município alemparaibano se transformou num verdadeiro antro de desocupados, pessoas que sem qualquer critério estão a utilizar a Rede Social (whatsapp, facebook e outros aplicativos) para disseminar a mentira, desrespeitando a dor de famílias que perdem entes queridos que foram contaminados pelo coronavírus.

Estamos falando da morte do advogado, empresário e produtor rural Renato José Mendes Tepedino, que apesar de residir no Rio de Janeiro é filho dessa terra, de tradicional família alemparaibana, e aqui dá emprego para várias famílias em uma de suas propriedades rurais, a Fazenda Bom Retiro.

Renato, que foi um dos mais dinâmicos presidentes do Sindicato Rural de Além Paraíba, fugindo da pandemia, buscou asilo em sua propriedade rural juntamente com uma de suas filhas, o genro e dois netos. Passados alguns dias, após sentir-se indisposto, decidiu voltar para o Rio de Janeiro, onde foi internado num hospital particular carioca, onde veio a falecer na madrugada da última sexta-feira, dia 17 de abril. Na mesma data, sem a presença de seus entes queridos, o corpo de Renato foi cremado.

Não bastasse a dor da família atingida pela fatalidade, eis que surgiram nessa famigerada Rede Social os idiotas de plantão, cheios de mentiras e maledicência, espalhando inverdades para toda a comunidade. Um desses crápulas, que aqui não vale a pena citar o nome e que vista a carapuça que certamente lhe serve com precisão cirúrgica, através do Whatsapp soltou a pérola de que Renato recebeu dezenas de visitas em sua propriedade rural, “uma porrada de pessoas” disse o desocupado, o que é uma das maiores mentiras já proferidas na boa terra que tão bem servida foi pelos antepassados de Renato Tepedino: os saudosos Dr. Zozote, médico que sempre deu atenção aos menos favorecidos pela sorte, sua esposa dona Wanda Julieta Mendes Tepedino, dedicada e exímia professora de piano, seu avô Dr. Heitor Mendes dos Nascimento, competente juiz de direito, e outros. Não bastasse, esse crápula, aproveitando o momento de desespero que atinge não somente Além Paraíba mas todo o planeta, promoveu uma espécie de mercantilismo barato propagando que em um laboratório estavam sendo realizados exames a um custo de algumas centenas de reais.

Renato José Mendes Tepedino não recebeu dezenas de pessoas enquanto estava em sua propriedade rural. Durante algo em torno de dois/três minutos conversou com um amigo, também proprietário rural, que o auxilia como uma espécie da administrador de sua fazenda. Vale ainda ressaltar que tanto esse amigo e familiares, além das famílias que trabalham e residem na Fazenda do Retiro, bem como sua filha, genro e netos, desde o momento da sua volta ao Rio de Janeiro entraram em quarentena. Os que trabalham também em sua residência na capital fluminense, bem como o motorista que lhe prestava serviços faz longos anos também entraram em quarentena, e até hoje, passados cerca de 15 dias de sua internação no Hospital Copa Star, da Rede Dor, onde veio a falecer, ninguém apresentou sintomas da doença.

Aos familiares de Renato José Mendes Tepedino, um homem que sempre teve por compromisso a verdade e o bem estar do próximo, em nome daqueles que reconhecemos como cidadãos de bem de nossa terra, deixamos aqui registrado o nosso grande pesar e um sincero pedido de desculpas pelo infortúnio a mais que lhes foi imposto.

A VERDADE PREVALECERÁ!!!

Flávio Senra é o Editor do semanário ALÉM PARAHYBA desde junho de 1993.

Veiculado na edição 1096, de 22/04/2020.