MAIS UMA LAMBANÇA DA GLOBO

Hospital São Paulo, de Muriaé, emite nota à imprensa e classifica matéria exibida pela Globo News como infeliz e inoportuna

O Hospital São Paulo, de Muriaé, divulgou uma nota à imprensa em geral ontem, quinta-feira (04 de junho), assinada pelo provedor da instituição, Edivar Pereira de Almeida, para falar sobre a matéria exibida pelo jornal da Globo News na quarta-feira (03) em que cita a instituição e aborda uma série de falhas na remoção e no sepultamento do primeiro óbito por Covid-19 registrado em Muriaé e enterrado em Miradouro no dia 11 de maio.

Na nota, o hospital classificou a reportagem como infeliz e inoportuna e explicou que em nenhum momento o irmão da vítima, que fez a denúncia, foi convidado a entrar no necrotério por nenhum funcionário do hospital e nem solicitado para ajudar na remoção o corpo. Segundo a nota, a autorização foi permitida por um funcionário da funerária, contratada pela família.

O hospital disse também que lamenta o comentário feito pela jornalista Thais Itaqui, que classificou como “jogo de empurra” as declarações prestadas à administradora do hospital Rita Pereira durante uma entrevista por telefone.

A instituição pediu direito de resposta referente a reportagem e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis.

Leia na íntegra a nota de esclarecimento do Hospital São Paulo

NOTA À IMPRENSA

Na edição de 03/06/2020 do Jornal Globonews Edição das 10 foi veiculada matéria relativa ao falecimento e remoção de um paciente vítima da Covid-19 no Hospital São Paulo, em Muriaé/MG, sendo este o primeiro óbito registrado na cidade em função da doença.

A reportagem entrou em contato com a Administradora do Hospital e foi devidamente acolhida, esclarecendo-se na entrevista então realizada que a Instituição de Saúde não possui serviço funerário, de modo que a sua resolutividade se encerra, no caso de óbito do paciente, com a remoção do corpo para o necrotério, informação aos familiares ou responsáveis e liberação do corpo ao serviço funerário livremente escolhido e contratado pela família, exatamente como ocorrido no caso abordado na reportagem.

O irmão do paciente não foi convidado a adentrar o necrotério por nenhum funcionário do Hospital São Paulo ou, muito menos, solicitado a auxiliar na remoção do corpo, visto se tratar de prerrogativa exclusiva da funerária contratada, que, aparentemente, permitiu a entrada do familiar naquele local após obter as chaves junto ao Hospital. Qualquer espécie de preparação do corpo ainda no necrotério é vedada, especialmente em se tratando de paciente vitimado pela Covid-19.

Quanto ao suporte pela assistência social mencionado na reportagem, o Hospital São Paulo esclarece que o irmão do paciente falecido não figurava como seu acompanhante, não havendo qualquer registro da sua entrada no local, sem o que não existiam meios de lhe dispensar qualquer assistência relativa à sua saúde física ou mental. O acesso do Sr. Magno Lúcio ao necrotério se deu pela parte externa do Hospital, sem qualquer autorização do Nosocômio para tanto. Qualquer amigo ou familiar do falecido que se encontrasse no hospital quando da notícia do óbito haveria recebido a devida assistência psicológica mediante simples requisição à equipe assistencial, o que, repita-se, não aconteceu no caso em análise.

O Hospital São Paulo lamenta o comentário infeliz, inoportuno e sem qualquer amparo técnico realizado pela repórter Thais Itaqui, que classificou como “jogo de empurra” as declarações prestadas pela Administradora do Nosocômio, que esclareceu perfeitamente o fluxo existente para a remoção de corpos de pacientes falecidos nas dependências do hospital, cuja responsabilidade, repita-se, cabe exclusivamente ao serviço funerário contratado pelos respectivos familiares, sendo oportuno destacar que o Hospital São Paulo sequer possui habilitação junto ao Poder Público para realizar qualquer espécie de tratamento ou remoção de corpos. Não se trata de “jogo de empurra”, mesmo porque a funerária contratada pelo irmão do paciente sequer deu a sua versão dos fatos, mas de simples relato da prática verificada em todos os hospitais que, a exemplo do Hospital São Paulo, não possuem serviço funerário próprio.

Tratou-se de opinião desrespeitosa, que desconsiderou os esforços e o comprometimento que o Hospital e toda a sua equipe, assistencial e administrativa, estão realizando em um momento de extrema dificuldade e inédito temor social.

Solicita-se a leitura, no ar e no mesmo programa jornalístico, da presente nota, a fim de esclarecer a verdade dos fatos e evitar a pronta adoção das medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis, sendo que a Instituição de Saúde permanece à inteira disposição para prestar quaisquer esclarecimentos que porventura se façam necessários.

Atenciosamente,

Assina: CASA DE CARIDADE DE MURIAÉ – HOSPITAL SÃO PAULO

Dr. Edivar Pereira de Almeida – Provedor

Fonte: Rádio Muriaé