Moradores de Santos Dumont também questionam a vacinação contra a Covid-19

Profissionais que não atuam na linha de frente do combate à Covid-19 e, em alguns casos, sequer exercem a profissão na área teriam sido imunizados.

Não é somente em Além Paraíba que a população vem questionando os critérios de vacinação contra a Covid-19. Moradores de Santos Dumont, município da Zona da Mata localizado a cerca de 40 quilômetros de Juiz de Fora, questionam o processo de vacinação contra a Covid-19 realizado pela Prefeitura. De acordo com denúncias recebidas pela Tribuna, profissionais da saúde que não atuam na linha de frente da doença e, em alguns casos, sequer exercem a profissão na área teriam sido imunizados, apesar de também não integrarem nenhum grupo de risco.

Segundo os moradores, a situação ocorre porque a Prefeitura tem exigido apenas o registro profissional no momento da vacinação. “Estamos vendo pessoas jovens, que não trabalham no atendimento aos pacientes com Covid-19, serem vacinadas antes de idosos e pessoas com comorbidades”, afirma uma moradora que preferiu não se identificar. Na lista estariam graduados em educação física, psicologia e medicina veterinária.

A confirmação sobre as imunizações é observada pelas redes sociais. “Eles postam fotos porque, teoricamente, não estão fazendo nada errado, já que a Prefeitura de Santos Dumont permitiu essa brecha”, diz um morador.

A preocupação é que com a destinação das vacinas para quem não integra o grupo prioritário, outras pessoas fiquem expostas ao risco de contaminação. “É uma situação angustiante porque há profissionais que trabalham em Unidades Básicas de Saúde, idosos e pessoas com comorbidades que ainda estão aguardando”, avalia outro morador. “A verdade é que não há ‘fura-filas’, mas a Prefeitura organizou essa fila de forma errada.”

A vacinação em números

Até o momento, o município de Santos Dumont recebeu 1.986 doses da vacina, conforme dados da Superintendência Regional de Saúde (SRS).

No total, 1.166 pessoas receberam a primeira aplicação, sendo 1.090 profissionais da saúde e 76 idosos que vivem em instituições de longa permanência. A segunda dose já foi aplicada em 183 destas pessoas.

A assessoria da SRS destacou que Minas Gerais segue o Plano Nacional de Imunização. Desta forma, devem ser obedecidos os critérios de prioridade para a imunização.  Em nota, a SRS esclareceu que “dentro das suas responsabilidades vem orientando e divulgando amplamente aos municípios as informações técnicas necessárias para que as diretrizes propostas para essa fase da campanha sejam cumpridas em sua integralidade.”

Quase 80% das denúncias no Estado são de “fura-filas”

As denúncias dos moradores de Santos Dumont foram levadas à Ouvidoria do Estado de Minas Gerais, órgão responsável por receber as manifestações sobre irregularidades relacionadas à vacinação contra a Covid-19.

Procurada pela Tribuna, a assessoria da Ouvidoria informou que recebeu 738 denúncias em todo o Estado, entre 18 de janeiro e 7 de fevereiro. Deste total, 589 são relativas aos “fura-filas”, o que corresponde a 79,8% das manifestações.

Não foram detalhadas quantas destas denúncias são relativas ao município de Santos Dumont. Ainda de acordo com a assessoria, todas as denúncias estão “em fase de análise se plausibilidade.”

As denúncias podem ser feitas pelo Canal Coronavírus, da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE/MG). A ferramenta pode ser acessada por meio do site www.ouvidoriageral.mg.gov.br/coronavirus.

Prefeitura instaura sindicância administrativa

A Prefeitura de Santos Dumont informou que instaurou sindicância administrativa para apurar a suposta vacinação de quem não seria do grupo de risco. “O Executivo tem enorme preocupação com a gestão adequada da saúde pública e das medidas para enfrentamento à crise sanitária. Dentro deste contexto, qualquer questão relacionada à pandemia tem total prioridade de atenção e imediata resolução”, afirmou em nota.

O texto informa que a Procuradoria Jurídica foi acionada para tomar as medidas cabíveis. “A recomendação legal é instaurar o procedimento de sindicância, através de uma comissão formada por servidores efetivos, que terá o prazo de 15 dias para realizar o procedimento de sindicância, colher os depoimentos, as respectivas provas e apresentar um relatório final.”

De acordo com a Prefeitura, toda a documentação será direcionada à Promotoria de Justiça. Devido ao processo de sindicância, algumas servidoras envolvidas no trabalho de imunização foram afastadas.

A Prefeitura declarou, ainda, que a vacinação está respeitando as orientações descritas pelas notas técnicas repassadas pelo Estado, o Plano Nacional de Imunização e o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19.

Fonte: Tribuna de Minas, por Gracielle Nocelli, com adendo do ALÉM PARAHYBA.