Morre o empresário e carnavalesco Zé Kodak, criador da Banda Daki

Ele estava internado há cerca de três semanas na Santa Casa de Misericórdia, onde faleceu na madrugada de sábado (27) em decorrência da Covid-19.

Zé Kodak posou para a Tribuna em frente à Funalfa no carnaval de 2018 (Foto: Arquivo/Olavo Prazeres)

A cultura e o carnaval de Juiz de Fora perderam, na madrugada de sábado (27), uma de suas maiores referências. Morreu, em decorrência da Covid-19, aos 75 anos, José Carlos Passos, o empresário Zé Kodak, criador da Banda Daki. Segundo a coluna Painel, ele estava internado há cerca de três semanas na Santa Casa e não resistiu às complicações da doença.

De acordo com a Associação das Entidades Carnavalescas de Juiz de Fora e Região, o sepultamento de Zé Kodak aconteceu no sábado, às 14h, no Cemitério Parque da Saudade. “Por recomendação da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, não teve velório”, pontuou a entidade.

Em razão da morte de Zé Kodak, a prefeita Margarida Salomão (PT) decretou luto oficial de três dias em Juiz de Fora.

Além de ser comerciante, Zé Kodak era também conhecido por ter participado ativamente do carnaval de Juiz de Fora. “A cidade perde um dos seus mais apaixonados filhos. Um sinônimo de alegria. O General da Banda deixa uma saudade enorme, do tamanho da sua história”, diz a nota de pesar publicada nos perfis oficiais da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) nas redes sociais.

Conforme ressaltado pela Funalfa, Zé Kodak foi “uma das figuras mais emblemáticas do carnaval de rua da cidade e também um de seus maiores incentivadores”. Ele participou do grupo que criou a Banda Daki, em 1972, e foi o maior responsável por sua manutenção e seu crescimento ao longo das décadas, o que lhe garantiu os apelidos de General da Banda, e, mais tarde, acabou “promovido” a Marechal da Banda.

“A gente não imaginava onde a Banda Daki iria chegar. Era tudo uma brincadeira criada pela turma do São Roque, que queria uma atração para o sábado, já que a programação do carnaval de rua na cidade era apenas no domingo, na segunda e na terça”, contou Zé Kodak, em entrevista à Tribuna em 2017, quando o bloco carnavalesco completou 45 anos de desfiles.

‘Adotado’ por JF

Natural de Bicas, Zé Kodak se estabeleceu em Juiz de Fora e foi adotado pela cidade. Em uma das coincidências da vida, ele faleceu no mesmo dia em que sua loja, a Estação Digital Zé Kodak, completa 61 anos de sua inauguração, conforme requerimento que aprovou a realização de uma sessão solene na Câmara Municipal de Juiz de Fora em 2020, em alusão aos 60 anos do estabelecimento.

“Uma das pioneiras no ramo de fotografia, revelação e tudo que envolve o assunto, a Estação Digital Zé Kodak iniciou sua história em 27 de fevereiro de 1960 e integra desde então a história, também, do nosso município”, diz o requerimento que leva a assinatura do ex-vereador Rodrigo Mattos (Cidadania).

Carnavalesco participou de campanha sobre a Covid-19

Publicação feita pela Funalfa no sábado, em homenagem à memória de Zé Kodak, destaca a história da Banda Daki. “Marcada pela alegria e irreverência, a Banda Daki, que completa 50 anos em 2022 e arrasta milhares de foliões pela Avenida Rio Branco no sábado de carnaval, consolidou-se na folia da cidade e foi reconhecida pela Funalfa como Patrimônio Imaterial de Juiz de Fora, no ano de 2004”, lembra a entidade municipal responsável pela gestão e fomento à cultura.

A Funalfa ainda lembra que o carnavalesco participou, neste mês, de uma campanha de conscientização sobre a Covid-19. “Socialmente consciente, ele participou da campanha da Funalfa no início deste mês, solicitando que os foliões permanecessem em casa durante o carnaval deste ano para evitar a propagação do coronavírus. Contraiu Covid e faleceu em consequência da doença”, publicou a Funalfa, que prestou condolências aos familiares e amigos do comerciante. “Ao Zé Kodak, nossa eterna gratidão pelo legado.”

Figuras públicas e entidades lamentam falecimento do empresário

Além das manifestações da PJF e da Funalfa, várias figuras públicas manifestaram suas homenagens a Zé Kodak por meio das redes sociais. A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT) disse que “Juiz de Fora hoje amanheceu mais triste. A perda do Zé Kodak para a Covid-19 é uma grande dor sentida na cidade. O Zé Kodak é uma grande liderança popular, comerciante muito ativo, muito querido, tanto pelos seus colegas comerciantes como também pela sua grande clientela. Era uma pessoa que trazia muita vibração positiva à vida social, o rei do carnaval, o homem que fundou o Domésticas (de Luxo), a Banda Daki, um grande estimulador das festas populares.” Ela pediu ainda que a população previna-se contra a Covid-19. “Nesse momento de dor, o melhor luto que podemos fazer pelo Zé Kodak é tomar todos os cuidados possíveis, para que não morra mais gente, para que esses mais de 800 juiz-foranos e juiz-foranas que perderam a vida nessa pandemia sejam, para nós, um alerta de que a vida vale a pena, de que precisamos defendê-la, de que precisamos ter cuidado.”

“Um dia triste para a cultura de Juiz de Fora. Nossa cidade perde Zé Kodak, o maior defensor e entusiasta do nosso carnaval. O general da Banda Daki, que por muitos anos levou alegria e democratizou a festa do rei Momo na cidade, é mais uma vítima da Covid-19. Zé Kodak era alegria, e assim deve ser lembrado”, afirmou o deputado federal Júlio Delgado (PSB).

A deputada estadual Sheila Oliveira (PSL) adotou o mesmo tom. “Zé Kodak foi, sem dúvidas, uma das figuras mais importantes para o cenário carnavalesco de JF e também um grande incentivador da festa. Aos familiares, amigos e conhecidos do Marechal da Banda Daki, deixo meus sinceros sentimentos de consolo e paz. Zé nos deixa um lindo legado de amor pela cidade, alegria incomparável e empenho em tudo o que fez.”

Outro que se manifestou pelas redes sociais foi o presidente da Câmara Municipal, o vereador Juraci Scheffer (PT). “Veio de Bicas e aqui fez seu porto seguro. Que Deus receba nosso general da Banda Daki e conforte os familiares e amigos do nosso querido José Carlos Passos”, disse o petista, ao externar publicamente o pesar pela morte de Zé Kodak.

A diretora-geral da Funalfa, Giane Elisa, também lamentou a perda de uma das pessoas “mais comprometidas com a cultura da cidade.”

Fonte: Tribuna de Minas