Prefeitura arrasta, sem autorização, vagões que estavam estacionados na Estação Ferroviária de Porto Novo

A Locomotiva a Vapor 51, a Velha Senhora de suma importância na história da Ferrovia em Além Paraíba, estacionada na Estação Ferroviária de Porto Novo.

Sem qualquer critério e segurança, foram arrastados na semana passada os vagões que estavam estacionados na Estação Ferroviária de Porto Novo, espaço pertencente a VLI, empresa ferroviária concessionária do local. Os vagões integram um projeto desenvolvido para a recuperação e restauração de parte da história da ferrovia em Além Paraíba, e a ação é considerada como de total despropósito ao projeto.

Enquanto tudo isso acontece, o que se vê é que a sandice parece ter tomado conta da municipalidade alemparaibana, quando, alegando limpeza num espaço que não lhe pertence para um suposto arejamento do centro da cidade (Porto Novo), bem como um fictício plano de revitalização da Praça dos Imigrantes, fez o deslocamento dos vagões que estavam estacionados ao lado da Estação Ferroviária de Porto Novo, pertencente à Ferrovia VLI, sem autorização de seus “proprietários”.

A municipalidade alegou que a empresa concessionária – VLI, não respondeu a dois ofícios enviados, e que o procurador geral do município deu aval ao prefeito para que este determinasse a retirada dos vagões, mas aí ficam as indagações: 1) Até onde vai o poder do procurador, que não é juiz, para autorizar tal procedimento dentro de um espaço que não pertence ao município? 2) Como alegar que os vagões estavam abandonados se estavam estacionados num local com a devida autorização dos seus legítimos “donos”? 3) Será que o procurador tem conhecimento de todo esforço que vem sendo desenvolvido para o resgate de parte da história da ferrovia em Além Paraíba? 4) Saberiam, o procurador e o prefeito, que vários municípios cortados pela ferrovia dariam tudo que fosse necessário para terem sob suas guardas todo o acervo histórico ferroviário, inclusive a Locomotiva a Vapor 51, que está em Além Paraíba? E por último, abaixo levamos a todos, em especial aos senhores prefeito, procurador, secretário de obras e outros pseudos da atual Administração Municipal de Além Paraíba, a história de um grupo de cidadãos alemparaibanos de bem que, ao longo de 30 anos ou mais, tentam resgatar, e com relativo sucesso, todo o acervo ferroviário existente no município, inclusive abrindo uma brecha, palavra que define a alcunha que é dada a um certo advogado alemparaibano – DOUTOR BRECHA, para acrescentar no município mais uma atividade de renda através do Turismo.

Leiam com atenção o que está explicitado a seguir…

O Turismo Ferroviário em Além Paraíba

O município de Além Paraíba/MG possui um interessante e importante projeto turístico cultural que nasceu do sonho de três ex-ferroviários – José Carlos Faria, José Mauro Cardoso e Valério Ottero Franco, e, atualmente, possui um grupo de instituições e pessoas que juntas estão buscando alcançar o objetivo de implantar um Trem Turístico com uma Locomotiva a Vapor – a velha e ainda poderosa 51, invejada por incontáveis municípios brasileiros.

Tudo começou há cerca de 30 anos passados, quando José Carlos, José Mauro e Valério conseguiram resgatar, da cidade do Rio de Janeiro, a Locomotiva a Vapor nº 51 da Estrada de Ferro Leopoldina, que foi salva do maçarico e de ser, talvez, transformada em arame farpado, um fim que não seria digno de uma velha e boa senhora que prestou inúmeros serviços em Além Paraíba e região.

Desta forma nasceu a Regional Porto Novo da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), que entre outros materiais é possuidora de 6 vagões de carga, alguns inclusive raros de serem encontrados no Brasil em razão do desmonte da ferrovia no país. Todo esse material ferroviário, vale ressaltar, tem um objetivo maior que é o de valorizar e implementar o turismo ferroviário na Zona da Mata Mineira, hoje identificado por muitos como uma oportunidade ímpar de trazer pessoas, movimentar a economia e trazer divisas para o município de Além Paraíba e outros.   

Em 2016, passou a participar do projeto um grupo maior de pessoas e de instituições, entre estas aquelas que compõem o projeto a equipe do Museu de História e Ciências Naturais, entidade responsável pela administração do projeto apresentado a Ferrovia FCA/VLI e a ANTT. O projeto tem toda a operação ferroviária sob responsabilidade da ABPF/Regional Porto Novo, e dele fazem parte, de forma efetiva, Raul, Dudu do Grêmio, Gilberto, Valdeci e Arthur entre outros, que ao longo dos anos chegaram e deram a sua contribuição.

Com recursos do Governo de Minas Gerais, através de emenda parlamentar do deputado estadual Rogério Correia e da Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, assim como da Prefeitura de Além Paraíba (entre os anos de 2017 e 2020), foi possível recuperar a Locomotiva a Vapor nº 51 e construir um carro de passageiros, o que daria para início das tratativas juntos aos órgãos responsáveis visando as autorizações necessárias para o início da operação, já que mesmo sem ter a circulação de trens em Além Paraíba, cabe a empresa que possui a concessão oferecer autorizações necessárias para a circulação de trens turísticos.

Entre o apoio das pessoas jurídicas, vale ressaltar, foi muito importante a parceria com um grupo de empresários liderados pelo João da Drogalém, que reuniram os recursos necessários para a confecção e instalação das janelas do carro de passageiros.

Desde 2019, o projeto conta com o apoio do Governo de Minas Gerais, através da Comissão Pró-Ferrovia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em especial da Secretaria de Infraestrutura que, através da Superintendência de Transporte Ferroviário, incluiu o projeto de Além Paraíba no PEF/MG (Plano Estratégico para o Transporte Ferroviário de Minas Gerais), visando garantir os estudos e os recursos necessários para a parte de infraestrutura necessária para o projeto.

No início de 2020, a FCA/VLI passou a estar mais perto do projeto, tendo recebido em sua sede, em Belo Horizonte, uma pequena comitiva dos responsáveis pelo projeto ABPF/Regional Porto Novo, a direção do Museu de História e Ciências Naturais, uma representante da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, uma representante da Secretaria de Estado de Infraestrutura, um representante da Prefeitura de Além Paraíba e o então presidente da Câmara Municipal de Além Paraíba, Gérson Barreto. Ainda em 2020, foi realizada uma audiência pública remota na Comissão Pró-Ferrovia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, presidida pelo deputado estadual João Leite, visando tratar do projeto de Além Paraíba.

Neste atual momento, faltam as autorizações necessárias para a operação, assim como a revitalização do trecho entre as Estações Ferroviárias de Porto Novo e Simplício, que são de responsabilidade da concessionária FCA/VLI.

O projeto vai operar um trecho turístico com pouco mais de 11 quilômetros margeado pelo rio Paraíba do Sul, até uma pequena estação ferroviária na localidade de Simplício, onde será possível fazer trilhas ecológicas e ainda gerar inúmeras oportunidades de emprego como guias turísticos, garçons, motoristas de van, atendimento aos turistas, operação ferroviária, restaurantes, artesãos, lojas para venda de produtos aos turistas, venda de combustível, ingressos, diárias de hotel, padaria, e diversos outros tipos de atendimentos para o turista.

Na Estação Ferroviária de Porto Novo já existe um excelente museu, que abriga acervo de história local e regional, com ênfase no patrimônio ferroviário, onde também será possível comprar os ingressos para o passeio turístico e uma loja para atendimento aos turistas. Para este ano de 2021, o Museu de História e Ciências Naturais já está recebendo uma importante doação de material ferroviário para poder aumentar sua visibilidade e informação. Já na Estação de Simplício será possível visitar, no 2º andar, uma pequena exposição ferroviária em um espaço democrático e plural, onde também serão realizadas diferentes exposições ao longo do ano, além de um espaço gourmet para atendimento aos turistas e uma pequena loja com venda de produtos para o turista.

O carro de passageiros para a operação já está pronto, e conta com bancos de passageiros doados pelo DNIT, e que por estar a céu aberto receberá outra cobertura de tinta, isto tão logo a pandemia de COVID-19 e os decretos municipais permitam o retorno seguro ao trabalho. Já a Locomotiva a Vapor nº 51, velha senhora de tantas histórias, está operacional, porém, em razão da quantidade de serviços a serem executados, realizados em sua maioria de forma voluntária, e dos recursos levantados desde o início dos trabalhos, não está totalmente terminada, valendo ressaltar que isto não interfere no início da operação, faltando acabamentos, pinturas e detalhes de alguns equipamentos. Por este motivo não está totalmente terminada, restando a equipe envolvida captar recursos em torno de R$ 60 mil. Ressalta-se que parte desses recursos podem ser inclusive obtidos com o início da operação ou a realização de trens especiais dentro da cidade de Além Paraíba.

Muitas cidades brasileiras adorariam ter a oportunidade de ter um projeto turístico ferroviário e material ferroviário de igual magnitude, inclusive várias propostas chegam a toda hora aos abnegados membros da Regional Porto Novo da ABPF, material que pode inclusive ser transformado em carros de passageiros, lojas, apoio ao turista, espaços culturais, assim como aconteceu aqui em Além Paraíba, razão pela qual a Regional ainda possuir 6 carros para tais ações.

É necessário incentivar, valorizar e fomentar o apoio institucional, privado e público, para colocar o Trem Turístico da Locomotiva a Vapor nº 51 nos trilhos de forma operacional, onde o município poderá ter condições de colher os frutos de um turismo que movimente pessoas e recursos, hoje uma importante fonte de recursos financeiros para todos, e não fazer o contrário.

Entretanto, o que vemos é um descalabro, uma desinformação sobre um projeto que, ao que parece, é invejado pela atual administração municipal por não ter sido idealizado por seus atuais titulares.

Fotos: Arquivos diversos – Reproduções