Prisões de vereadores, ex-vereadores e agentes públicos movimentaram o dia de ontem (04) do município de Carmo

Prejuízo aos cofres públicos carmenses por enquanto é estimado em cerca de R$ 40 milhões.

Paulo César Ladeira, ex-prefeito de Carmo, recebia 10% a título de propina do que a municipalidade carmense pagava ao grupo empresarial. Prejuízo aos cofres públicos carmenses por enquanto é estimado em cerca de R$ 40 milhões. (Foto: reprodução)

Segundo informações da Delegacia de Polícia Civil de Carmo, várias pessoas foram presas ontem (04), por envolvimento em um esquema de fraude em licitações na municipalidade carmense. Trata-se da terceira fase da Operação Chorume, realizada em parceria com Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através do GAECO-RJ (Grupo de Atuação Especial no Combate ao crime Organizado) e a Promotoria de Justiça da Comarca de Carmo, que resultou na prisão de 11 pessoas, sendo quatro vereadores, dois ex-vereadores, três ex-secretários municipais e dois empresários. Nas fases anteriores da operação já foram presos o ex-prefeito César Ladeira e a vereadora Rita Estefânia Gozzi Farsura, a Faninha (está em prisão domiciliar), além de outros empresários.

Estão sendo investigados os crimes de organização criminosa, crimes da lei 8.666/93, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro, em um esquema que envolvia agentes públicos e empresários da área de limpeza urbana que atuavam no município carmense. O esquema criminoso é responsável por um prejuízo estimado até o momento em cerca de R$ 40 miulhões ao erário público, ao que poderão ainda ser somadas outras quantias relacionadas a contrato ainda sob investigação.

De acordo com a investigação da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público, duias empresas, a Limpeza Urbana e a Forte Ambiental, obtiveram  contratos superfaturados de limpeza urbana com o município carmense, durante o período em que Ladeira esteve no cargo (2017/2020), por meio de pagamentos de propina a agentes públicos.

Do Poder Legislativo Carmense estão envolvidos os seguintes vereadores e ex-vereadores: Rita Estefânia Gozzi Farsura (Faninha, que se encontra em prisão domiciliar desde a primeira fase da operação), Romerito José Wermellinger Ribeiro, Juliano de Souza Braga, Valquíria Aparecida de Moraes, Samuel Cássio Cunha (Samuel da Livração), Salvador Carvalho de Oliveira, Wilde Rodrigues Curty e Ana Cláudia Ribeiro Fernandes, todos denunciados por receberem uma espécie de “mesada” de integrantes da organização para não ficalizarem devidamente as despesas relacionadas aos contratos fraudulentos.

Além disso, eles também facilitavam, por meio de recebimento de pagamentos indevidos, a aprovação na Câmara Municipal de matérias de interesse das empresas do grupo, como por exemplo, na sessão legislativa de 14/12/2020, quando os vereadores Faninha, Romerito, Valquíria, Marco Dalboni e Samuel aprovaram a abertura de crédito adicional suplementar com o objetivo de viabilizar pagamentos à Forte Ambiental.

Com isso, a Justiça manteve a prisão domiciliar de Faninha, e decretou a prisão preventiva de Romerito, Samuel, Valquíria, Juliano, Marco e Salvador. Os cinco primeiro, ao serem reeleitos, continuam no exercício do cargo que lhes possibilitou tamanho enriquecimento ilícito; já Marco Antônio Pereira Dalboni e Salvador Carvalho de Oliveira, apesar de não mais ocuparem assentos na Câmara Carmense, integraram por longos anos a organização, tendo a prisão preventiva solicitada para que não usem seu poder de influência para intervir em favor do grupo.

Paralelo ao grupo, existe o núcleo empresarial da organização, formada pelos irmãos Wesley Ferreira Pessanha e Celciomar Ferreira Pessanha, investigados e denunciados juntamente com sua genitora, Selma Ferreira Pessanha, todos presos na segunda fase da operação, que exerciam o comando da organização criminosa. Wesley liderava o grupo, coordenando as atividades dos demais comparsas, relacionadas aos crimes de corrupção, peculato e lavagam de dinheiro por meio da realização de investimentos em criptoativos de difícil rastreio, dentre outras manobras.

Os três atuavam no município desde 2016, com objetivo de obter vantagens espúrias em contratações públicas, quando apoiaram financeiramente a campanha de Paulo Césdar Ladeira, reeleito na eleição daquele ano. Murilo Neves de Moura e José Henrique dos Santos Mendonça desempenhavam fiunções semelhantes na organização, tendo sido, em períodos distintos, sócios minoritários da Forte Ambiental, beneficiada nas fraudes licitatórias.

Já Renan Santos da Silva, que também teve a prisão decretada, e Francisco de Assis Silva de Rezende, funcionavam como “laranjas” do esquema, fornecendo seus dados para que a família Pessanha criasse empresas de fachada que seriam utilizadas para a lavagem de capitrais, assim como para a abertura de contas bancárias  em seus nomes, possibilitando que a organização dissimulasse a localização dos recursos angariados por meio das práticas criminosas.

Por fim, o denunciado Rodolfo Lima Jorge, outro a ter sua prisão decretada, desempenhava o papel de branqueador do produto dos contratos superfaturados operados pelo grupo, uma vez que, em razão de seus conhecimentos como trader e operador de criptoativos, investia os recursos decorrentes dos negócios espúrios, dificultando o rastreio e localização dos valores.

Na condição de prefeito de Carmo e responsável por todas as decisões relacionadas aos contratos do grupo, Paulo César Ladeira era o líder do núcleo que integrava o Poder Executivo Carmense. De acordo com as investigações, Ladeira pactuou o recebimento mensal de 10% a título de propina, em contrapartida à contratação à realização do pagamento das notas dos contratos titularizados pelas empresas pertencentes ao braço empresarial da organização criminosa.

Também envolvidos, estavam: Ronaldo Rocha Ribeiro (ex-secretário de Meio Ambiente), Ozéas de Souza ramos (ex-secretário da Fazenda), Renato da Silva Amarante (ex-secretário de Obras) e Maxsandre dos Prazeres Carrilho, todos com prisão decretada.

Vale ressaltar, estão foragidos Maxsandre dos Prazeres Carrilho, Rodolfo Lima Jorge e Ranan Santos da Silva.

Abaixo, vídeo com a os prisionais sendo conduzidos para o Presídio de Bangu, no Rio de Janeiro…

Fonte: 112ª DP de Carmo