A César o que é de César, aliás, a Davi o que é de Davi

EDITORIAL

Por Flávio Senra (*)

Não temos amizade e nem pretendemos ter com o vereador Davi da Paz, a quem temos fortes restrições de cunho pessoal que, acreditamos, somente ser de nosso mútuo interesse.

Entretanto, ao ler uma nota do atual governo municipal (ou seria des-governo?), que se diz (mas não parece) ser transparente e responsável, somos obrigados a tomar partido do membro da edilidade alemparaibana que passou a ser tratado de mocinho para bandido, como assim insinua com frequência a curriola que segue Miguelzinho e sua turma.

Na nota, levada ao público no site da prefeitura onde, aliás, a maioria população não pode comentar por restrições impostas por quem cuida desta ferramenta que deveria ser literalmente aberta não só para bajuladores baratos, a municipalidade afirma que irá, finalmente, iniciar a obra da Praça do Jardim Paraíso, ressaltando que foi emitida ordem de serviço para uma empresa, Construtora Semge, que ficou em terceiro lugar no processo licitatório para sua execução.

Ressaltou a nota que a empresa vencedora, assim como a que ficou em segundo lugar, desistiu da execução do projeto por entender que o valor a ser pago seria baixo, sendo que parte da construção da praça seria custeada com recursos do próprio município. Ressalta-se, também, que o Governo Federal, leia-se presidente Jair Messias Bolsonaro, aportou substancial recurso financeiro nos cofres da prefeitura para a construção da dita praça, recurso originário de emenda parlamentar do deputado Charles Evangelista no valor de R$ 238 mil, parlamentar ligado ao vereador Davi da Paz, e que tal recurso voltaria para sua origem já que o prazo para o início da obra estava finalizando.

A nota ainda mostra o caráter da atual gestão municipal ao comentar que a praça “será uma conquista do povo, pertencerá a ele e a comunidade alemparaibana, sendo fruto de um compromisso assumido pelo prefeito municipal, não com uma ou outra liderança política que vem insistentemente divulgando vídeos-informações inverídicas”. Na verdade, mesmo que não admita, um vídeo mostra o próprio prefeito Miguelzinho afirmando que aquela obra tinha o dedo do vereador Davi da Paz e que a emenda parlamentar já estava depositada em conta bancária da prefeitura.

Daí, a nossa indagação: onde está a lisura de um governante que num dia fala que azul é verde e em outro dia diz que o mesmo azul é vermelho? Até onde a população alemparaibana continuará sendo enganada por um prefeito que, no nosso entendimento, perde totalmente o respeito para com a mesma população que lhe creditou mais de 11 mil votos na sua reeleição, ao dá uma pernada num vereador que lhe apoiou?

Como dito no início desse nosso bate-papo que tratamos por EDITORIAL, não mantemos qualquer tipo de ligação com o citado vereador Davi da Paz, ao contrário temos restrições de ordem pessoal-particular que aqui não vem ao caso e somente são de nosso mútuo interesse. Entretanto, como homem público que ele é já que foi reeleito vereador com votação significativa junto ao eleitorado alemparaibano, e nós, como editor de um dos mais respeitados veículos de comunicação do município e região, o Jornal Além Parahyba que no próximo ano de 2023 estará comemorando o seu 100º aniversário de fundação, não podemos nos omitir e deixar de levar ao povo alemparaibano o que acreditamos ser mais uma atitude arbitrária, desrespeitosa, covarde e discricionária desse governo municipal que entra para a história alemparaibana como o pior entre os piores, contra o nome de um legítimo representante do povo alemparaibano, no caso o vereador Davi da Paz, que conquistou, através de seu prestígio junto a outro legítimo representante do povo brasileiro-mineiro, no caso do deputado Charles Evangelista, parte substancial de recurso público federal para a conquista de uma importante obra para os moradores do bairro Jardim Paraíso.

A César o que é de César e, no caso da Praça do Jardim Paraíso, a Davi o que é de Davi…

(*) Flávio Senra é o editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993.