sábado, maio 25, 2024
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Com Zema, ato a favor de produtores de leite vira evento contra governo federal

Evento “Minas Grita pelo Leite” criticou medidas do governo federal e contou com presença do governador Romeu Zema (novo) e do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB). Produtores da região de Além Paraíba participaram do evento.

Com a presença do governador Romeu Zema (Novo) e protestos contra o governo Lula (PT), o evento “Minas grita pelo leite” tomou ares de palanque eleitoral. No alvo dos produtores estava a demora do governo federal em adotar medidas para evitar o aumento da importação de leite em pó vindo do Uruguai e da Argentina, que hoje representam quase 9% de toda produção nacional, de acordo com os representantes dos produtores.

O protesto, realizado ontem, segunda-feira (18), no Expominas, em Belo Horizonte, contou com uma plateia recheada de autoridades e algumas dezenas de deputadas estaduais e federais, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB) e o vice-governador Professor Mateus Simões (Novo).

As críticas mais duras partiram do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Antônio de Salvo. “O governo passado não conseguiu desatar nossas mãos ou tirar o peso das costas do produtor, mas abriu nossos olhos. Hoje somos livres e sabemos como as coisas funcionam. Vamos tentar fazer Brasília nos ouvir. Mas se for preciso, vamos fazer eles nos ouvirem de outras formas”, disse enquanto era aplaudido por uma plateia com quase 7 mil produtores rurais, segundo a organização.

A Faemg reclama que o governo federal tem agido de forma lenta para combater o problema e dizem que, se a situação persisitir, existe o risco de desabastecimento, ou seja, vai faltar leite para a população. A entidade alega que os produtores podem sair da atividade e dizem que muitos já estão fazendo o abate de vacas, pois o custo de produção de leite não compensa o investimento.

“São sete anos para uma novilha estar produzindo leite adequadamente. É o investimento alto e elas estão indo para o abate. Não é uma situação que depois a gente consiga resolver rapidamente”, diz.

Ao fim do evento, os presentes assinaram um manifesto e deram início a um cronômetro para marcar quanto tempo o governo federal vai demorar para responder os produtores.

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O governador Zema anunciou que, em Minas Gerais, os laticínios que importarem leite perderão direito ao regime tributário especial, que funciona como incentivo ao setor. “No que couber ao governo mineiro, faremos tudo para auxiliar a população”, garantiu o governador.

Com a medida, os lacticínios que importarem leite em pó de outros países terão que pagar a cota completa de 18% do ICMS. Segundo Romeu Zema, essa é uma forma de combater desigualdades na concorrência, já que em outros países existe incentivo dos governos que possibilitam um preço mais baixo do que o cobrado no Brasil.

Zema ainda fez uma crítica direta à relação do governo federal com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e lembrou de episódios de invasão de terras ocorridos recentemente em Minas Gerais. “Vocês não precisam se preocupar que, em Minas, invasão de terra continua sendo crime e nós não iremos tolerar. Fiquem atentos, porque depois que entra é mais difícil tirar. Mas o governo seguirá com vocês e se a polícia for chamada antes, não permitiremos que entrem”, disse o governador.

A moderação na fala ficou por conta do presidente da Assembleia, deputado Tadeu Martins Leite. Ele declarou apoio à causa dos produtores de leite, mas avisou que o assunto tem que ser tratado de forma técnica e objetiva. “Me chamem para isso, para debater as questões técnicas que interessam à população, com respeito. Falar mal do governador, do presidente, do prefeito, não é o caminho. Esse diálogo em questões que interessam é o que importa”, destacou.

Problema central

O Presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Leite da Faemg, Jônadan Hsuan Min Ma, explicou que a importação de leite começou no governo Jair Bolsonaro (PL) e ganhou força no início do governo Lula. “São inéditos 22 meses de aumento expressivo na importação de leite. Começou em julho de 2022, tendo é cresceu muito rápido. Chegamos ao limite de termos uma importação equivalente a 11% da produção nacional de leite em pó”, destaca.

Ele diz que o governo federal editou em novembro um decreto que buscou diminuir os impactos e retirar incentivos dos lacticínios que importam o leite. Mas diz que a medida pode ser insuficiente. “Tem que saber como vai fiscalizar. Até porque não são só a indústria de leite que importa, mas também os fabricantes de sorvete, os atacadistas, enfim”, diz.

Sindicato Rural de Além Paraíba presente no protesto

Um grupo de produtores rurais de Além Paraíba e sua microrregião, liderado pelo Sindicato Rural, esteve presente ao evento Minas Grita pelo Leite” realizado ontem, segunda-feira (118), em Belo Horizonte. A entidade sindical alemparaibana, que agregou também produtores de Volta Grande, Estrela Dalva e Pirapetinga, teve como parceira a co-irmã de Leopoldina na organização de uma caravana que reuniu produtores daquele município vizinho, além de outros municípios.

Fonte: Jornal O Tempo, por Hermano Chiodi / Jornal Além Parahyba