sábado, maio 25, 2024
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JOÃO BATISTA VIEIRA VIDAL – “Seu” Vidal

Uma das páginas mais importantes da história do centenário distrito alemparaibano de Angustura no decorrer do século XX, João Batista Vieira Vidal, popularmente tratado pelos angusturenses por “Seu” Vidal, nasceu em 22 de abril de 1912, na Fazenda do Bom Destino, localizada no distrito de Providência, no município de Leopoldina (MG). Era o nono dos doze filhos de Sebastião Lutterbach Vidal e Virgínia Vieira Vidal.

Sua história resumiu-se na simplicidade, no carinho e amor dedicado aos familiares e amigos, no caráter ilibado, na inteligência e na devoção a Deus. Aos dezoito anos, no Rio de Janeiro, participou diretamente de uma das mais importantes páginas da história brasileira, a Revolução de 1930, sob o comando do general Mena Barreto. Em 1936, após sofrer um grave acidente na Capital Federal que marcou para sempre uma de suas pernas, foi morar em Angustura, onde foi trabalhar como administrador na fazenda de Avelino Soares Vieira, no plantio de algodão e manejo de gado leiteiro. Naquela fazenda, conheceu e enamorou-se de Maria do Carmo Lima, coincidentemente irmã de seu patrão, casando-se em 04 de abril de 1940. Maria do Carmo, filha de Antônio Gonçalves Lima e Júlia Gonçalves Lima, nasceu em 26 de maio de 1914, era professora e foi diretora da Escola Estadual Barão de São Geraldo, tendo exercido por longos anos, também, o cargo de Inspetora Estadual de Ensino.

“Seu” Vidal, a esposa e a filha Vera Maria. (ano de 1942)

Em outubro de 1941, João Batista Vieira Vidal recebeu um convite do coronel Alencastro Guimarães, diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil, para comandar uma legião de homens na extração de madeira para a fabricação de madeira para o uso em dormentes e carvão vegetal. Mudou-se, então, para Bananal (SP). Em 1945, logo após o término da Segunda Grande Guerra Mundial, foi administrar, em Arapeí, pequeno distrito de Bananal, a Fazenda São Luiz, e, a seguir, as Fazendas Três Barras e Esperança, pertencentes ao Dr. César Pires de Melo, diretor da Cooperativa de Leite do Rio de Janeiro. Em Bananal, nasceram seus três filhos (Vera Maria, casada com Mauro Toledo Fernandes; César Luiz, casado com Martha da Silva Vidal; e Humberto José, casado com Itacira de Oliveira Vidal), e naquele município paulista exerceu os cargos de Juiz de Paz e vereador.

Em fevereiro de 1953, “Seu” Vidal e a família retornaram para Angustura, onde foi eleito Juiz de Paz (de 1954 a 1958) e vereador do município de Além Paraíba (de 1958 a 1962 e de 1963 a 1966). Também foi administrador e professor do Patronato de Menores “Oscar Teixeira Marinho” (de 1957 a 1969); fundou, com sua filha Vera Maria e os amigos José Loyola e Pedro de Freitas, o jornal “A Voz de Angustura”; exerceu o cargo de arquivista do patrimônio da Paróquia de Madre de Deus de Angustura; foi Ministro da Eucaristia e um dos responsáveis pelas obras de restauração da Igreja Matriz da localidade à ocasião das comemorações de seu centenário.

Virgínia Vieira Vidal, mãe de João Batista Vieira Vidal.

Em 1977, já aposentado, João Batista Vieira Vidal começou a dedicar-se à anotação de dados sobre a história de Angustura. O trabalho resultou na edição de um livro, largamente aplaudido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, instituição de que era membro. Seu livro e suas anotações são o mais completo relato da história do centenário distrito alemparaibano.

Em 1985, a tristeza invadiu o coração generoso do historiador e de sua família com o falecimento da neta Valéria, filha de Vera Maria e Mauro Toledo Fernandes. Quatro anos depois, em 02 de dezembro de 1989, a dor aumentou ainda mais com a morte de Maria do Carmo Lima Vidal, companheira amiga e leal dos bons e dos amargos momentos. Em 1993, “Seu” Vidal perdeu, também, a querida e amada filha Vera Maria. Enquanto viveu, o historiador sempre se lembrou com imensa saudade das três, afirmando para familiares e amigos que aquelas perdas arrancaram-lhe parte do coração.

O orgulho pelos filhos César Luiz e Humberto José, este apelidado carinhosamente de “Quinha”, era imenso. Dos filhos, do genro Mauro, das noras Martha e Itacira, e dos netos Mauro, Daniela, Denise, Thaís e Cezinha, sempre se referia com amor e admiração. Sobre Angustura, terra que adotou como natal, sua sinceridade jamais permitiu esconder o carinho; e dos amigos que conquistou na localidade adquiriu respeito e sincera amizade.

João Batista Vieira Vidal e os netos Mauro, Daniella, Cezinha, Denise e Thaís, durante as comemorações de seu 90º aniversário.
Maria Carmem Lima Vidal e os filhos Vera Maria, César Luiz e Humberto José.

Na madrugada do dia 27 de outubro de 2003, Angustura recebeu a triste notícia de que o historiador João Batista Vieira Vidal, aos 92 anos de idade, havia falecido em Niterói (RJ), vítima de infecção hospitalar adquirida aos se submeter a uma intervenção cirúrgica para a colocação de um marca-passo. Por volta das 09 horas da manhã, que estava iluminada com o clarão de um belíssimo sol dourado, seu corpo inerte e frio chegou em terras angusturenses. Como estivessem fazendo reverência ao generoso coração que deixara de bater, a chácara onde morava e foi velado encheu-se com o som de cigarras e pássaros, o que foi definido por alguns amigos que foram lhe dar um último adeus como uma dádiva de Deus.

Às 16 horas, o corpo de João Batista Vieira Vidal deixou o local e seguiu até a Igreja Matriz de Madre de Deus de Angustura, onde foi celebrada uma missa. Literalmente lotada de familiares, amigos e admiradores que foram dedicar um último adeus, o templo foi tomado pela emoção e lágrimas. Terminada a cerimônia religiosa, João Batista Vieira Vidal, o “Seu” Vidal, foi levado até o Campo Santo angusturense, seguido de imenso cortejo, onde foi repousar em definitivo junto de suas queridas Carmem, Vera Lúcia e Valéria.

Fonte: Jornal Além Parahyba, edição nº 349 / Texto de Flávio Senra / Fotos: Acervo familiar.