sábado, maio 25, 2024
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EDITORIAL

Por que desvalorizar tanto o salário do educador?

Por Flávio Senra (*)

Ao verificar o edital de concurso público anunciado dias atrás pela Secretaria Municipal de Educação de Além Paraíba, causou-me espanto o descompromisso não somente da atual administração alemparaibana, mas também das anteriores, com a categoria profissional possuidora da grande responsabilidade que é o EDUCAR os nossos jovens.

Sei que o problema não é somente dos prefeitos, mas também dos governadores e da Presidência da República, bem como dos membros do Poder Legislativo, sejam eles vereadores, deputados estaduais e federais e senadores, e porque também não do Judiciário, em especial os ministros do STF que atualmente vivem a provocar situações em temas que, pela nossa Carta Magna, não seriam de suas competências.

Minha mãe é professora aposentada da rede pública municipal, tenho duas irmãs também professoras, uma aposentada das redes públicas estadual e municipal, tive tias e ainda tenho primas e uma filha professora, sendo que Clarice, com duas faculdades no lombo e um mestrado de excelência na Universidade Federal de Juiz de Fora sobre “Literatura da Língua Portuguesa”, resolveu chutar o balde para o escanteio e atualmente reside em Portugal, de onde não pretende voltar para a boa terra brasilis, onde trabalha numa empresa como uma espécie de gerente de recursos humanos.

Voltando ao assunto, que ora me fez lembrar dos grande mestres e mestras que tiver em toda a minha vida escolar, como as “tias” Lili e Ione na Escola Infantil Chapeuzinho Vermelho, a sempre querida e saudosa dona Odete Santos do Grupo Escolar Salles Marques, meus sempre amados professores e professoras Zoé Antunes, Sylvio Rodrigues Maia, Salvador Vieira de Meneses, Élio Torres, Clinton Motta, Serginho Cerqueira, José Augusto Pinto Ferreira (Zeca), Dona Naná, Zezinho Fortes e outros, e porque também não lembrar dos meus instrutores do extinto Senai 6-1 da Estrada de Ferro Leopoldina – Ubirajara Reinaldo, Vagner Barbosa, Joel de Matos, Miguel “Peneco”, José de Sá, José Ferreira Zóffoli, José Elias de Castro,  Wilson Basílio da Costa e outros que a memória me falha, o que vejo no que tange ao salário oferecido neste edital aos educadores é algo escabroso, isso para não dizer criminoso – R$ 2.597,08 por uma carga horária de pouco mais de 4 horas diárias.

Espero, mesmo sabendo da grande dificuldade que será para quem poderá vir a cuidar do município a partir de 1º de janeiro do próximo ano, que o próximo governante de Além Paraíba repense bastante por este tema tão importante e possa mudar tal situação. Sei que será difícil, ainda mais que vai depender não somente dos recursos financeiros, mas também de quem poderá estar sentado naquelas cadeiras do Legislativo Municipal onde, sabe-se bem, a prioridade na maioria das vezes é o massageio do ego de cada um que lá ocupa espaço.

Finalizando, lamento muito que o chefe maior do município alemparaibano, assim como a titular da Pasta da Educação Municipal, ambos educadores, não tiveram a coragem e sensatez de oferecer um salário mais digno para a classe trabalhadora mais importante de todas as nações deste mundão de Deus.

E não me venham com desculpas esfarrapadas, porque desculpa de peidoreiro é barriga inchada…

(*) Flávio Senra é o editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993