Morreu aos 69 anos o professor Fioravante Bargiona, o Fio

Há 48 anos no quadro de professores do Cave, ele não resistiu às complicações da Covid-19. Inúmeros alemparaibanos foram alunos do professor Fioravante Bargione, o Fio.

O professor Fioravante Bargiona, 69 anos, morreu quinta-feira (8), em Juiz de Fora, em decorrência da Covid-19. Fio, como era conhecido, era professor do Colégio e Curso Cave há 48 anos, onde lecionava física. Ele estava internado há aproximadamente dez dias no Hospital São Vicente de Paulo e, após ser intubado, não resistiu às complicações do coronavírus. O professor deixa um filho. O velório foi realizado no Cemitério Parque da Saudade, nesta sexta, na capela 5, das 7h às 9h.

Fioravante Bargiona foi professor de inúmeros alemparaibanos que estudaram no Colégio e Curso Cave. O Cave compartilhou nas redes sociais um texto escrito pela professora Vanessa Lage em homenagem a Fioravante.

“Estou aqui ouvindo Clube da Esquina. Sempre fui encantada pela ideia da existência de uma esquina que foi berço da força do ato criador dos meninos das Minas Gerais que tocaram meu coração juvenil e moram na minha memória da maturidade. A coisa do encontro de gente gênia que se reúne para cantar, chorar, rir, aprender e sonhar é bonita demais. Penso, hoje, na minha esquina. Minha esquina sempre foi aquela mesa grande do café da manhã. Quantas vezes cantei, chorei, ri, aprendi e sonhei nos quinze minutos do lanche pedagógico com os meus companheiros de estrada nesses vinte anos em que estou a construir – junto com eles – os corredores do Curso Cave.

Compartilhamos muitos sonhos. Dividimos confissões de amores, lágrimas de separações, a compra da casa própria, o carro adquirido com cheiro de novo, as experiências de viagens, as perdas dos nossos pais, as chegadas dos nossos filhos. Construímos versos de uma longa e linda canção. E ELE estava lá no centro da poesia. Há quantos anos? Dizem que há quase cinco décadas ELE estava lá. Tinha sido professor dos pais dos meninos. Era professor dos meninos. Tinha sido professor dos meninos que hoje são nossos diretores. Homem – como todos nós – cheio de sonhos rejuvenescidos na convivência com jovens sonhadores da escola-esquina da nossa vida. Que sorte a DELE ter sido professor. Viveu jovem, como os professores vivem. Que sorte ter sido nosso professor. Vai se eternizar em nossa esquina, para onde sempre voltamos para ensinar e aprender um pouco mais.

Estamos, hoje, com o coração em dor pela despedida. Ainda mais nesse momento. É a primeira vez que compartilhamos a ausência física que se impõe em nosso time. O nome DELE no horário pregado no mural em frente à mesa do café vai ser substituído. A presença DELE com suas histórias permanecerá entre nós quando nos reunirmos. A memória DELE se eternizará nos nossos tablados, quando renovarmos diariamente o compromisso de levar conhecimento aos que estão na busca de realizar também os seus sonhos. Ainda bem que trabalhamos em uma escola. Amanhã haverá aula. Caros alunos, por favor, rejuvenesçam nossos sonhos. Quando voltarmos para a mesa presencial, continuaremos com os nossos versos.

Por hora, silêncio e lágrimas se fazem necessários.

FIO, obrigada. Você faz parte da nossa história. Você faz parte da história do magistério da nossa cidade. A sua docência nos orgulha.

Para você, no dia de hoje, rascunhamos essas linhas. Era para ser um poema? Era para ter acordes de uma canção feita na esquina?

Não sei. Só sei que ela é uma história bonita demais”.

Fonte: Tribuna de Minas