Moradores do Goiabal e Terra do Santo admitem possibilidade de guerra do tráfico que agem nos bairros

Apesar de serem contrários às drogas, moradores recebem ajuda do tráfico sob a forma de medicamentos, exames médicos e laboratoriais, cestas básicas, alimentos especiais para portadores de diabetes e outras doenças, além de outras necessidades básicas que deveriam ser de obrigação das autoridades constituídas.

 O assassinato dos irmãos Ítalo e Victor Rodrigues, ocorrido no anoitecer do último domingo (20), fato lamentável que veio aumentar ainda mais o número de vítimas causadas pela violência em Além Paraíba, em especial no bairro Goiabal com reflexo direto no vizinho bairro Terra do Santo, pode ter como causa um grave problema social que atinge diretamente as citadas localidades, bem como outros bairros periféricos que abrigam grandes núcleos populacionais onde a predominância seja de moradores de baixa renda ou de sub-empregados e desempregados.

Ontem (21), após a repercussão, através da imprensa local (Jornais Além Parahyba e Agora, e Blog do Repórter Adenilson Mendes), do crime que marcou mais uma família alemparaibana, o editor do site ALÉM PARAHYBA, Flavio Senra, recebeu exatos 38 telefonemas de moradores das duas localidades, a maioria de mães preocupadas com seus filhos e familiares, onde além de mostrarem a dor e a preocupação diária, chegaram até mesmo a admitir a possibilidade de uma guerra envolvendo o tráfico de drogas que existe nas duas localidades, numa delas que poderia até mesmo ter envolvimento de traficantes da cidade de Três Rios.

“Não posso e não vou citar nomes, peço a gentileza de não citar meu nome, pois tenho que preservar a minha segurança e de meus familiares”, disse uma moradora do bairro Terra do Santo que ainda salientou não acreditar que as autoridades policiais conseguirão resolver o problema do tráfico. “A polícia para nós de nada serve, pois somente aqui aparece quando a desgraça já aconteceu. E quando chega, esculacha com nossos filhos, nossos maridos, achando que todo mundo é bandido. Aqui tem muita gente de bem, trabalhadora, que não se envolve com drogas, e posso afirmar que essa tal guerra entre o tráfico que existe nos dois bairros é bem possível estar acontecendo já faz bastante tempo”, afirma com indignação a mesma moradora que ainda criticou a prefeitura e os vereadores alemparaibanos. “Na época de eleição eles aqui aparecem igual urubus atrás de carniça, prometendo mundos e fundos. Prometem empregos, remédios, cestas básicas, creche para nossos filhos e netos, e no dia seguinte ao final da eleição desaparecem como ratos quando vê o gato. Que venham até minha casa no ano de vem. Vão ser escorraçados a vassouradas e pontas-pé”, concluiu elogiando a postura, principalmente, dos jornais Além Parahyba e Agora, pela forma com que os veículos de comunicação levaram os fatos ao público após o assassinato dos irmãos Ítalo e Victor.

Outra moradora, esta do bairro Goiabal que como todas as demais solicitaram e têm garantido a preservação de seus nomes no anonimato, teceu críticas pela até hoje não conclusão da creche do Goiabal, bem como teceu comentários sobre distribuição de medicamentos, cestas básicas que quando chegam aos moradores são de forma insuficiente às suas necessidades. “A creche do Goiabal, que inclusive o seu jornal (ALÉM PARAHYBA) noticiou estar quase pronto quando o ex-prefeito Fernando Lúcio saiu da prefeitura, até hoje não ficou pronto. Qual a verdade disso? Ele estava quase pronto ou foi conversa fiada do seu jornal?, indagou a moradora diretamente a Flávio Senra, editor do ALÉM PARAHYBA, que juntamente com Elias Cabral, o apelidado “Repórter Cidadão”, realizou reportagem sobre a creche.

À moradora em questão, antes de darmos seguimento à outras situações que ela indagou, esclarecemos:

Quando o ex-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles concluiu o seu terceiro mandato, em 31 de dezembro de 2016, deixou quase concluída uma creche tipo 1, com capacidade para 376 crianças em dois turnos, ou 188 em período integral. Passados pouco mais de três anos do primeiro mandato do prefeito que o sucedeu, no caso Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, nenhum parafuso foi colocado na obra que estava com quase 95% concluída, muito pelo contrário estava literalmente abandonada, servindo de pasto para cavalos e, ao que parece, sendo usada como local para venda e consumo de drogas já que sequer um vigia lá foi colocado.

Nesta manhã, 22 de junho, foi feito um contato com o titular da Pasta de Obras e Serviços Gerais, engenheiro Plínio Moreira Júnior, que deu a seguinte informação: “1º) O obra é objeto de convênio com o FNDE; 2º) Está com avanço físico de 94,6%; 3º) O FNDE não realiza os repasses desde outubro de 2020; 4º) Nesse momento, a administração está realizando as consultas técnicas  e o estudo de viabilidade para concluir a obra com recursos próprios”.

Daí, acreditamos ter respondido à moradora em questão à sua indagação, inclusive mostrando quem de fato é o responsável pela não conclusão da creche que poderia, desde o seu primeiro mandato, ter terminado a obra, já que seu secretário de Obras afirma textualmente que o FNDE parou de enviar recurso em outubro de 2020. Segundo informações de servidores municipais lotados na referida pasta, algo em torno de R$ 50 mil davam para concluir a creche. Fica então uma pergunta a ser respondida a quem de direito: Quanto custou o Vassourão?

Dando sequência, a moradora em questão falou que a distribuição de medicamentos, cestas básicas e outras necessidades de várias famílias impactadas pelo desemprego, sub-emprego, renda baixa e outros, é alto no Goiabal, bem como na Terra do Santo. “Com essa falta, várias famílias acabam tendo suas necessidades supridas pelo tráfico, que fornece medicamentos, exames de laboratórios e alimentos de alta complexidade para diabéticos e cardiopatas, cestas básicas, pagamento de contas de água e luz, fornecimento de gás, sem contar que acabam oferecendo sub-empregos a jovens que têm seus familiares assistidos, sob a forma de “aviões” – termo usado para definir os vendedores ou atravessadores da droga, disse a moradora que enfatiza ter um filho cumprindo pena por tráfico. “Meu filho tem apenas 20 anos, e está preso porque foi pego pela polícia com supostamente cerca de vinte trouxinhas de maconha. Na verdade, ele afirmou pra mim com os olhos cheios de lágrimas, estava com apenas duas, e levou uns tabefes para confessar quantidade maior”, afirmou a moradora que ainda salientou: “Ele entrou nessa vida porque não conseguia arranjar um emprego. Quando chegava em alguma firma e dizia que morava no Goiabal de imediato era dispensado pelo patrão que dizia que a vaga já tinha sido preenchida. Meu pai era portador de problema no coração e precisava de alguns remédios que a gente não podia comprar, então ele recebeu a proposta para ajudar entregando droga para viciados. Meu pai, seu avô, faleceu recentemente. Tão logo ele seja solto, vou mudar de Além Paraíba com o restante de meus filhos. Meu marido já está fora, trabalhando. Nunca mais quero saber dessa cidade onde nasci e me criei. Eu a detesto”.

Em sua maioria, as pessoas que ligaram para o ALÉM PARAHYBA usaram as mesmas argumentações mostradas anteriormente, e todas, sem exceção, relataram que acreditam na possibilidade de existir um clima de guerra entre o tráfico dos dois bairros. É uma realidade que assusta mesmo não comprovada, pior ainda porque acontece nas barbas das autoridades locais, todas sem exceção – Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícias Militar e Civil e, porque não dizer, organizações civis como Associações de Moradores, igrejas, etc.

É hora de uma tomada de posição destas instituições, se assim elas se consideram ser sérias, desde que não venham com as argumentações demagógicas e superficiais que geralmente costumam apresentam nesses casos. O que Além Paraíba necessita no momento são de decisões fortes, sérias, com objetivos claros e concretos, que viabilizem empregos, segurança, educação e saúde para todos, e não para meia-dúzia…