Prefeito pretende lançar seu irmão candidato à provedoria do Hospital São Salvador

Instituição criada entre o final do século XIX e limiar do século XX com o propósito de salvar vidas e aliviar dores, poderá, mais uma vez, virar palanque político-eleitoral.

O ano de 1895 foi de grande provação para Além Paraíba na área da saúde, marcado pela morte e dor de muitos lares devido a três pandemias que irromperam no município: cólera, febre amarela e varíola.

Naquele mesmo ano, incumbido pelo governo da então província de Minas Gerais, chegou às terras alemparaibanas o médico Dr. Paulo Joaquim da Fonseca, de ascendência negra de Salvador (BA), que logo compreendeu que, pela dificuldade quase insuperável, era materialmente impossível um ataque eficaz a qualquer “morbus epedêmico” sem os meios de defesa naturais e, principalmente, hospitais de isolamento.

Daí, após mandar construir barracões para isolar os doentes, concebeu a idéia de promover a fundação de um hospital que preenchesse inteiramente os seus fins, isto é, que pudesse receber e tratar doentes com dignidade, respeito e igualdade.

Foi um projeto hercúleo, buscando auxílio financeiro junto as famílias mais abastadas e as mais humildes, ganhando incontáveis adeptos e o apoio para iniciar o grande empreendimento iniciado em 02 de julho de 1896. Em 12 de outubro do mesmo ano, foi colocada a primeira pedra do edifício principal.

A obra demorou alguns anos para ser concluída, e, em 02 de novembro de 1902, foi empossada sua primeira diretoria, tendo sido indicado como primeiro provedor e benemérito Luis de Sousa Breves, o Barão de Guararema, que em 1895 havia doado o primeiro donativo para a construção, um total de dez contos de réis.

Em 19 de julho de 1908, com a obra concluída, Dr. Paulo Joaquim da Fonseca mandou publicar um amplo relatório sobre a construção do hospital, onde disse: “Farei desta Casa um reduto de defesa à vossa saúde e dos nossos semelhantes e um templo de Amor ao próximo, onde se pratique a Caridade, essa medicina que emana do Céu para acalmar as dores e suavizar o infortúnio dos desamparados pela sorte, a Caridade que aprendemos nos ensinamentos do Evangelho, a Caridade paciente e benigna, que faz sofrer e esperar, aureolada sempre pela conciliação da Fé”.

Os anos foram passando, bem como os seus provedores, que sempre souberam e fizeram respeitar outra regra ditada por seu criador: o Hospital São Salvador era uma Casa de Caridade do povo, construída pelo povo em favor deste mesmo povo, e os provedores sempre seriam escolhidos pelo povo representados por um Conselho possuidor de membros de todos os segmentos da comunidade alemparaibana.

A alternância no cargo da provedoria sempre foi verificada, e nunca qualquer tipo de imposição política foi aceita, e é certo que muitos provedores tiveram participação política eleitoral em terras alemparaibanas, transformando o nosocômio alemparaibano em palanque eleitoral, o que em algumas ocasiões causou grandes danos ao ideário de seu criador, o emérito Dr. Paulo Joaquim da Fonseca.

Sobre a alternância no cargo da provedoria, sabe-se que esta foi quebrada recentemente por uma ação direta de alguns membros do Conselho da instituição, o que é de sua única e exclusiva competência, que deliberou estender o mandato do atual gestor. Dr. Rafael Graciolli, que com mão de ferro e competência vem conduzindo o leme de um barco que esteve próximo do naufrágio por razões várias que no momento não vem ao caso.

Querem transformar, mais uma vez, o HSS em palanque político-eleitoreiro

Segundo um conhecido profissional da área da comunicação alemparaibana, sempre atento às vantagens que possa receber, vários conselheiros do Hospital São Salvador, certamente ele, querem a candidatura do médico Alexandre Reis de Souza, irmão do atual prefeito de Além Paraíba, Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, que já estaria movendo as peças de seu tabuleiro de xadrez no sentido de beneficiar seu irmão.

Vale ressaltar, ao que parece já existiria até mesmo um movimento dentro da Casa do Legislativo de Além Paraíba, articulado por alguns vereadores, no sentido de desestabilizar a atual provedoria do HSS, e esta mobilização estaria condicionada ao apoio deste segmento da vereança a alguns projetos do Executivo Municipal. E no entendimento de muitos, o que está sendo preparado seria a transformação, mais uma vez, de um palanque político-eleitoreiro junto a instituição, que foi criada para salvar vidas e aliviar dores, como em outras ocasiões e que tantos malefícios trouxeram ao Hospital São Salvador.

Filho do ex-prefeito Miguel Belmiro de Souza, também ex-provedor da instituição criada pelo médico Dr. Paulo Joaquim da Fonseca entre o findar do século XIX e o limiar do século XX, o pretenso candidato à provedoria, o também médico Alexandre Reis de Souza, disputaria o cargo com o atual provedor, Dr. Rafael Graciolli, que estaria concorrendo a mais um mandato de acordo e graças a uma alteração estatutária que liberou reeleições sucessivas, alteração proposta pelo autor da notícia, também conselheiro, que à ocasião acredita-se lhe convinha. Vale ressaltar, pelas regras estatutárias do HSS, o provedor deve prestar contas ao Conselho e convocar eleições até o último dia do mês de março de anos pares.

A bem da verdade o lançamento do nome do médico Alexandre Reis de Souza está mais parecendo uma ingerência política, isto posto já que teria o apoio do Chefe do Executivo Municipal que deveria estar mais preocupado com os inúmeros problemas que ora existem no município, a saber:

·         O alto índice de violência que tomou conta de bairros periféricos, como o Goiabal e a Terra do Santo, resultando somente neste ano de 2021 em cinco assassinatos, totalizando 11 se somados outros seis ocorridos no ano passado;

·         Concluir a Creche do Goiabal, obra que recebeu praticamente concluída quando do início de seu primeiro mandato e hoje, já passados seis meses de sua segunda gestão consecutiva, nenhum prego ou tijolo recebeu;

·         Atender os reclamos de moradores da maioria dos bairros da cidade pela infestação de pernilongos que invadem diariamente seus lares;

·         Cobrar com rigor a empresa Copasa pela Estação de Tratamento de Esgoto, obra que vem sendo empurrada com a barriga faz longos anos, desde a gestão do ex-prefeito Wolney Freitas, e que a estatal cobra da população da população alemparaibana por serviços não prestados;

·         Cumprir com sua promessa eleitoral de mais empregos, já que o índice de desemprego atinge cerca de 40% da mão de obra existente no município; entre outros…