Maior apreensão de drogas da história de Minas ocorre em Juiz de Fora

Ação entre Polícia Civil e Polícia Rodoviária Federal resultou na apreensão de mais de 8 toneladas de maconha

Caminhão transportava carga de energéticos, e a maconha foi encontrada em um fundo falso (Foto: Marcos Araújo)

Cerca de 8,7 toneladas de maconha foram apreendidas em Juiz de Fora, durante ação integrada entre as polícias Civil e Rodoviária Federal nesta sexta-feira (19). O montante, segundo as duas corporações, representa a maior apreensão de drogas da história de Minas Gerais e está avaliado em R$ 19 milhões. A informação foi divulgada neste sábado (20), em coletiva à imprensa, realizada na sede de Delegacia Regional de Juiz de Fora, em Santa Terezinha. Durante a operação, os policiais prenderam seis pessoas, com idades entre 23 e 37 anos, e apreenderam três veículos que faziam a escolta das carretas, que transportavam a droga. Todos foram presos pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico e encaminhados ao sistema prisional da cidade. As pessoas detidas são: dois homens e uma mulher de Juiz de Fora, dois homens do Paraná e um do Paraguai.
O farto material foi localizado no interior de dois caminhões, no Bairro Barreira do Triunfo, na Zona Norte do município. Os veículos foram abordados pelos policiais, após uma suspeita de utilização de placas clonadas. Durante a fiscalização da primeira carreta baú, carregada com carne de porco, os policiais acharam mais de 5,5 toneladas de maconha, escondidas no meio da carga. Ao fiscalizarem a segunda carreta, carregada com bebidas energéticas, os policiais localizaram também, aproximadamente, 3 toneladas de maconha escondidas em um compartimento secreto dentro da carroceria.
Após a pesagem, foi constatado que os veículos de carga transportavam 8.764 quilos de maconha. A droga apreendida, que saiu do estado do Paraná com destino a Juiz de Fora, se comercializada, poderia render aproximadamente R$ 19 milhões aos traficantes.

Outro caminhão transportava carne de porco e escondia 5,5 toneladas de maconha (Foto: Polícia Rodoviária Federal)

Diminuição da criminalidade

O delegado regional, Armando Avólio Neto, ressaltou que essa apreensão é a terceira de grande monta realizada em Juiz de Fora. “A primeira foi em 2019, com três toneladas e mais 35 armas de fogo. A segunda foi neste primeiro semestre, também com apoio da PRF, quando conseguimos retirar de circulação 4 toneladas e algumas armas de fogo. Agora, essa maior apreensão do estado e uma das maiores do Brasil, com quase 9 toneladas, totalizando 16 toneladas que conseguimos retirar de circulação”, afirmou. Segundo ele, a consequência desse trabalho “é causar prejuízo financeiro nas organizações criminosas, além de diminuir a criminalidade e o consumo de drogas na nossa região”. O delegado regional ainda parabenizou a Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal pelo trabalho e o Grupo Bahamas que prestou apoio na logística da ação policial.
A delegada Camila Miller, que participou ativamente da operação, contou como os policiais chegaram ao carregamento de maconha. “Na noite anterior, tivemos informação de que duas carretas estariam circulando pela proximidade da cidade com suspeição de serem clonadas. Iniciamos a vigilância e conseguimos apreender essa quantidade grande de drogas.”
Segundo ela, a carreta que estava com a quantidade maior de drogas foi descoberta dentro de um galpão de propriedade da suspeita, de 37 anos. O local seria usado para fazer manutenção de caminhões e era o mesmo onde foi realizada, anteriormente, uma operação com apreensão de quatro toneladas. Em relação à carga de carne, sem nota fiscal, a delegada explicou que o órgão responsável foi acionado e fará a destinação adequada ao produto. Já a carga de energético seria entregue na região central de Juiz de Fora, conforme a nota fiscal. “A droga será incinerada, posteriormente, com autorização judicial”, afirmou.O conteúdo continua após o anúncio

Junie Penna, da PRF, e os delegados Armando Avolio e Camila Miller durante a entrevista coletiva (Foto: Marcos Araújo)

Tráfico internacional

Como próximos passos da investigação, a delegada ressaltou que ainda há muitas diligências para serem realizadas. Camila disse que a possibilidade de tráfico internacional poderá ser apurada, uma vez que um dos presos é natural do Paraguai. Sobre o destino e a distribuição da droga, ela afirmou que ainda serão investigados. “A maioria dos presos ficou em silêncio. Apenas a dona do galpão e um dos motoristas falaram, mas são informações sigilosas e importantes para o trabalho que vem a seguir.”
De acordo com o policial federal rodoviário Junie Penna, do Setor de Comunicação Social da PRF, entre bens e drogas, a ação policial resultou em uma apreensão de mais de R$ 21 milhões. “Após a apreensão, nos deslocamos para o Centro de Distribuição do Bahamas e lá seus colaboradores nos auxiliaram na logística, pois trata-se de uma quantidade enorme de drogas e precisávamos desse apoio”, destacou.

Trabalho realizado no pátio do Bahamas

Todo o material recolhido foi encaminhado para o pátio do Centro de Distribuições do Bahamas, às margens da BR-040, para a realização dos procedimentos necessários. Em nota oficial, divulgada na sexta, o Bahamas divulgou que “em relação à carga apreendida pela Polícia Civil em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, nesta sexta-feira, na BR-040, o Grupo Bahamas informa que não há relação alguma com nenhum de seus fornecedores”. Segundo a nota, para prestar apoio à operação policial, “o Grupo apenas cedeu espaço na estrutura do Centro de Distribuições para que as autoridades estacionassem e realizassem os procedimentos pertinentes de forma reservada, sem que houvesse a necessidade de qualquer transtorno ao fluxo de veículos na rodovia”.
O Bahamas também ressaltou que “neste momento, é importante que todos prezem o respeito e evitem o compartilhamento de informações falsas ou precipitadas. Reiteramos, aqui, nosso compromisso com a transparência das informações e total colaboração com a polícia para que esta execute seu trabalho”.

fonte: https://tribunademinas.com.br/