Prefeitura realiza intervenção Hospital São Salvador por período de seis meses, destitui a diretoria e nomeia interventor para a Instituição

Ao findar à tarde de hoje, sexta-feira (07), uma situação inusitada nunca vista nos anais da história alemparaibana ocorreu, digna de total despropósito e politicamente oportunista, para não afirmar criminosa, foi capitaneada pelo prefeito Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, que decretou interdição do Hospital São Salvador por seis meses, destituiu sua diretoria e nomeou seu chefe de Gabinete, José Roberto Monteiro Faria. No decreto, Miguelzinho alegou que este surge em razão do mandado de busca e apreensão ocorrida na manhã de hoje, pelo Ministério Público de Minas Gerais e outros órgãos, ocasião que culminou no lavramento de um termo de adequação a padrões que foram solicitados, bem como a apreensão de duas agendas médicas. Vale ressaltar, a decreto foi lavrado a termo junto o Juízo de plantão, ou seja, ao findar dos trabalhos forenses que somente reabram na próxima segunda-feira.

Nada do que está inserido no decreto diz respeito à ação movida pelo MPMG nesta manhã, que versou somente sobre tratamento inadequado conferido aos pacientes suspeitos ou com quadro confirmados de Covid-19. Tal motivação, o de tratamento a pacientes durante a pandemia, inclusive foi alvo recente, mês de dezembro, de reportagem deste veículo de comunicação, onde foi citado que, nas dependências do HSS, até os primeiros dez dias de dezembro do ano passado, o total de casos confirmados no município alemparaibano ultrapassou a 3,8 mil, com 163 óbitos registrados. No HSS, ressaltou a reportagem, estiveram internados 1.164 pacientes, muitos de outros municípios tanto vizinhos quanto outros distantes do nosso, com um total, infelizmente, de 139 óbitos, ou seja: 1.030 pacientes puderam voltar para casa, junto a seus entes queridos.

Outro registro na reportagem foi de que, dos 167 colaboradores do Hospital São Salvador, 89 foram contaminados pelo Covid-19, com um óbito – a sempre dedicada e saudosa enfermeira Ieda Maria Gomes, falecida em 1º de agosto de 2020. Também citado, o médico Dr. Rafael Gracioli, que estava à frente da equipe de combate à pandemia dentro do HSS, na ocasião sofrera um acidente na BR-393, que resultou em fratura de sua perna, e que mesmo assim ele continuou, dias depois, a atender os pacientes com Covid-19.

Chama a atenção o fato da legitimidade do prefeito intervir em algo que não pertence à municipalidade, como o é o Hospital São Salvador, uma entidade que foi construída e fundada em 1908, com recursos financeiros originários de doações do povo alemparaibano, possuidor de um Conselho Deliberativo com poderes para eleger e destituir aqueles que escolhe para dirigir e prover. Acredita-se que o prefeito teve por finalidade tomar o HSS nas mãos para tirar proveito político, já que inclusive não tem medidos forças para destituir o atual provedor e encaixar seu irmão como titular da provedoria.

No momento em que fechamos esta notícia, 22 horas, a entrada do HSS está literalmente congestionada de curiosos, inclusive atrapalhando a chegada de pacientes. Em seu interior encontra-se o provedor da instituição, Dr. Rafael Gracioli, e a diretora administrativa, Bethania de Souza, acompanhados de seus advogados, bem como representantes do prefeito, seus advogados, policiais militares e civis, e outros.

Amanhã (sábado, dia 08), na parte da tarde, segundo a Ascom PMAP, a prefeitura publicará uma nota detalhada de esclarecimento sobre a necessidade da medida tomada e prestando eventuais maiores esclarecimentos pertinentes. Já nas redes sociais, algumas indagações começaram a pipocar, entre tantas uma chamou a atenção ao fazer o seguinte comentário: “Será que se o ministério público, resolver dá uma passadinha na prefeitura de além vai encontrar algumas irregularidades” (copiado na íntegra)…