Além Paraíba vive o obscurantismo apelidado de Miguelzinho

EDITORIAL

Por Flávio Senra (*)

Desde que foi alçado a ser dono de seu próprio nariz transformando-se em município, Além Paraíba sempre foi comandada por Homens com “H” maiúsculo que sempre tiveram por meta cuidar dos interesses do povo e não de seus próprios egos. Assim foi desde Joaquim Luiz de Souza Breves, que governou o município de 1882 até 1892, até Fernando Lúcio Ferreira Donzeles, que comandou os interesses do povo alemparaibanos de 2013 a 2016. Foram 39 prefeitos, alguns com mandatos dignos de serem sempre levados como exemplos, como o do saudoso Elias Fadel Sahione, outros de menor destaque, e um que agora entra para a nossa história para ser sempre lembrado como nefasto, intolerante, absolutista, egocêntrico, ditatorial e outros adjetivos que mostram o quanto o povo se arrepende que lhe ter confiado o voto.

Estamos falando do atual governante, Miguel Belmiro de Souza Júnior, tratado pela população como Miguelzinho, que joga na lama o nome de seu pai, o médico Miguel Belmiro de Souza, prefeito entre os anos de 1997 e 2000, várias vezes provedor do nosso Hospital São Salvador, que certamente deve estar dando voltas em sua última morada devido os atos covardes que seu filho vem promovendo contra a vontade do povo desde que foi empossado.

Cercado de um grupo de bajuladores que apóiam várias de suas lambanças administrativas, algumas que foram até alvo de uma CPI promovida na Câmara Municipal no ano, parece de 2017, até hoje engavetada junto ao Ministério Público não se sabe por qual motivo, Miguelzinho é nos dias de hoje a figura mais comentada nas ruas alemparaibanas. Comentada não por algo que trouxe benefício para a população, mas por um ato de grande covardia promovida contra uma instituição – Hospital São Salvador – que nos dois últimos anos foi responsável por estar a frente da segunda maior crise de saúde vivenciada no município, aliás, em todo o mundo – a Covid-19. A primeira, vale a pena relembrar, foi vivida no final do século XIX – varíola, febre amarela e tifo, combatida pelo médico Dr. Paulo Joaquim da Fonseca, que acabou idealizando e construído o Hospital São Salvador e ainda foi escolhido para ser o terceiro prefeito do município (1895 a 1898).

Miguelzinho, no afã de se perpetuar no comando maior de Além Paraíba, não tem medido forças para conquistar e aumentar o seu poder em terras alemparaibanas. Ainda recentemente, teria até afirmado justamente à uma pessoa de grande proximidade ao seu dia-a-dia, nada mais que sua irmã, a enfermeira Bethânia Reis de Souza, que com seu irmão, o médico Dr. Alexandre Reis de Souza, no comando da provedoria do Hospital São Salvador, ela à frente da Secretaria Municipal de Saúde e ele como prefeito, eles seriam imbatíveis e se perpetuariam por décadas à frente do comando do município. Bethânia, uma mulher independente e de caráter forte e ilibado, não teria concordado com tal absurdo, retrucando que não apoiaria tal atitude déspota e que, devido ao excelente trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo então provedor do Hospital São Salvador, Dr. Rafael Gracioli, em especial nesse período da pandemia de Covid-19, não aceitou tal proposta, tendo sido exonerada de seu cargo de Secretária Municipal da Saúde de Além Paraíba. Vale ressaltar, a exoneração ocorreu de forma estranha e porque não dizer covarde, isto porque aconteceu num final de semana, com Bethânia sendo informada através de rede social na madrugada de uma segunda-feira. Vale ressaltar, enquanto provedor do HSS, Dr. Rafel Gracili transformou literalmente o Hospital São Salvador, hoje com um exemplo para ser copiado por outras instituições do gênero em toda região.

Semana passada, o Hospital São Salvador recebeu a visita do Ministério Público de Minas Gerais devido uma denúncia esdrúxula promovida nos primeiros meses da pandemia do coronavírus, por volta de abril/maio de 2020. Atendendo os visitantes, Dr. Rafael Gracioli entregou duas agendas e a planilha de plantão médico da UTI da instituição que fora solicitada e, como provedor da instituição, assinou um termo de adequação a padrões que foi apresentado pelos representantes do MP.

Tudo parecia que voltara a normalidade até que, ao início da noite, o Hospital São Salvador foi invadido por ordem o prefeito Miguelzinho que, através de um decreto municipal que apresentava o aval do Juízo de plantão (o Judiciário está de recesso), promovia a intervenção da instituição alemparaibana por um período de 180 dias, bem como destituía do cargo de provedor o médico Dr. Rafael Gracioli e sua equipe, no caso a própria irmã de Miguelzinho, e enfermeira Bethânia Reis de Souza, então atuando como diretora-administrativa. Em seu decreto, Miguelzinho nomeava seu chefe de gabinete como interventor.

A repercussão pelas ruas da cidade foi imediata, como a maioria da população tecendo críticas ao absurdo ora cometido e em apoio ao médico que sempre esteve à frente da equipe de combate à pandemia de Covid-19. Vale ressaltar, o Hospital São Salvador não pertence à municipalidade alemparaibana, pois se trata de uma instituição privada, de caráter jurídico, sem fins lucrativos e com um Conselho formado por pessoas idôneas do município com poderes para eleger e destituir o provedor.

Miguelzinho, como se fosse Hugo Chavez e Nicolas Maduro (Venezuela), Fidel Castro (Cuba) ou Kim Jong-um (Coréia do Norte), não respeitou a instituição e a tomou de mão grande e pela força como se ela fosse de sua propriedade, desrespeitando assim todas as leis e, porque não dizer, o povo alemparaibano que é o legítimo dono do Hospital São Salvador. Miguelzinho mostra o ser caráter, tomado pela prepotência, egocentrismo, ditatorial, autoritário e outros adjetivos que não valem a pena aqui citar, todos voltados a se perpetuar no poder em terras alemparaibanas.

Agora resta esperar, e acredita-se que algo está sendo feito pelos advogados que defendem o bem e não o mal, já acionados e preparando documentação a ser apresentada ainda hoje ao juízo de plantão e, caso necessário, até a instância superior. Que Deus os ilumine e nos livre do obscurantismo que ora Além Paraíba vive e se chama Miguelzinho…

(*) Flávio Senra é diretor-editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993.

Fonte: Jornal Além Parahyba, edição 1153