Xô Miguelzinho!

EDITORIAL

Na manhã de ontem, 05 de fevereiro, recebi um telefonema de minha irmã relatando que Dona Fizinha, uma amiga de décadas de minha mãe, as duas com 97 anos, falecera no Hospital São Salvador vítima do terrível Coronavírus. O choque foi tremendo, isto porque seus filhos (Maurício, já falecido, Fatinha e Zezé) foram meus amigos e de meus irmãos desde tenra infância, crescendo juntos nas imediações do Grupo Escolar Salles Marques, hoje uma escola pertencente à rede municipal.

Uma tristeza ainda maior foi ficar na dúvida se tia Fizinha, assim eu a tratava carinhosamente, recebera o tratamento que tantos alemparaibanos tiveram quando infectados pela mortal doença, na época recente em que uma equipe liderada pelo ex-provedor do Hospital São Salvador. Dr. Rafael Boubee Gracioli, cuidava desse tipo de paciente.

Infelizmente, ao que parece “tia” Fizinha não teve essa sorte! Ficou dias e dias internada em isolamento, sem poder utilizar a Unidade de Terapia Intensiva do HSS, devidamente equipada para esse tipo de atendimento, que foi lacrada pela Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal de Além Paraíba quando da intervenção decretada pelo prefeito Miguelzinho, isto em 07 de janeiro último.

Ontem mesmo, nas primeiras horas manhã, uma das poucas amigas de minha mãe ainda vivas, afinal “mi mama” tem 97 anos, não teve a oportunidade de receber sequer seus filhos e netos em sua despedida final. Foi sepultada após ser literalmente enfiada dentro de um saco isolante e acondicionada dentro de uma urna, sepultada junto de seu esposo, o sempre saudoso “Seu” Moacyr do Cartório, seu filho Maurício e sua mãe, dona Raquel.

Ontem fez 29 dias dessa espúria intervenção, uma barbárie cometida por um governante que brada aos quatro ventos que a instituição deve mais de R$ 8 milhões e que vai resolver esse problema. Um problema que seu próprio pai, ex-prefeito e ex-provedor do HSS, ajudou a ficar deste tamanho, isto porque como outros provedores nunca pagou a conta de luz, água e outras dívidas recorrentes do funcionamento da instituição. Um absurdo já que o HSS não pertence à municipalidade, isto porque é uma instituição jurídica, dotada de um Conselho formado de membros da comunidade alemparaibana que tem poderes para escolher e destituir seu provedor, membros de sua diretoria e até mesmo conselheiros que porventura venham, como diz no popular, “pisar na bola”.

Recentemente, já fazem uns dez dias, ao ser indagado pelo repórter Reinaldo Tavares (Rádio CPN) sobre o lacre na UTI, o prefeito respondeu que no dia 1º de fevereiro aquela unidade estaria liberada. Hoje, dia 06 de fevereiro, o que testemunhamos é uma mentira deslavada, isto porque até o início desta manhã de domingo, dia 06, o lacre mesmo que simbólico está valendo.

Senhor prefeito, que anteontem (04/fevº) aniversariou, por que tamanha gana em querer para si o Hospital São Salvador se sequer estás conseguindo manter em um funcionamento decente seus postos de saúde, a maioria verdadeiras “pocilgas”? Por que essa ganância, se não consegues tapar os buracos das ruas, ofecerer medicamentos para a população mais carente, botar a Copasa na parede como tantos outros prefeitos mineiros fizeram? De onde tiraste tamanha empáfia e desrespeito pelo próximo? Quem são esses assessores que ao invés de ter dar uma boa orientação para ter seu nome imortalizado ao menos como um prefeito mediano, o leva somente para um buraco cada vez mais fundo? Até quando você vai entender que seu irmão, que tanto queres que seja eleito provedor do HSS, tem que ter o nome aceito pelo Egrégio Conselho, onde o senhor tem apenas um voto? Foste eleito para dois mandatos consecutivos, com boa margem de votos na frente de seus concorrentes, tanto que até pouco tempo atrás passeavas e exercitavas em uma bike dando voltas pela cidade. Hoje, senhor prefeito, o convido a dar uma volta com a mesma bike pelas ruas da cidade, sem comitiva ou bajuladores, onde certamente verás o quanto aqueles que o elegeram agora o defenestram em último grau.

Finalizando, senhor prefeito, ou vossa excelência se assim quiseres, juntamente com sua equipe de “baba-ovos”, na minha modesta opinião passaste a ser o responsável pelo óbito por Covid-19 da senhora Marfiza Marques Ferreira, 97 anos, a dona Fizinha, para mim e outros mais a “tia” Fizinha.

XÔ MIGUELZINHO!

(Flávio Senra é o editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993)