Subiu para 120 o número de mortos da tragédia de Petrópolis – 116 pessoas estão desaparecidas

Um histórico de tragédias, em especial o ano de 1988, marca Petrópolis e região.

Um grupo de pessoas resgata o corpo de uma vítima dos deslizamentos de terra em Petrópolis. Foto AFP

O total de mortos na tragédia de Petrópolis alcançou 120, é o que mostrou o relatório de Defesa Civil de Estado do Rio de Janeiro no início da manhã desta sexta-feira (18). O número de desaparecidos chegou a 116 e pode subir, segundo dados da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). “Os agentes da especializada seguem percorrendo os pontos de apoio e abrigos da cidade para preencher formulários e confeccionar as formalidades necessárias. Os dados estão sendo cruzados com a relação do IML”, diz nota da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Segundo informações da Defesa Civil, áreas da comunidade 24 de Maio, Rua Teresa e Quitandinha precisaram ser interditadas na tarde de ontem devido ao mau tempo que atingiu a região novamente. A evacuação preventiva foi adotada pelos agentes, que identificaram ocorrências de rolamento de blocos rochosos e forte volume de chuva.

Também houve o fechamento das ruas Washington Luiz e Coronel Veiga em função de inundações e intercorrências por conta da chuva, que, em uma hora, registrou 60.54 milímetros. Além disso, o temporal dificultou as operações de busca na região e as equipes de resgate tiveram que interromper temporariamente as ações. Agentes da Defesa Civil, no entanto, seguem de plantão.

Até o momento, 849 pessoas estão desabrigadas e permanecem acolhidas em pontos de apoio abertos em escolas da rede pública de educação. Nessas estruturas, a população recebe todo o suporte das equipes de Assistência Social, além do acompanhamento de profissionais de Saúde, Educação e Agentes Comunitários. Os agentes atuam em conjunto com o 15º Grupamento do Corpo de Bombeiros. Equipes da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis e Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes também atuam por toda a cidade.

A Secretaria Estadual de Defesa Civil informou que 24 pessoas foram resgatadas com vida, e 705 pessoas foram encaminhadas para os 33 postos de apoio montados na cidade, em igrejas e escolas da rede pública municipal.

As aulas estão suspensas e as escolas da rede pública se tornaram pontos de apoio e atendimento às famílias por profissionais da Assistência Social, Saúde, Educação e Agentes Comunitários. Segundo a Prefeitura, 848 pessoas já foram atendidas nesses locais.

Estado libera R$ 30 milhões

Até o momento, o governador Cláudio Castro sancionou duas leis que beneficiarão diretamente Petrópolis. Publicada no Diário Oficial, a lei 9.562/22 autoriza o repasse de R$ 30 milhões do Fundo Especial da Alerj (Assembleia Legislativa do RJ) à prefeitura. Já a lei 9.563/22 prorroga os calendários de pagamentos de IPVA e ICMS na cidade para o segundo semestre deste ano. As normas são de autoria do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), e demais deputados. Em relação à mudança do calendário de pagamento de impostos, a medida vale para os municípios que tenham decretado calamidade pública decorrente de desastres naturais, que é o caso de Petrópolis.

Para esta sexta-feira é esperada a visita do presidente Jair Bolsonaro, que retornou de uma viagem à Rússia e Hungria. O presidente estará acompanhado de ministros e outras autoridades. (Detalhes desta visita serão apresentados mais tarde).

Mortes superam tragédia de 2011

O número de mortes em Petrópolis ultrapassou o registrado em 2011: há 11 anos, a cidade teve 73 óbitos em função das chuvas. A tragédia atingiu toda a Região Serrana, que contabilizou 918 mortes, 426 delas só no município de Nova Friburgo. Para o CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o incidente de 2011 foi a maior catástrofe climática do país. No entanto, não foi o evento que mais deixou vítimas em Petrópolis: segundo a prefeitura, as chuvas de 1988 deixaram 134 mortos.

Histórico de tragédias

A história da Região Serrana Fluminense, em especial a de Petrópolis, é marcada por episódios marcantes de tragédias envolvendo temporais.

Em fevereiro de 1988, por exemplo, após cair duas trombas d’água, seguidas de dias ininterruptos de chuva, 134 pessoas morreram em deslizamentos de terra, desabamentos ou levadas pelas águas da enchente em Petrópolis. Bairros inteiros estiveram sob ameaça de desabamento. Comunidades e casas em áreas risco ficaram vulneráveis.

O cenário era de destruição e luto: Pessoas desaparecidas, centenas de desabrigados, corpos encontrados e não identificados.

Na época, o prefeito Paulo Rattes, decretou estado de calamidade pública em todo o município, e o secretário estadual de Transportes, Josef Barat, chegou a cogitar um plano de evacuação da cidade. Entretanto, o plano não chegou a ser executado.

Fontes: Defesa Civil de Petrópolis / IstoÉ / G1 / O Globo / Folha de São Paulo