“Quem é do morro, sai do morro, mas o morro não sai dele; se minha família for envolvida, vai ter revide”

Com clareza prefeito Miguelzinho tece ameaças ao ex-prefeito, ao provedor afastado do HSS e ao editor do Jornal Além Parahyba

Semana passada, quarta-feira (06), vários alemparaibanos tomaram conhecimento de uma mensagem publicada pelo ex-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles onde foi relatado um encontro que ele tivera com o atual prefeito de Além Paraíba. A mensagem se espalhou como fogo de morro acima, e seu teor mostrou com clareza o tom ameaçador de Miguelzinho não somente ao ex-prefeito, mas também ao provedor afastado do Hospital São Salvador, o médico Dr. Rafael Gracioli, e o editor do ALÉM PARAHYBA, Flávio Senra.
Uma vez que a mensagem virilizou, e como uma forma de defesa a qualquer ato intempestivo que possa surgir, nada mais justo do que mostrar todo o seu teor ao público leitor deste veículo de comunicação bem como a toda população de Além Paraíba, deixando claro que caso algo venho ocorrer ao editor deste veículo de comunicação, será mais um crime contra aqueles que têm por profissão o noticiar fatos que ocorrem mundo afora. Abaixo o teor da mensagem de Fernando Lúcio Ferreira Donzeles, ex-prefeito de Além Paraíba, enviada pelo whatsapp no dia 08 de abril, sexta-feira:
“Na última 4ª feira, ocasionalmente, encontrei o Prefeito Miguel: eu saia da Unimed e ele da loja de bicicletas, defronte. Nos cumprimentamos e ele se mostrava ressentido com os inúmeros comentários sobre irregularidades no seu governo.
Reclamou que eu e o ‘meu grupo’ estávamos municiando o Flávio Senra para as denúncias. Neguei isto e lhe disse que aquele Jornalista não precisa ser insuflado. O Prefeito disse que sua Mãe, d. Marisa, teria sido também denunciada e que o mesmo ocorrera com sua esposa, Graciele.
Neguei qualquer participação minha ou de pessoas ligadas a mim (com meu conhecimento) nas informações dadas ai Jornal, lembrando-lhe que a situação do Hospital lhe havia aumentado o número de inimigos. Tudo sem que as vozes fossem alteradas.
Para finalizar a conversa o Prefeito disse: ‘quem é do morro, sai do morro, mas o morro não sai dele; se minha família for envolvida, vai ter revide’. Nos despedimos e só…”

Além Paraíba de hoje

Além Paraíba vive, com toda certeza, o pior momento de sua história. O município já viveu outras crises, como as que resultaram no fechamento de várias de suas indústrias, como as de tecidos e papel, das oficinas da Rede Ferroviária Federal, de grandes empresas como a Perácio Exportadora de Café, da Emil e, mais recente, o encerramento das atividades da Cooperativa dos Produtores de Leite, sem contar órgãos públicos de âmbito federal como o INSS e a Receita Federal e o fechamento de inúmeros empreendimentos da área comercial que atendiam toda a região.
Numa rápida avaliação do decrescimento das terras alemparaibanas, a última grande empresa a se instalar no município foi a Guabi, isto por ocasião em que era prefeito o sempre saudoso Elias Fadel Sahione, reconhecido como o melhor administrador municipal dos últimos 50 anos, acima dos demais anos-luz, um homem de caráter ilibado, de visão futurística e uma honestidade incomum nos homens públicos.
Para não dizer que nada aconteceu de bom nos últimos anos, alguns empresários aqui aportaram, ampliaram seus negócios, geram empregos, só que, infelizmente, mesmo com todas as energias que possam ter são incapazes que cobrir as incontáveis perdas que o município sofreu ao longo de décadas.
Os tempos atuais são bicudos. O desemprego é altíssimo, a violência toma conta de todos os recantos do município, a infraestrutura da cidade é caótica e, para piorar, o desgoverno é dos mais sofríveis de toda a sua história e da região.
As ruas da cidade parecem com o solo lunar tamanho a quantidade de crateras que destroem veículos de toda espécie, trazendo grandes prejuízos aos seus proprietários. As estradas que ligam a zona rural, todas sem exceção, estão abandonadas, o que prejudica ainda mais o escoamento da produção. A população paga um preço altíssimo com a falta de energia com que a atual administração trata a empresa concessionária de tratamento e distribuição de água potável que, para piorar ainda mais, cobra um absurdo de grande parte da população por um serviço que não presta – o tratamento do esgoto domiciliar, algo em torno de 74% do que cobra pela água potável que fornece aos moradores e comerciantes.
E já que foi citada a administração municipal, esta já é considerada como a mais sofrível de todos os tempos do município, onde prevalece o puxa-saquismo, as perseguições e ameaças veladas a quem dela discorda ou combate de frente.

Denúncias e denúncias

Até os dias de hoje, desde que iniciou seu segundo mandato, uma série de irregularidades foram denunciadas ao Ministério Público de Minas Gerais através da Ouvidoria do órgão e, é o que parece, outras irão acontecer. Entre as várias que surgiram, estão as suspeitas de manipulação em licitações envolvendo recursos do Fundeb onde foram adquiridos materiais diversos que de borrachas escolares e molduras de janelas, caibros, portas, material esportivo, isto no período em que as aulas e atividades esportivas estavam suspensas devido a pandemia de Covid-19. Recentemente, devido estas denúncias, até mesmo a visita da Polícia Civil à sede da Secretaria Municipal de Educação aconteceu.
Outras denúncias envolvendo licitações sugerem superfaturamento em várias obras, como a construção de três escadas de concreto que custaram pouco mais de R$ 275 mil – uma escada custou R$ 100 mil, outra R$ 105 mil, e uma terceira alto em torno de R$ 72 mil. Ainda envolvendo superfaturamento, estão obras realizadas (???) em vias públicas, como a Ladeira Dr. Paulo Joaquim da Fonseca, mais conhecida como a subida para o Hospital São Salvador, uma obra que ninguém sabe e ninguém viu ser realizada na atual gestão municipal. Vale ressaltar, como citado anteriormente, a maioria dessas denúncias foram realizadas junto a Ouvidoria do Ministério Público de Minas Gerais, tendo como denunciante o médico Dr. Rafael Gracioli, todas tendo inúmeros documentos em anexo.
Segundo informações oferecidas pelo ex-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles, nos próximos dias outra denúncia envolvendo irregularidades financeiras da atual gestão municipal também serão efetivadas junto ao Ministério Público de Minas Gerais. Segundo Fernando, o material que será exposto ao MP comprova que a municipalidade alemparaibana está tomada por um mar de lama.
Enquanto tudo isso acontece, ao invés de tentar arrumar a bagunça em que se encontra o município, aquele que deveria tomar as rédeas nas mãos e levá-lo até um local mais seguro que possa beneficiar o já tão sofrido povo alemparaibano, num gesto típico de ditadores prefere lançar ameaças àqueles que apresentam os erros que vem sendo cometidos quase que diariamente.

Aguardemos o desenrolar dos fatos…