Crimes ocorridos em Além Paraíba entre 2020 e 2022 até hoje sem uma solução

Rede Social cobra das autoridades policiais por um posicionamento – quem matou e por quê?

Onze assassinatos foram registrados durante a pandemia em Além Paraíba. Segundo informações das autoridades policiais, eles continuam trabalhando para que seja capturado o responsável (ou responsáveis) por estes assassinatos que aconteceram em no município, sendo que a maioria deles estaria ligado à disputa pelo comando do tráfico de drogas na cidade.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020, foram registradas pela polícia local onze mortes, todas elas com armas de fogo. O mais recente aconteceu na manhã 03 de julho do ano passado, por volta das 10 horas, na Rua Carolina Maria, no bairro Vila Caxias.

Segundo registrado pelos policiais militares, a vítima seria o motorista Rodrigo da Silva Rezende, de 33 anos, que foi encontrado estendido em via pública com vários tiros de arma de fogo em seu rosto e no tórax. Esse crime, assim como os demais sem solução, ainda é investigado pela Polícia Civil de Além Paraíba, que tem como principal linha da investigação é sua ligação com o tráfico de drogas.

São onze assassinatos violentos computados em Além Paraíba, no período, a maioria ocorrida ou teria ligação com o bairro Goiabal, onde se afirma haver uma “guerra” entre facções criminosas. “O tráfico de drogas em Além Paraíba está se ‘profissionalizando’ e os territórios são alvos de disputa entre membros do CV- Comando Vermelho e do TCP- Terceiro Comando Puro, ambas as facções criminosas espalhadas por todo o país”, é a afirmativa existente por toda cidade.

Essa disputa em nível local vem produzindo até listas de nomes marcados para morrer, conforme compartilhamentos nos aplicativos de mensagem. As ameaças (inclusive em áudios dirigidos ao foragido da justiça “Wagninho”, que seria o chefe do tráfico de drogas no Goiabal), foram comuns durante certo período, hoje sem mais comentários na rede social onde por certo período foram a tônica em vários grupos de whasapp.

A população de Além Paraíba nunca se viu tão desprotegida, diante dessa rotina de crimes sem solução. O município tem pouco mais de 35 mil habitantes e sua antiga tranquilidade foi literalmente substituída pela sensação de insegurança e medo, sem que haja uma resposta das autoridades (no âmbito dos três poderes constituídos) apontando um caminho para a solução do grave problema de segurança pública.

Confiram, abaixo, os nomes das vítimas fatais dos crimes que têm abalado Além Paraíba no período iniciado em 10 de março de 2020:

– Geison Benedito Libânio, 22 anos, 10 de março de 2020, bairro Matadouro;

– Bruno Teodoro Rosa (“Dirréia”), 27 anos – 21 de junho de 2020, bairro Goiabal;

– José Matias Soares, 71 anos – 12 de setembro 2020, bairro Goiabal;

– Mateus Teodoro Rosa Soares, 20 anos – 12 de setembro 2020, bairro Goiabal;

– Luciano Rodrigues de Freitas – 10 de março, no bairro Goiabal;

– Paulizim – 18 de março, na localidade de Angustura;

– João Pedro Fernandes, 21 anos – 28 de março de 2020;

– Guilherme José da Silva – 30 de maio, em São José;

– Ítalo Rodrigues (“Tulu”), 17 anos– 20 de junho, proximidades da Terra do Santo;

– Victor Rodrigues (“Zaqueu”), 25 anos – 20 de junho, proximidades da Terra do Santo;

-Rodrigo Rezende, 33 anos – 03 de julho, Rua Carolina Maria, na Vila Caxias.

Não bastassem esses assassinatos, dois desaparecimentos foram registrados também no período, o último do morador no bairro do Morro da Conceição, onde sumiu como fumaça no ar o alemparaibano Alexandre Costa, 45 anos, mais conhecido por Jack.

Segundo familiares de Jack, este teria desaparecido no dia 05 de abril, sendo que ele teria sido visto pela última vez ao final do expediente de seu trabalho, uma obra que está sendo realizada na Ilha do Lazareto, proximidades de um grande supermercado. Quando seus familiares deram por seu desaparecimento foi iniciado pela cidade a notícia do fato, e até hoje ele não apareceu. O desaparecimento de Alexandre foi registrado e noticiado no site www.pessoasdesaparecidas.org e pelo Instituto Mércia Nakashima. O Instituto Mércia Nakashima é uma organização sem fins lucrativos com o foco no enfrentamento à violência contra mulher, ao feminicídio e aos relacionamentos abusivos. Mas, paralelamente, eles publicam desaparecimento de pessoas, caso do alemparaibano Alexandre Costa, o “Jack”, que é casado e tem cinco filhos. Familiares ainda registraram uma ocorrência policial – BO 2022- 014816070 – 001.

Desaparecido desde o dia 17 de agosto de 2021, ocasião em que moradores do bairro Terra do Santo ficaram sobressaltados com vários disparos, até da data de hoje, 30 de maio de 2022, Renato de Oliveira Silva, conhecido por “Negão”, não foi encontrado.

À ocasião, a Polícia Militar esteve no local onde foi constatada a existência de manchas de sangue no chão, porém não sendo encontrando um corpo. De posse do Boletim de Ocorrência emitido pelas autoridades policiais militares, a Polícia Civil deu início à investigação do ocorrido, tendo descoberto algumas situações que resultaram na prisão de uma pessoa suspeita de estar envolvida ao fato. Segundo informações oficiosas, no automóvel do detido foram encontradas manchas de sangue que foi constatado ser humano. O material foi colhido e enviado para a Polícia Técnica, em Belo Horizonte, onde estão sendo realizados testes de DNA.

Passado algum tempo, em conversa informal com uma autoridade policial civil alemparaibana, esta revelou que o suspeito detido teria sido libertado já que passara o prazo de 30 dias de sua detenção provisória, valendo ressaltar que este a todo instante afirmou não ter envolvimento com o desaparecimento, possível assassinato, de Renato de Oliveira Silva.

À ocasião, para a Polícia Civil o caso poderia ser elucidado em poucos dias caso o sangue enviado para o teste de DNA fosse comprovado ser do desaparecido. O ALÉM PARAHYBA não recebeu, até hoje, qualquer informação sobre o teste de DNA.