segunda-feira, abril 15, 2024
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Angustura vive do descaso e de promessas não cumpridas do atual governo municipal de Além Paraíba

O trecho do calçamento iniciado nas proximidades da Semana de Angustura, até agora inacabado.

Não é de hoje que o distrito de Angustura, o único de Além Paraíba que no início do século passado chegou até mesmo abrigar a sede da municipalidade, vive do descaso e de promessas não cumpridas pelos governantes alemparaibanos. Sai prefeito e entra prefeito, a população angusturense vive o total abandono já de longa data, e segundo afirmativas de seus moradores mais antigos apenas três merecem registro de terem cumprido o que prometeram: Elias Fadel Sahione, Fernando Lúcio Ferreira Donzeles e Sérgio Ribeiro, sendo o primeiro o merecedor do destaque maior. Os demais, infelizmente, pouco ou quase nada fizeram pela melhoria das condições de vida daquela comunidade.

Eleito por duas vezes consecutivas, agora em seu segundo mandato, o prefeito Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, é certamente o mais criticado pelos angusturenses por inúmeras razões, em especial pela inércia provocada por seus representantes locais que pouco ou nada produzem de fato em benefício da localidade, o que pode ser comprovado a olhos nus por todos que lá residem ou visitam.

Quando assumiu seu primeiro mandato, o atual prefeito prometeu mundos e fundos, sendo que o calçamento de toda extensão da estrada que liga o povoado à BR-116, algo em pouco mais de sete quilômetros, seria realizado. Passaram-se os quatro anos de seu primeiro mandato e nada foi feito, promessa renovada de que na sua segunda governança aquela importante via seria calçada de ponta a ponta com total qualidade.

A obra foi enfim iniciada, sendo que parte da comunidade produtora local até mesmo auxiliou com recursos próprios, o que durou pouco tempo. Hoje, após quase dois anos e meio deste segundo mandato de Miguelzinho, o trecho calçado não chega a 1,5 quilômetros, valendo ressaltar que crateras são verificadas por toda extensão do que foi realizado. Segundo informações oficiosas, dificilmente a obra será reiniciada.

Não bastassem os problemas diários que acontecem na terra natal do maior jurista brasileiro, o advogado Nelson Hungria, reconhecido mundialmente por incontáveis jurisprudências até hoje aclamadas pelo Judiciário brasileiro e mundial, Angustura tem graves problemas relacionados à segurança pública, no atendimento do único posto de saúde apesar de todo esforço desprendido por suas funcionárias, na coleta de lixo e na manutenção das estradas vicinais que servem a classe produtora, entre outras situações consideradas como grotescas como a omissão na fiscalização do trabalho diário de alguns servidores municipais, como o que foi constatado recentemente durante reunião ordinária da Câmara Municipal, ocasião em que foi denunciado que um colaborador da municipalidade estava há vários meses sem cumprir sua tarefa diária recebendo sem trabalhar. O fato foi registrado durante reunião do Legislativo Municipal que contou inclusive com a presença do procurador do município, advogado Fernando Ferreira, sendo que tal situação poderia resultar até mesmo em demissão sumária com a obrigação de devolução de salários recebidos sem que o trabalho fosse realizado, bem como em punição por improbidade administrativa pela parte que abonou as ausências do colaborador por meses e meses seguidos. Na reunião da edilidade, o colaborador confessou que ficou grande sem trabalhar e recebendo seus salários como se tivesse cumprido com suas obrigações.

Sobre as estradas vicinais, a que liga a vila até a BR-116 em certas ocasiões, maioria das vezes, sua condição é pífia, repleta de crateras e com o mato tomando conta de parte de sua pista. A outra não menos importante, que liga Angustura ao povoado de Fernando Lobo (BR-393), na atualidade é a pior possível – buracos tomam conta da maioria de seu trajeto, algo em torno de dez quilômetros, sem contar o matagal que pode causar sérios acidentes entre os veículos que nela trafegam. Sobre as outras estradas vicinais que ligam a sede distrital às inúmeras propriedades rurais, o mesmo pode ser repetido – inexiste um cuidado em mantê-las em boas condições, principalmente nos períodos chuvosos.

Dentro da vila duas outras situações merecem ser mencionadas que, infelizmente, mostram a inércia administrativa que toma conta do dia-a-dia angusturense. A primeira diz respeito à Capela existente na parte interna do Cemitério Municipal, uma obra de restauração iniciada ainda no primeiro mandato do prefeito Miguelzinho. A obra, pequena por sinal, anda a passos de tartaruga, e na atualidade está parada com parte de seu telhado todo engradado, mas sem a devida cobertura. Já a segunda, tão necessária como a primeira, diz respeito às condições em que se encontra a Capela Mortuária, algo digno das maiores críticas pelo péssimo estado de conservação. Atualmente, já é observado na vida cotidiana do povo angusturense, quando do falecimento de um ente querido os familiares preferem que o velório seja realizado em suas próprias residências.

A Capela existente no interior do Cemitério Municipal de Angustura teve sua restauração iniciada no primeiro mandato o atual prefeito. Até a data de ontem, 1º de maio, a obra está paralisada.

Em meados do mês de abril, atendendo o cumprimento de Lei Municipal que instituiu a Semana de Angustura quando se comemora a data de aniversário do distrito, foi realizada na localidade, pela Câmara Municipal, reunião ordinária que contou com a presença da maioria da edilidade alemparaibana, bem como com a presença do advogado Fernando Silva Ferreira, procurador do município, representando o prefeito Miguelzinho. Naquela semana, um verdadeiro mutirão foi realizado pelos servidores municipais na tentativa de melhorar um pouco a imagem da localidade. Uma limpeza nem sempre vista no dia-a-dia angusturense foi realizada em todos os recantos da vila, bem como uma geral foi efetivada em toda a extensão da estrada que liga a sede do distrito até a BR-116 – somente não houve tempo e condições de recuperar as crateras que fazem parte da estrada que recebeu calçamento.

A Capela Mortuária de Angustura necessita de reparos urgentes devido as péssimas condições em que se encontra.

Outra situação presenciada e testemunhada quando da realização da reunião do legislativo foi o calçamento de um pequeno trecho da estrada que segue em direção ao povoado de Fernando Lobo. O trecho a receber calçamento era de menos de cem metros, indo até a entrada da Capela Mortuária. Em poucos dias, menos de uma semana, a metade do trecho recebeu um calçamento digno de elogios. Entretanto, tão logo chegaram a seu final as comemorações da Semana de Angustura, o calçamento sem mais nem menos foi paralisado e até a data de ontem, segunda-feira (01), foi reiniciada. Vale ressaltar, os bloquetes a serem utilizados para a conclusão do trecho do calçamento estão jogados ao léu, na margem da estrada.

Não bastassem as tantas situações que comprovam o descaso da municipalidade com a boa terra angusturense, talvez a situação mais grave que lá vem ocorrendo seja a que se relata a seguir: a construção, com recursos na ordem de R$ 1.669.840,20 (hum milhão, seiscentos e sessenta e nove mil, oitocentos e quarenta reais e vinte centavos), de uma unidade escolar da rede municipal de Educação que servirá, também, como creche para atender as mães que necessitam deixar seus filhos para poderem trabalhar. O terreno para a construção da unidade foi doado para a municipalidade por herdeiros do saudoso produtor rural Gastão Rodrigues Ferreira, e até hoje a obra não foi iniciada. Vale ressaltar, o início da obra, assim consta de uma placa fincada pela municipalidade no local, estava prevista para o dia 07 de julho do ano passado, com o término previsto para o dia 06 de julho deste ano, o que certamente não ocorrerá. Na placa consta como contratada a empresa JMR Engenharia e Serviços Técnicos Ltda., sendo que, segundo informações oficiosas, mantém um funcionário com carteira assinada para manter o local em condições de iniciar a obra. O local é protegido por um tapume, atualmente bastante danificado pela ação do tempo.

À boca miúda, é comentado junto à comunidade que o prefeito irá dar início à obra brevemente, e que esta deverá ficar pronta em meados do próximo ano, no limiar das eleições municipais, servindo como apoio indireto aos candidatos a prefeito e vice que forem indicados por Miguelzinho e seus seguidores.

A placa com dados sobre a obra de construção de uma unidade da rede municipal de Educação mostra que ela estaria pronta dentro de pouco mais de dois meses.