Obra do novo fórum de Além Paraíba provoca discussões e críticas à municipalidade junto a população e Rede Social

No local foi iniciada a construção de uma Unidade Básica de Saúde, com um gasto de cerca de R$ 100 mil, dinheiro que “o prefeito rasgou”, afirmou a analista judiciária Juliana Donzeles. Onde foi parar o relógio de sol que existia na praça que foi destruída para abrigar o novo fórum de Além Paraíba? Secretário de Obras diz que relógio foi preservado, promete enviar foto comprovando sua preservação, mas foto até agora não chegou?

Uma portentosa obra teve início dias atrás na Ilha do Lazareto, entre o Terminal Rodoviário “Jácomo Donzeles” e o Quartel da 52ª Cia. de Polícia Militar, em terreno doado pela atual administração municipal ao Governo de Minas, para uso do Tribunal de Justiça – novo fórum de Além Paraíba.

A área, doada através da Lei Municipal nº 3567, de 30 de maio de 2018, possui mais de 3,2 mil metros quadrados, e seu valor foi calculado em R$ 2,6 milhões, conforme laudo emitido por uma comissão de avaliação nomeada pela municipalidade, o que segundo especialistas é bem aquém do que realmente vale.

À ocasião da doação do terreno, quando de sua votação na Câmara Municipal, dois vereadores tentaram contestar a forma da doação, no caso os vereadores Dione e Zico, isto porque, segundo afirmativa dos mesmos, “é proibida a doação ou venda de qualquer fração de parque, praças, jardins ou largos públicos, salvo a concessão de uso de pequenos espaços destinados à comercialização de jornais, revistas, refrigerantes, sorvetes, sanduíches e similares”. Entretanto, a maioria dos vereadores, inclusive o presidente da Casa do Legislativo Municipal e aqueles que formam a sua base parlamentar, teriam votado a favor da doação. Vale ainda ressaltar que o terreno, cujo valor estimado atualmente é de mais de R$ 5 milhões, à época da lavratura e sanção da lei foi doado sem nada em troca por parte do órgão favorecido, afirmou o vereador Dione Miranda.

Obra é contestada por parte da população

A advogada e analista judiciária Juliana Villela Donzeles Barros contestou a obra do novo fórum em Rede Social apresentando vários motivos. Suas críticas repercutiram na Rede Social.

Inúmeras foram as críticas e contestações sobre a obra iniciada na Ilha do Lazareto que abrigará um novo prédio para o fórum alemparaibano, considerada como absurda.

Entre tantas contestações e críticas, uma chamou grande atenção da maioria daqueles que acompanham o dia-a-dia do município através das Rede Sociais (facebook, whatssap, blogs e sites de jornais). Trata-se da postagem da advogada alemparaibana, servidora pública estadual no vizinho estado do Rio de Janeiro, com o cargo de analista judiciária no Poder Judiciário Fluminense, Juliana Villela Donzeles Barros, filha do ex-prefeito Fernando Lúcio Ferreira Donzeles.

Em seu relato, a alemparaibana enfatizou que tinha conhecimento da doação, mas não tinha idéia da sua proporção, como a inclusão de parte do estacionamento do Terminal Rodoviário “Jácomo Donzeles”, parte de uma praça e de uma rua inteira, o que é em sua opinião, e de muitos cidadãos que externaram suas opiniões também na rede social, um grande absurdo.

Outra situação observada por Juliana Donzeles foi a de que, naquele local, onde funcionou por vários anos a Unidade de Integração da empresa concessionária de transporte público no município e que havia sido retomado durante a administração de seu pai, foi iniciada uma obra para a construção de uma unidade Básica de Saúde, sendo gastos cerca de R$ 100 mil. “O atual prefeito entendeu que não valia a pena construir uma Unidade Básica de Saúde e rasgou R$ 100 mil”, afirmou. “Digo rasgou porque ele destruiu uma obra que estava em construção”, concluiu a advogada.

Para Juliana, o prefeito atual de Além Paraíba não destruiu somente uma obra já iniciada, ele também doou, por meio de uma lei, um terreno de vultoso valor, onde estão inclusos espaços que são literalmente proibidas de comercialização, no caso vias públicas, que não podem ser vendidas. “Um município somente pode doar ou comercializar bem móvel ou imóvel que seja desafetado de interesse público. Praças e ruas não são imóveis desafetados de interesse público”, salientou. Juliana Donzeles ainda teceu críticas à doação que não teve qualquer contrapartida oferecida ao município.

Quando de sua publicação na Rede Social, Juliana Donzeles ressaltou que algumas pessoas poderão dizer que a obra irá trazer progresso para Além Paraíba, o que contestou afirmando que a prestação jurisdicional já existe no município. “Já existe o Fórum Nelson Hungria”, salientou. Para ela, a obra somente servirá para ampliar o estacionamento para os veículos dos usuários do Judiciário, e ampliação das salas dos servidores forenses.

Onde foi parar o Relógio de Sol?

Semana passada, ao passar diante da área onde vai ser construído o novo fórum, o editor do ALÉM PARAHYBA, Flávio Senra, testemunhou o serviço de terraplanagem que está sendo realizado no local, tendo constatado que um importante marco cultural existente teria sido destruído pela ação das máquinas. Trata-se de um Relógio de Sol, doado para a municipalidade pelo Observatório Nacional do Rio de Janeiro, através do Observatório Monoceros.

A praça e rua destruídas. Ao centro, diante do Quartel da Polícia Militar, o Relógio de Sol que ao que tudo indica foi destruído pelos executores da obra.
O Relógio de Sol que, é o que até então parece, foi destruído na preparação do terreno.

Indagados de onde estaria o dito relógio, os responsáveis pelos serviços que estavam no local foram passando um a um para que viesse uma resposta. Ao final, o último respondeu que o Relógio de Sol estava com sua estrutura comprometida e que a responsabilidade daquele serviço de terraplanagem e o desmanche do Relógio seria da Secretaria Municipal de Obras, o que, após um contato junto ao titular da pasta, Plínio José Mendes Moreira Filho, foi constatado ser uma inverdade já que a execução de todos os trabalhos naquele local é de uma empresa contratada pelo Governo Estadual. Segundo o secretário Plínio José, realmente a base do Relógio de Sol estava comprometida, e que o mesmo estava de posse na secretaria que iria restaurá-lo para, a seguir, ser fincado em outro local. O secretário ainda prometeu enviar ao ALÉM PARAHYBA imagens do Relógio para comprovar que o mesmo não foi destruído, o que não aconteceu até o presente momento. Onde está o Relógio de Sol? Afinal, está guardado para reforma ou foi destruído?

O que é um Relógio de Sol – O Relógio de Sol é um instrumento que mede a passagem do tempo pela observação da posição do Sol. Os tipos mais comuns, são os “Relógios de Sol de Jardim”, que são formados por uma superfície plana que serve como mostrador, onde estão marcadas as linhas que indicam as horas, e com um pino ou placa, cuja sombra projetada sobre o mostrador funciona como um ponteiro de horas em um relógio comum. À medida que a posição do Sol muda, a sombra desloca-se pela superfície do mostrador, passando sucessivamente pelas linhas que indicam as horas. Também existem relógios de Sol mais complexos, com mostradores inclinados e/ou curvos. Os relógios de Sol normalmente mostram a hora solar aparente, mas, com pequenas mudanças, também podem indicar a hora padrão, que é a hora do fuso horário em que o relógio está geograficamente localizado.

O que é um Relógio de Sol – Desde os tempos remotos os homens egípcios e babilônicos, ao observar o Sol, perceberam que este provocava a sombra dos objetos. Ao fazer estas observações notaram que ao longo do dia o tamanho destas sombras variavam. O homem primitivo, primeiramente, usou sua própria sombra para estimar as horas (sombras moventes). Logo depois viu que podia, através de uma vareta fincada no chão na posição vertical, fazer estas mesmas estimativas. Estava criado o pai de todos os relógios de Sol, o famoso Gnômon. Ao amanhecer a sombra estará bem longa, ao meio dia estará no seu tamanho mínimo e ao entardecer volta a alongar-se novamente.

Motivos para construir um relógio de Sol nos dias atuais – O Relógio de Sol serve, nos dias de hoje, como objeto de decoração e curiosidade, em jardins, parques e praças, por exemplo. Também pode ser usado com finalidade educacional, gerando interesse por astronomia entre jovens e adultos, em escolas, museus e outros locais públicos.

Para efetivamente consultar as horas, em locais externos onde normalmente as pessoas não estão utilizando relógios de pulso, como na praia, em canchas de esporte e em piscinas, por exemplo.

Abaixo, o vídeo de Juliana Donzeles.