Envolvidos no assassinato do padre Antônio Gabriel ao que parece continuam sem julgamento do bárbaro crime que cometeram

Na Rede Social, a sociedade cobra uma ação mais diligente e efetiva do Poder Judiciário, bem como informações sobre o que foi feito até o momento, um ano e meio após o assassinato do religioso.

Um ano e seis meses o assassinato do padre Antônio José Gabriel, ocorrido em maio do ano passado, os envolvidos no bárbaro crime que abalou toda região, em especial os municípios de Santo Antônio do Aventureiro e Além Paraíba, ao que parece continuam aguardando julgamento, o que mostra, mais uma vez, a morosidade do Poder Judiciário em todo o Brasil.

Diante de poucas, para não dizer nenhuma, informações sobre o julgamente dos suspeitos do brutal assassinato, na Rede Social começaram a surgir cobranças sobre o crime, se o julgamento já ocorreu e, caso tenha ocorrido, qual foi o seu resultado.

À ocasião com 70 anos, natural da cidade de Juiz de Fora e proprietário de um sítio no município de Maripá de Minas, onde residia, Antônio José Gabriel era pároco na cidade de Santo Antônio do Aventureiro, onde foi dado como desaparecido e visto pela última vez na tarde do dia 17 de maio do ano passado, no distrito aventureirense de São Domingos.

Após intenso rastreamento por toda região, com relatos despropositados e errôneos da rede social que foram literalmente peneirados, o veículo do padre, um Toyota Étios, acabou sendo localizado pela Polícia Militar na cidade de Pirapetinga. Segundo os policiais, o veículo foi encontrado por meio do rastreamento do celular de Antônio Gabriel, que estava de posse com o indivíduo que o conduzia. Abordado, o suspeito acabou sendo preso, isso por ter relatado que havia comprado o automóvel, mas não sabia oferecer detalhes sobre o vendedor. Ao mesmo tempo, na cidade de Recreio, outro suspeito foi localizado e preso. Ambos foram encaminhados para a Delegacia Regional de Polícia Civil de Leopoldina, onde foram interrogados.

Durante o interrogatório, um dos detidos, de nome Alexandre Silva Oliveira, então com 21 anos, que estava residindo em Pirapetinga, acabou confessando que havia estrangulado e matado o padre, levando todo o seu dinheiro, documentos e pertences da vítima. Parte do dinheiro, afirmou o criminoso, foi gasto na aquisição de drogas, ao mesmo tempo em que deu detalhes sobre a localização do corpo da vítima. O outro suspeito, Oséas Dias Coelho, na ocasião com 20 anos, foi autuado e indiciado por receptação. Ambos foram conduzidos ao sistema prisional, permanecendo à disposição da Justiça.

Comoção

O caso provocou grande comoção, em razão de sua brutalidade, sendo repercutido em diversos sites de notícia da região, uma vez que o padre Antônio José Gabriel era muito querido nas comunidades em que atuava. A Diocese de Leopoldina, a qual o pároco estava ligado, publicou em seu endereço eletrônico uma nota de pesar, comunicando sobre o falecimento do padre, classificando sua morte como uma situação trágica e violenta. “O passamento, decorrente de situação trágica e violenta, está sendo investigado pelas autoridades competentes. Roguemos ao Senhor da vida, para que em sua infinita misericórdia receba o Padre Gabriel e console a todos os seus familiares, paroquianos e amigos, que choramos a sua perda”, dizia o texto.

O bispo da diocese de Leopoldina, Dom Edson Oriolo, também emitiu uma nota de condolências pela morte do pároco, dirigindo-se ao clero, religiosos, familiares da vítima e ao povo. No texto, ele, que era recém-empossado na diocese e não teve convivência a vítima, disse que sentia grande consternação pela morte repentina e violenta de Antônio Gabriel. “Solidarizo-me com a família, o Povo de Deus de Santo Antônio do Aventureiro e todos os seus muitos amigos. Muito particularmente, manifesto meus sentimentos aos padres da diocese, irmãos e amigos do Padre Gabriel, e que se angustiam com essa notícia tão cruel”, afirmou.

Atuação

Padre Antônio José Gabriel foi ordenado padre da Diocese de Leopoldina, em 21 de abril de 1994, na Igreja Santa Rita de Cássia, em Além Paraíba. Recentemente havia celebrado 26 anos de vida sacerdotal. Possuía mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (Puc/RJ) e doutorado em Teologia pela mesma Instituição.

Ele trabalhou muitos anos na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), como professor, secretário e posteriormente chefe do Departamento de Ciência da Religião. Foi Reitor do Seminário Maior Nossa Senhora de Guadalupe durante muitos anos, contribuindo para a formação de inúmeros presbíteros da diocese. Foi também pároco na Paróquia Mãe de Deus, em Angustura, Distrito de Além Paraíba, e, por muitos anos, padre na Paróquia de Santo Antônio, em Santo Antônio do Aventureiro.