Minas Gerais já vive pico de contágio pela Ômicron, diz Governo

Estado segue na onda verde e mantém retorno das aulas presenciais para 7 de fevereiro.

Secretário Fábio Baccheretti fez uma avaliação do atual momento da pandemia no estado (Foto: Gil Leonardi / Imprensa MG)

O governador Romeu Zema (Novo) e o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, fizeram uma avaliação do atual momento da pandemia em Minas Gerais. Em entrevista coletiva concedida ontem, quinta-feira (27), eles alertaram que o pico de contágio pela nova variante, a Ômicron, deve acontecer entre esta e a próxima semana. Independentemente do cenário de preocupação, o Zema e o secretário ressaltaram que será mantida a onda verde dos protocolos estaduais de enfrentamento à crise sanitária. Da mesma forma, o retorno das aulas presenciais da rede estadual de educação segue agendado para o próximo dia 7 de fevereiro.

“Estamos em um momento especialmente delicado, devido à explosão no número de casos da pandemia. A variante Ômicron, apesar de não levar a sintomas graves, tem se mostrado com potencial de contágio extremamente agressivo, fazendo com que diversas instituições, inclusive do Estado e do setor produtivo, passem a ter dificuldades de operar devido ao número de pessoas afastadas”, avaliou Zema.

Já o secretário de Estado de Saúde pontuou que, nos últimos dias, as cidades mineiras vêm batendo sucessivos recordes de casos de pessoas infectadas pela nova variante. “Entre essa e a semana que vem é a previsão do nosso pico. Diante disso, há o aumento de casos em 24 horas. Batemos o recorde ontem. Hoje, mais uma vez, acima de 30 mil casos em 24 horas, com 55 óbitos. Estamos aumentando bastante a incidência, mas ainda sem aumentar na mesma proporção os óbitos.”

De cada dez mil infectados, uma vai para o CTI

Baccheretti ressaltou, no entanto, que o atual perfil da pandemia é diferente do que foi visto nos piores momentos da crise sanitária iniciada ainda em março de 2020, uma vez que a curva de crescimento do número de casos confirmados de Covid-19 cresce de uma maneira muito mais acentuada que a traçada pelo número de óbitos em decorrência da doença provocada pelo coronavírus. “A incidência de casos é algo diferente e muito maior do que nós vivenciamos no pior momento do ano passado, entre março e abril, na onda roxa. Mas, quando a gente olha os óbitos, é completamente desproporcional em relação à incidência de casos.”

Para detalhar a avaliação, o secretário exemplifica que na penúltima semana, o estado computou 1.820 pessoas internadas com síndrome respiratória aguda grave, o que inclui várias doenças, entre elas, a Covid-19. “Quando a gente olha para março do ano passado, na semana com maior número de internações, foram 9.370 pessoas internadas. Então, apesar de termos uma incidência três vezes maior nesse mesmo período, nós estamos observando que a internação é muito inferior à observada no ano passado.”

Para o secretário, o menor índice de internações e também de óbitos, observados na comparação com o ano passado, comprova a eficácia da vacinação contra a Covid-19. “Isso mostra como a vacinação é eficaz diante de uma variante menos grave. Apesar de a gente ter uma incidência muito alta, a gente tem uma menor pressão sobre os leitos de CTI. Mas ela (a variante) ainda gera internação. Então, temos que tomar cuidado”, avalia.

Para exemplificar os efeitos da vacinação no atual momento da pandemia, Baccheretti apresentou números que mostram que, no auge da pandemia em 2021, entre março e abril, de cada cem pessoas infectadas pelo coronavírus, três acabavam internadas em unidades de terapia intensiva. “Hoje, a cada cem pessoas que pegam a doença, 0,09% interna. É como se a cada dez mil pessoas infectadas, uma vai para o CTI. É um dado muito menor do que nós vivenciamos ano passado.”

35% de ocupação

Fábio Baccheretti faz ainda outro comparativo. Enquanto, na última semana, Minas computou 87 óbitos em decorrência da Covid-19, no pior momento do mês de março do ano passado, foram registradas 2.777 mortes pela doença em uma mesma semana. Segundo o secretário, no momento, menos de 35% das UTIs estão ocupadas no estado. “Temos 96 pacientes aguardando leitos de UTI. É uma fotografia, uma vez que eles estão sendo internados durante o dia. Mas, chegamos a mais de 800 pessoas aguardando por leitos de UTI na época da onda roxa.

Fonte: Tribuna de Minas / Por Renato Sales