domingo, julho 14, 2024
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Lula torrou R$ 70 milhões com viagens ao exterior: hospedagem nos EUA custou R$ 7,5 milhões

(*) Por Lúcio Vaz

As viagens internacionais do presidente Lula em 2023 custaram pelo menos R$ 70 milhões. Só a hospedagem em Nova Iorque, para participar da Assembleia Geral da Nações Unidas custou R$ 7,7 milhões. O presidente e comitiva ficaram no luxuoso hotel Lotte New York Palace. O aluguel de veículos, salas e tradutores custou mais R$ 6 milhões, fechando a conta em R$ 13,8 milhões – o equivalente a R$ 23 mil benefícios do Bolsa Família. O ex-presidente Jair Bolsonaro gastou R$ 37,6 milhões com viagens ao exterior em 2019 – primeiro ano do seu governo.

Só o aluguel de veículos para locomoção de Lula e comitiva em Nova Iorque custou R$ 4,2 milhões. O aluguel de salas, mais R$ 1,35 milhão. A contratação de intérpretes, aluguel de equipamentos, água, café, internet, somaram mais R$ 500 mil. As viagens de Lula pelo mundo custaram R$ 27,7 milhões com hospedagem, R$ 29,5 milhões com aluguel de veículos, salas, equipamentos, tradutores, e R$ 11,2 milhões com diárias para assessores e seguranças.

Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Foram fornecidos pelo Ministério das Relações Exteriores. No caso das diárias, o ministério informou apenas o valor total da despesa em todas as viagens. Informou o total dos gastos com hospedagens em cada viagem, sem citar detalhes. Os alugueis de veículos, salas e equipamentos foram detalhados.

As viagens mais caras

A viagem para Xangai e Pequim, em abril, custou R$ 5 milhões, sendo R$ 1,1 milhão com a locação de veículos e R$ 2 milhões com hospedagem. A viagem para Dubai, para a COP28, no início de dezembro, custou R$ 3,8 milhões, sendo R$ 2,1 milhões com hospedagens. A viagem de Lula arrastou uma caravana de 22 deputados, nove senadores e oito assessores à COP28. Mais uma despesa de R$ 1,2 milhão. As cinco passagens mais caras – todas de deputados, na classe executiva – tiveram valor médio de R$ 50 mil.

A viagem para Paris, onde Lula buscava o apoio da França para acordos comerciais com o Mercosul, custou R$ 3,8 milhões, sendo R$ 2,3 milhões com hospedagem e R$ 1,2 milhão com aluguel de veículos. Lula não conseguiu os apoios. A viagem para Lisboa e Madri, em abril, custou R$ 4,8 milhões. Foram gastos R$ 2,3 milhões com veículos e R$ 2 milhões com hospedagem. Na viagem a Nova Délhi, a despesa chegou a R$ 3,2 milhões, sendo R$ 2,2 milhões com hospedagem.

Bolsonaro também gastou mais com hospedagens nas suas viagens ao exterior – R$ 14,5 milhões. As diárias da equipe de apoio custaram R$ 12,6 milhões. O fretamento de veículos para as equipes de apoio e seguranças consumiram mais R$ 10,2 milhões.

Ambulância, coquetéis e ônibus para a imprensa

Na viagem a Washington, em fevereiro, a Presidência da República pagou R$ 51 mil pela locação de ambulância tipo ALS, com enfermeiro e paramédico. Os registros de dados sobre despesas extras não são muito claros. Na visita à China, está registrado o pagamento de R$ 103 mil para “visita do Senhor PR. Serviço de catering para coquetel na Residência”. Em Madri, foi feito o seguinte registro, no valor de R$ 37 mil; “Visita do Senhor PR. Recepção na Residência (150 convidados, 25/4 à noite)”.

Na França, consta o pagamento de R$ 12,7 mil para “Viagem do PR a Paris. Salão de honra para autoridades do aeroporto de Orly”. Em Bruxelas, ficou registrado, no valor de R$ 13,3 mil: “Visita do Sr. PR a Bruxelas. Coquetel e reunião de trabalho na Residência”. Em Berlim, em dezembro, mais uma despesa de R$ 43 mil com “Reunião de consultas. Participação do sr. PR.  Jantar na Embaixada”. Aconteceram mais duas reuniões de consultas com participação do presidente. Nos dois casos, há o registro: “Ônibus para a imprensa”.

Comitiva com nove ministros

A comitiva oficial a Nova Iorque contou com nove ministros. O decreto presidencial abre a lista com Rosângela Lula da Silva, seguida pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Fernando Haddad (Fazenda), Luiz Marinho (Trabalho), Nísia Trindade (Saúde), Marina Silva (Meio Ambiente), Aparecida Gonçalves (Mulheres), Sônia Santos (Povos Indígenas), Márcio Costa (Secretaria-Geral da Presidência), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), Celso Amorim (assessor especial do presidente), além do líder do governo do Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Questionado se a hospedagem na viagem a Nova Iorque havia mesmo custado R$ 7,5 milhões, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “o valor de US$ 1.569.647,74 refere-se ao total de recursos autorizados para hospedagem no contexto da AGNU. O valor abrange missões de preparação e participação no evento e inclui hospedagem de membros do escalão avançado, da comitiva, que incluiu nove ministros, e de equipe de apoio”.

Presidência justifica gastos

Foi questionado à Presidência da República sobre os gastos de R$ 70 milhões com viagens. A Presidência respondeu que a Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova Iorque, “reuniu comitivas de mais de 190 países, o que impactou decisivamente nas opções e, consequentemente, nos valores das hospedagens disponíveis no período. É importante lembrar que as viagens internacionais realizadas pelo presidente Lula ao longo de 2023, além de recolocar o Brasil no cenário internacional após os anos de isolamento da gestão anterior, foram um investimento”

A Presidência destacou que, na missão realizada em Nova Iorque, o presidente Lula “realizou encontros bilaterais com diversos chefes de Estado, entre eles o presidente americano Joe Biden, que antecedeu o lançamento, pelos dois presidentes, de uma importante iniciativa global em defesa do trabalho digno. Vale citar também os anúncios de recursos ao Fundo Amazônia, em que os valores ultrapassam em 9,6% os custos citados pela reportagem. O Fundo recebeu R$ 726,4 milhões em doações da Suíça, EUA, Alemanha e Reino Unido no ano passado, maior valor desde 2009”.

Na viagem à China, acrescentou a Presidência, foram fechados 15 acordos de cooperação, “que podem render investimentos da ordem de R$ 50 bilhões, além de novas tecnologias. Na volta, foram fechadas parcerias que podem render até R$ 12,5 bilhões em recursos dos Emirados Árabes. Com a Arábia Saudita, foram firmados 25 acordos de investimento em agosto, quando o ministro de Investimentos saudita esteve no Brasil, totalizando US$ 3,5 bilhões. E na recente visita do presidente Lula ao país, o lado saudita reiterou intenção de investir US$ 10 bilhões do Fundo de Investimento Público (PIF) no Brasil, em particular em empresas como Vale, Minerva Foods e BRF, e em projetos de energias renováveis”.

Na viagem à Alemanha, afirmou a Presidência, foram anunciados dois acordos entre o BNDES e o banco de desenvolvimento alemão KfW, um de € 15 milhões para o Floresta Viva; e outro de € 100 milhões em empréstimo para mobilidade urbana sustentável. O Brasil destacou ainda, durante a COP28, as potencialidades para a produção de biocombustíveis. “Essa iniciativa deverá atrair mais de R$ 200 bilhões em investimentos para o Brasil até 2037. Além disso, ao longo de 2023, o Brasil abriu 78 novos mercados externos para os produtos agropecuários nacionais em 39 países”.

(*) Lúcio Vaz é jornalista e cobre a política em Brasília há

 30 anos, revelando mordomias, privilégios, supersalários,

desvios de recursos públicos e negociatas nos três poderes

Fonte: Gazeta do Povo