E D I T O R I A L
Até quando?…
Por Flávio Senra (*)

O absurdo ocorrido na tarde de ontem, segunda-feira (08), nos mostra duas situações que comprovam, mais uma vez, que a população alemparaibana está na camada mais baixa das prioridades do poder público da boa terra banhada pelo Paraíba do Sul. A primeira tem como protagonista o Poder Executivo Municipal na pessoa do prefeito Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, e sua equipe de assessores diretos capitaneada pelo procurador Fernando Silva Ferreira; já a segunda, é travestida pela maioria dos membros da Câmara Municipal, em especial aqueles que formam a apelidada Mesa Diretora que, mais uma vez, se mostraram subservientes aos ditos e mandos do Chefe do Executivo Municipal.
Por volta da 14h40min eu me encontrava na sede da Câmara Municipal, por sinal conversando amenidades com a interventora afastada do Hospital São Salvador que não conhecia pessoalmente e tomara conhecimento de que ela era filha de um grande e saudoso amigo que sempre incentivou o trabalho que sempre procurei fazer com a maior seriedade – o professor Carlos Pires, educador que sempre honrou a profissão levando aos seus educandos o verdadeiro significado das palavras honra e sensatez. Naquele exato momento, Ana Karine, que dentro de alguns minutos prestaria esclarecimentos sobre o HSS, recebeu um recado, que ouvi já que lhe foi dito sem meias palavras, de que estava sendo convocado a comparecer de imediato na sede da prefeitura para uma reunião urgente com o já citado procurador e o chefe de gabinete José Roberto Monteiro de Faria, conhecido por todos como Robertinho. Como se diz no popular, eu estava na hora certa no lugar certo, isto para azar deles…
Pontualmente, às 15 horas a reunião da Casa do Legislativo foi iniciada com os mesmos blá-blá-blás de sempre, com o vereador Davi da Paz em certo momento indagando pela presença da interventora, no que teve como resposta dada pelo presidente da Mesa Diretora de que a mesma continuava convocada para responder os questionamentos que certamente seriam formulados. Daí aconteceu o inesperado, isto porque ao presidente Mateus Cruz foi informado de que algumas correspondências com o aval do procurador Fernando Silva Ferreira haviam acabado de chegar comunicando o afastamento de Ana Karine como titular da interventoria no HSS, sendo substituída por Flávia Costa Abreu, bem como a também nomeação de João Cavagnari Caldas Borges de Abreu, este para atuar como administrador da instituição.
Ora bolas, no meu entendimento pessoal, posso até estar errado, aquelas correspondências não poderiam sequer ser recebidas já que a reunião havia sido iniciada e a sua pauta, acredito, não pode sofrer emendas. Entretanto, mostrando total subserviência, o pré-candidato a prefeito de Miguelzinho, isto já corre pelas ruas e esquinas da cidade, e seus pares na Mesa Diretora não somente acataram as correspondências e as tornaram públicas na reunião.
Foi como um balde de água gelada caindo sobre as cabeças não somente dos que estavam presentes naquela reunião interessados do desdobramento da situação que envolve tanto o Hospital São Salvador quanto os alguns de milhões de reais que lá foram aportados, por sinal o motivo maior da então interventora ter sido convocada. Aliás, segundo o vereador autor da convocação, Davi da Paz, esta seria a terceira ou quarta vez que a presença de Ana Karine foi postergada, e desta vez com uma proposta promovida pelo douto procurador Fernando Ferreira, que por longos anos, talvez décadas, pelos bastidores é tratado pela alcunha de Dr. Brecha: adiar a presença da noiva interventora, no caso Flávia Costa Abreu, por mais 30 dias. Vale ressaltar, é a nossa opinião, a nova interventora tem amplo conhecimento das coisas que ocorrem no HSS desde a intervenção, isto porque lá esteve e está sempre presente indiretamente devido sua forte ligação com o titular da Pasta da Saúde do município.
Continuei assistindo a reunião da Casa do Legislativo não lá nos seus bastidores, mas dentro do conforto de minha residência através da internet, onde presenciei uma verdadeira peça teatral das mais absurdas no que diz respeito ao fato. A passividade foi a tônica da reunião, mostrando o quão subservientes está grande parte de nossos representantes, alguns sequer esboçando um ar de descontentamento ao ocorrido mesmo sabendo que o assunto é de total importância para toda população alemparaibana a quem representam. Num dado momento, e isto tive conhecimento do próprio vereador Davi da Paz, teria deixado claro aos seus pares, com bastante ênfase, que caso algo de mais grave venha ocorrer nas dependências do HSS “poderão ficar com as mãos sujas de sangue inocente”, o que, aliás, já teria ocorrido dias atrás com a morte de uma criança.
O Hospital São Salvador não pode continuar nas mãos da municipalidade! É um absurdo continuar da maneira em que está e isto não é somente minha opinião, mas de grande parte, porque não dizer da maioria de nossa gente alemparaibana.
A seguir, deixo aos leitores um trecho que matéria publicada dias atrás neste site de notícias do jornal Além Parahyba para que tirem suas conclusões deste acinte que dura mais de 15 meses…
HOSPITAL SÃO SALVADOR – ESTATUTO
Artigo 1º: O Hospital São Salvador é uma associação, sem fins econômicos, com duração por tempo indeterminado, registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas de Além Paraíba, inscrito no CNPJ sob o nº 16.607.509/0001-37, com sede em Além Paraíba, Estado de Minas Gerais, na Rua Dr. Paulo Fonseca, 1778, bairro Vila Laroca e reger-se-á pelo presente Estatuto e pela legislação que lhe for aplicável.
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Artigo 41: A existência do Hospital São Salvador reside da dedicação e operosidade do Conselho Diretor e da Assembleia Geral, aos quais respondem por sua estabilidade e progresso.
Parágrafo Único: O Hospital São Salvador existe para servir a população de Além Paraíba e não se submete a vontade político-partidária e nem tampouco admite a interferência política em sua gestão.
Ou seja, a intervenção imposta pela Prefeitura Municipal ao Hospital São Salvador, graças a um decreto sancionado pelo prefeito Miguel Belmiro de Souza Júnior, o Miguelzinho, se não for ilegal ao menos é imoral, e tanto o Ministério Público do Estado de Minas Gerais e o Poder Judiciário não poderiam ter dado o apoio que deram ao gesto que seria de cunho pessoal do Chefe do Poder Executivo de Além Paraíba contra seu ex-cunhado, e o resultado deste gesto tem sido catastrófico e poderá levar a instituição fundada em 1908 ao caos total, o que não seria bom para a população alemparaibana e dos municípios vizinhos que necessitam de seus serviços.
(*) Flávio Senra é o editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993.
EM TEMPO:
Nesta terça-feira, dia 09 de maio, a partir das 20 horas, uma “live” de suma importância sobre o que vem acorrendo no Hospital São Salvador será realizada pelo comunicador Renato Macharet. O link para assistir é https://www.facebook.com/macharetrp?mibextid=ZbWKwL



