DR. REYNALDO MANSO MONTEIRO NOGUEIRA DA GAMA

Descendente de uma das mais antigas e tradicionais famílias de Minas Gerais, filho do fazendeiro Major Sebastião Monteiro Nogueira da Gama e de D. Carlota Miranda Manso Monteiro da Gama, o médico Dr. Reynaldo Manso Monteiro Nogueira da Gama nasceu em Além Paraíba, no dia 3 de junho de 1905. Seus irmãos foram: Oswaldo, Romualdo, Arnaldo, Alaíde, Nivaldo e Celanira.
Fez o curso primário no Colégio Americano, que era instalado no bairro de São José. A seguir, foi estudar no Colégio Leopoldinense, no município de Leopoldina, e depois foi fazer os preparatórios para o curso superior na cidade de Viçosa. Estudou medicina na Faculdade da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.
Médico formado foi clinicar no distrito de Angustura, em 1931, onde se casou com Eunice Côrtes de Araújo, filha de Antônio Domingues de Araújo e D. Maria Guilhermina Côrtes de Araújo, no dia 21 de novembro de 1933. Da união vieram os filhos: Ângela Maria, Márcio, Flávia Maria, Lúcio e Gláucio.
No bucólico distrito alemparaibano sempre atendeu aos apelos daquele povo. Sem se preocupar com as distâncias, muitas vezes lançava mão de cavalos ou mulas para alcançar as famílias que viviam na zona rural, medicando todos aqueles que necessitavam de seus serviços. Humanitário, preferia interromper o seu descanso a faltar com o dever de médico. Em Angustura, onde também foi Juiz de Paz, deixou uma marca até hoje lembrada por seus moradores: em homenagem ao nascimento de seu filho Márcio, ocorrido em 4 de março de 1936, plantou várias mudas de cedro ao largo da Matriz, hoje árvores imponentes e gigantescas.
Por volta do ano de 1936 retornou para a zona urbana do município, fixando residência no bairro onde foi criado e que tanto amava: São José, na Praça Coronel Breves.
Foi médico do Lactário São José e diariamente podia ser visto no trajeto a pé da praça onde morava até o prédio daquela instituição. Iniciava o seu atendimento às crianças por volta das 07:30 horas e ia até às 10 horas, indo, a seguir, para o Hospital São Salvador onde também clinicava. Era um médico humanitário por vocação. Não possuía hora certa para as refeições ou mesmo descanso. Seu consultório era no mesmo prédio onde residia, o que em muitos casos facilitava o atendimento, mas vivia sempre lotado.
Convidado a participar da vida pública por sua honestidade, caráter e a grande vontade de servir Além Paraíba, foi vereador por dois mandatos, em um deles atuando como Presidente da Câmara Municipal. Em 1950, assumiu o cargo de prefeito em substituição a Dr. Humberto Côrtes Marinho que se licenciara.
Desportista, sempre gostou do futebol e quando jovem chegou a atuar como goleiro no América Futebol Clube. Em 13 de dezembro de 1953, quando assistia uma partida de futebol de seu clube de coração, o Esporte Clube Independente, veio a falecer de um enfarto (o Independente saiu vencedor da partida contra o E.C. Volta Grande por um placar de 3 a zero) . O dia, que era para ser festivo para a sua família já que era aniversário da amada esposa Eunice, do filho Lúcio e da formatura da filha Flávia, foi de grande tristeza para toda Além Paraíba.
Sua perda foi sentida por toda cidade. Chorou toda a população, dos mais abastados aos mais humildes, pois naquela época pensava-se que um médico humanitário e competente como ele não pudesse mais existir. Hoje em Além Paraíba existe uma herdeira da profissão de Dr. Reynaldo Monteiro Nogueira da Gama, a competente médica Dra. Gisele Sant’Anna Nogueira da Gama, filha do casal Márcio Nogueira da Gama e Neusa Sant’Anna Nogueira da Gama.




Fonte de pesquisa: arquivo familiar cedido pela professora Carmem da Gama Oliveira Lopes, sobrinha-neta do Dr. Reynaldo Gama; informações e o livro genealógico da família “Monteiro de Barros” pertencente ao seu filho Márcio Nogueira da Gama. Fotos: arquivos da família.
Publicado na edição nº 328 do Jornal Além Parahyba / Texto de Mauro Senra



