Após pagar fiança de R$ 455,4 mil, político acusado de homicídio deixa cadeia
Tom Moreira ficou mais de nove meses preso e segue monitorado por tornozeleira eletrônica, assim como seu segurança e suposto comparsa.

Após passar mais de nove meses no Presídio de Barbacena, o candidato a prefeito de Cipotânea nas eleições 2024 e acusado de homicídio com motivação política, Welington Thiene, conhecido como Tom Moreira, conseguiu sair de trás das grades na terça-feira (22), mediante fiança de R$ 455.400, mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica. O segurança dele e suposto comparsa no crime, David Abranches Risson, estava no Presídio de Congonhas e também conseguiu deixar a prisão, com o uso do equipamento, após pagar R$ 30.360.
Na sentença, o juiz da Comarca de Alto Rio Doce, Joaquim Martins Gamonal, destacou que os acusados de homicídio sequer passaram por audiência de instrução, redesignada para 18 de setembro. A defesa de Tom Moreira havia pugnado pela revogação da sua prisão preventiva, ainda que com a fixação de outras medidas cautelares diversas da prisão, em razão do excesso de prazo para formação da culpa. O Ministério Público também foi a favor da revogação da prisão dos acusados, pela inexistência de risco à ordem pública, à instrução do processo ou à aplicação da lei penal.
“Após analisar os autos, entendo que não subsistem os motivos que ensejaram o encarceramento cautelar dos acusados, sobretudo em razão do necessário adiamento da data da audiência de instrução”, destacou o magistrado, acrescentando que os acusados estavam acautelados desde 2 e 3 de outubro. “A concessão da liberdade provisória se mostra como saída viável, neste momento.” No entanto, ponderou o juiz, os dois homens devem cumprir medidas cautelares previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. Além do monitoramento por tornozeleira eletrônica e do pagamento da fiança – fixada em 300 salários mínimos para o candidato a prefeito, por ser “empresário e detentor de boa situação financeira”, e em 20 mínimos para o segurança, por conta da sua capacidade econômica como vigilante -, eles não podem se ausentar da comarca e não podem sair no período noturno, entre outras regras, como não manter contato com qualquer pessoa envolvida no processo.

Na denúncia sobre o homicídio qualificado ocorrido em 2 de outubro do ano passado, no Centro de Cipotânea, o Ministério Público relatou que o candidato a prefeito dirigia o carro que perseguiu por cerca de um quilômetro a vítima. O suposto opositor político, de 21 anos, estava em uma motocicleta. “Ao alcançá-la, bloqueou o caminho com o carro, enquanto o segurança sacou a arma de fogo e disparou, atingindo a vítima pelas costas. Os dois fugiram do local, mas foram localizados e presos em flagrante”, destacou o MP.
Para a Promotoria, o homicídio foi cometido por motivo fútil, em razão de oposição política, e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, atingida à queima roupa, na região das costas, ao ser “espremida lateralmente pela manobra realizada pelo automóvel conduzido por um dos denunciados”.
NOTA DA REDAÇÃO DO JORNAL ALÉM PARAHYBA:
Mais um absurdo do Judiciário brasileiro. Basta ter dinheiro, melhor ainda estar ligado à classe política do país, para ser favorecido. Enquanto isso, idosas com mais de 70 anos de idade, uma cadeirante e outra com uso obrigatório de muletas, acusadas de tentativa de golpe, são obrigadas a voltar para a prisão por determinação de um único voto da Corte Maior do país, o STF, com a acusação de que suas tornozeleiras estariam desligadas. ABSURDO!
Fonte: Tribuna de Minas – Por Sandra Zanella



