BRASIL SOB ATAQUE
Organizações tentam dominar território mineiro por logística
Em 2025, Polícia Civil já realizou 2.200 operações contra crime em MG.

Desde o início do ano, a Polícia Civil realizou aproximadamente 2.200 operações para desarticular organizações criminosas ligadas ao tráfico e à lavagem de dinheiro em Minas Gerais. No mesmo período, houve 23 mil prisões e mais de 11 mil armas foram retiradas das mãos de criminosos pela Polícia Militar de Minas Gerais. Os dados repassados pelo governo de Minas mostram o avanço das facções no território mineiro e a resposta das polícias.
Para o delegado da Polícia Federal (PF) Alisson Sabarense, a geografia do estado é um dos fatores que facilitam a entrada de facções criminosas. “Minas Gerais possui peculiaridades de divisas com estados de grande importância no cenário nacional, no que se refere ao crime organizado: São Paulo e Rio de Janeiro”, explica.
Sabarense reconhece que faccionados tentam dominar o território mineiro com frequência, mas garante que os órgãos de segurança estão sendo eficientes na repressão. “A força integrada trabalha com a inteligência, não só na repressão ostensiva e investigativa, mas também na inteligência que antecipa os movimentos (das facções), melhorando nossa atuação”, diz.
Para o porta-voz da Polícia Militar, capitão Rafael Veríssimo, o número de apreensões de armas de fogo é prova do combate às facções no estado. “Em 2025, estamos visando enfraquecer a parte bélica. Trabalhamos na repressão qualificada juntamente com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e, por meio dele, realizamos diversas operações durante o ano prendendo lideranças”, esclarece.
Atuação
Três facções têm atuação mais forte em Minas Gerais, conforme o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco. São elas: Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP) – sendo a primeira de São Paulo e as outras duas do Rio de Janeiro. Por causa das fronteiras, elas se localizam, principalmente, no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata e no Sul de Minas. Há presença ainda no Norte de Minas, conforme o delegado da PF.
Para sustentar as atividades no estado, as facções cometem outros crimes, como roubo de cargas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, além da atuação na distribuição de combustíveis de forma ilegal. O PCC tem uma maneira de operar mais silenciosa, que tenta não levantar suspeitas. Já o CV e o TCP “se mostram mais”, usando estratégias de pichações para marcar territórios. Na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), há um grupo de trabalho para monitorar cada uma das atividades ilegais. “Os grupos de trabalho específicos para cada matéria são fiscalizados pelo vice-governador Mateus Simões (PSD). Os grupos foram formados neste ano; a gente já acompanhava, mas nos concentramos na secretaria”, explica Greco. O secretário garante que os territórios são monitorados diuturnamente.
A atuação das facções criminosas vindas de outros estados tem ocorrido de forma silenciosa, mediante alianças com grupos menores de Minas Gerais. A explicação é do delegado Rodrigo Bustamante, chefe do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc). “Quando se quer tomar o território pela força ou pelo combate armado, temos homicídios e outros crimes violentos. Isso chama a atenção das forças. Mas, quando é pelas cooptações, o trabalho de percepção é mais demorado”, detalha.
Estratégia: faccionados se comunicam presos
De dentro das penitenciárias de Minas Gerais, as autoridades de segurança conseguem informações importantes sobre as facções criminosas presentes no estado. Nem mesmo detidos, os faccionados deixam de tentar se comunicar. No entanto, essas conversas acabam dando pistas sobre localizações, futuros crimes, entre outros. “A gente tem a maior e melhor inteligência, que é a do sistema prisional”, afirma o secretário de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco.
Conforme o chefe da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sejusp), as penitenciárias passam também por varreduras constantes e o número de celulares apreendidos nessas unidades tem diminuído. “Eles passam a se comunicar por meio de cartas, o que é ainda melhor para a gente (autoridades de segurança)”, revela o secretário. As cartas interceptadas dão informações para autoridades sobre os planos das facções.
Outra estratégia da Sejusp é concentrar os faccionados em seis unidades prisionais – que não tiveram as localizações divulgadas por motivos de segurança. Segundo Greco, a intenção é não deixar que presos não filiados a facções sejam cooptados pelos grupos criminosos já existentes.
“Minas é um estado muito heterogêneo, cada região tem uma realidade. As polícias estão preparadas para fazer frente às novas formas de agir das facções, e nossa inteligência vem para antecipar. Se não chegou ao estágio de outros estados, isso se deve ao trabalho das forças de segurança.” Alisson Sabarense – Delegado da Polícia Federal

Fonte: O TEMPO – Por Aline Diniz e Vitor Fórneas



