segunda-feira, abril 20, 2026
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Preso matou colega de cela em Muriaé após ser hostilizado

Autor é homossexual e também alvo de integrantes do Comando Vermelho, disse delegado.

A Polícia Civil concluiu ontem, quarta-feira, 21 de janeiro, o inquérito que investigava a morte do detento Douglas Cristóvão Fernandes, de 38 anos, que foi asfixiado até a morte e teve as mãos e os pés decepados, na Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, em Muriaé.

O crime aconteceu no dia 12 de janeiro e o autor é outro preso, de 41 anos, que foi indiciado por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. A pena pode ultrapassar 30 anos.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Tayrony Espíndola, ele, que não teve o nome divulgado, dividia a cela com Douglas Cristóvão e era hostilizado por ser homossexual, além de sofrer ameaças de integrantes do Comando Vermelho.

O autor do crime também teria tomado conhecimento de que a vítima estava em processo de reintegração à facção e teria recebido uma sinalização positiva para retornar ao grupo criminoso.

“Ele resolveu agir primeiro ao identificar uma potencial ameaça e risco de vida. Então, decidiu descarregar toda a fúria contra o detento, inclusive cometer o homicídio com o desmembramento de parte do corpo, como forma de demonstração e resposta à facção, em razão da perseguição e da intolerância”, explicou o delegado.

Inicialmente, foi divulgado que o detento morto seria homossexual, mas a Polícia Civil confirmou que o autor do crime é quem assumiu esta condição.

De acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o homem que matou o colega de cela já cumpria pena por outro homicídio e segue na Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior.

O g1 procurou o órgão, que informou que o caso está sob apuração administrativa, por meio de um procedimento interno instaurado pela direção da unidade prisional. Leia a nota na íntegra.

O inquérito foi enviado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que decidirá se aceita ou não a denúncia.

Vítima foi agredida, asfixiada e esquartejada

A apuração demonstrou que o detento foi agredido, asfixiado com uma corda (foto) e esquartejado no interior da cela com uma lâmina de barbear, enquanto os demais presos estavam no pátio, no momento do ‘banho de sol’.

Além do autor confesso, outro preso que estava na cela no momento do crime e que teria auxiliado na contenção do homem também foi indiciado. Os dois vão responder por homicídio triplamente qualificado.

Exames complementares ainda vão definir se o esquartejamento ocorreu quando o detento ainda estava com vida.

Nota Sejusp

“Informamos que o caso encontra-se sob apuração administrativa, por meio de um procedimento interno instaurado pela direção da unidade prisional. No curso das apurações, o preso é ouvido pelo Conselho Disciplinar da unidade e podendo sofrer sanções administrativas, incluindo a comunicação ao juiz da execução”.

Fonte e foto: Portal-Site Marcelo Lopes com informações do g1