Faleceu Dalmo Pereira da Silva, o Dalminho Alfaiate
Por Flávio Senra (*)

Amigo e parceiro desde os tempos de juventude, portanto mais de 50 anos atrás, Dalmo Pereira da Silva, mais conhecido como Dalminho Alfaiate, faleceu na madrugada desta segunda-feira, dia 02 de fevereiro, no Hospital Nossa Senhora do Carmo, na vizinha cidade fluminense de Carmo, e nasceu na cidade de Pirapetinga, no dia 22 de maio de 1951.
Falar sobre Dalminho seriam necessário horas a fio sem qualquer interrupção. Amigo, como já disse Chico Buarque, de copo e de grude, tivemos, junto de outros amigos que já se foram para a casa do Pai, passagens suficientes para encher um livro.
Quantos bailes no Comercial, Santa Maria e no Minas Clube vivemos, flertando com belas damas cujos pais as proibiam um contato nosso mais próximo. “Não quero ver você perto daquele filho do alfaiate”, disse certa vez um pai referindo-se a Dalminho. Daí, numa domingueira do Esporte Clube Santa Maria, ainda na antiga sede da Rua Adão Araújo, ao som do Conjunto Santa Maria que depois virou o Sambrasa 8, após uma troca de olhares Dalminho a convidou para dançar e, em menos de um minuto, um beijo chamou a atenção de todos os presentes. No dia seguinte, aquele pai, espumando raiva entre os dentes, adentrou na alfaiataria de seu Manoel, pai de Dalminho, dizendo que iria matá-lo. Rsrsrsrs…
Nunca vi Dalminho de cara fechada, com raiva de alguém ou alguma coisa. Sua única reclamação era quando estava sem qualquer um no bolso para comprar cigarros ou jogar no bicho. Quantas vezes, incontáveis, varamos a noite e a madrugada bebericando, comendo, dando gargalhadas de coisas engraçadas com que vivenciamos.
Era um profissional dos mais brilhantes, um alfaiate de corte mágico, inigualável. Meio enrolado para entregar algum terno encomendado, às vezes até com pagamento adiantado, valendo ressaltar que nunca deixou de entregar a encomenda.
Ainda tenho e guardo um terno feito por ele sob medida. Devo salientar que não fiz nenhum prova antes dele me entregar. É a minha veste de cerimônia com que quero partir para a última morada quando Deus assim quiser. O motivo? Com esse terno quero encontrar com alguns amigos na Casa do Papai do Céu, em especial com Dalminho, e dizer-lhe o quanto sua partida me deixou triste, ao mesmo tempo feliz por saber que tive o grande privilégio de tê-lo como amigo/irmão.
Vai com Deus, Dalminho! Você deixa não só para mim, mas para todos que tiveram o privilégio de dividir sua amizade, carinho e respeito, boas lembranças.
À suas filhas, Luciene e Patrícia, meus votos de grande pesar…
(*) Flávio Senra é diretor-editor do Jornal Além Parahyba desde junho de 1993



