quinta-feira, março 19, 2026
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Após mensagens, Toffoli confirma sociedade em empresa e nega relação com Vorcaro

Gabinete sustenta que operações foram legais e que saída do grupo ocorreu antes da distribuição do caso no STF; PF levou o caso a Edson Fachin

Toffoli nega relação com Vorcaro, mas confirma ser sócio de empresa que negociou com cunhado dele. (Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF)

BRASÍLIA – O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (12/2) nova manifestação para esclarecer informações relacionadas à empresa Maridt e à sua menção em investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). A iniciativa ocorre um dia após a divulgação de que conversas no celular do empresário Daniel Vorcaro citavam o ministro, o que levou o caso ao presidente da Corte, Edson Fachin.

Em síntese, a nota confirma que Toffoli é sócio da empresa, sustenta que a participação é regular e que não houve irregularidades nas operações envolvendo o resort ligado à família do ministro. Também nega relação de amizade com Vorcaro ou o recebimento de valores do empresário.

Segundo o gabinete, a Maridt é uma empresa familiar constituída como sociedade anônima de capital fechado, regularmente registrada e com declarações apresentadas à Receita Federal, todas aprovadas. É a segunda nota divulgada por Toffoli sobre o assunto nas últimas horas.

A explicação busca afastar questionamentos sobre eventual conflito de interesses. Conforme reportou o portal “UOL”, a Polícia Federal encaminhou a Fachin informações que, na avaliação dos investigadores, poderiam indicar possível impedimento do ministro no caso.

Toffoli integra o quadro societário da companhia, administrada por seus parentes, e sua participação, de acordo com o gabinete, é compatível com a Lei Orgânica da Magistratura, que permite a magistrados integrar empresas, desde que não exerçam atos de gestão.

O esclarecimento detalha que a Maridt integrou o grupo Tayaya, resort de luxo no Paraná, até fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: a venda de cotas ao Fundo Arllen, em setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro deste ano. As operações, diz a nota, foram realizadas a valor de mercado e declaradas à Receita.

O Fundo Arllen foi o veículo que comprou parte da empresa da qual Toffoli é sócio. Ele entrou no radar porque realizou operações envolvendo empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. Entre os nomes citados nessas negociações está o de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Essa conexão, ainda que indireta, é o que levou investigadores a avaliar a existência de possível conflito ou impedimento do ministro.

O gabinete acrescenta que a ação sobre a compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída a Toffoli em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não integrava o grupo empresarial citado. O ministro afirma ainda que desconhece o gestor do Fundo Arllen e que “jamais teve qualquer relação de amizade, e muito menos amizade íntima”, com Vorcaro.

Por fim, a manifestação reafirma que Toffoli nunca recebeu qualquer valor de Vorcaro nem de seu cunhado, Fabiano Zettel. O ministro é relator, no STF, das investigações sobre as fraudes financeiras envolvendo o grupo Master e nega qualquer irregularidade.

Fonte: O Tempo – Por Patrícia Nadir