segunda-feira, maio 25, 2026
DESTAQUENOTÍCIASVultos

Francisco Gomes da Silva Júnior – Chico Gomes

Chico Gomes com os netos Marco Aurélio, Carlos Alberto e Auxiliadora. (Foto: Arquivo Familiar)

Cearense de nascimento, com determinação e garra, após ter passado por várias privações, saiu de sua terra natal, acreditou no sonho e construiu um grande império comercial que deixou para suas futuras gerações.

Francisco Gomes da Silva Júnior nasceu na cidade de Fortaleza, no dia 18 de junho de 1896, e era filho de Francisco Gomes da Silva e de Maria Edwirges Gomes da Silva. Na terra natal chegou a ser motorista do governador, na época da construção do Açude de Orós que ficava a 450 quilômetros da capital, e, ao que consta, o primeiro automóvel daquele estado foi ele quem dirigiu. Casou-se com a cearense Maria Nogueira Gomes, mulher de fibra, companheira e amiga.

Passando por sérias dificuldades e acreditando num convite do padrinho Luiz Severiano Ribeiro (Grupo Severiano Ribeiro), em 1924 foi para o Rio de Janeiro, deixando a família e investindo tudo o que tinha. Ao chegar, as propostas oferecidas não aconteceram e, para sobreviver, já que gastara todas as economias na viagem de ônibus e no “pau-de-arara”, passou a lavar pratos em restaurantes. O dinheiro era pouco e não dava para viver, quanto mais enviar alguma coisa para a esposa e os filhos.                                                                                                                        Depois, conseguiu outro emprego, dirigindo ônibus da Light, mas o salário ainda era pequeno.

Um primo de sua esposa residia numa cidadezinha do interior fluminense, Carmo, onde era o pároco – Padre Aprígio. Este propôs bancar a vinda da prima Maria com os quatro filhos para morarem com ele, perto da igreja, numa casa com vasto quintal, desde que Chico Gomes largasse tudo no Rio de Janeiro e viesse tentar a vida em Carmo. Acordo feito, Maria e os quatro filhos – Maria Nazareth, Walter, Maria Luíza (Maísa) e Raymundo – embarcaram na terceira classe do navio Ita.

No Carmo, onde o Padre Aprígio era conceituadíssimo, Chico Gomes fez amizade com Celso de Carrilho Faria, conceituado dono de posses, e sua esposa Adelina, que tinham uma ótima casa, um armazém de secos e molhados e uma fazenda denominada Emboque. Nesta época, o casal de cearenses ganhava mais uma filha, Maria Eunice (Nicinha), e os novos amigos foram convidados para padrinhos da criança.

Chico Gomes e a esposa Maria junto de seus filhos, da mãe, netos, irmãos, genros e noras, defronte a residência onde morava, na Rua Santos Dumont. (Foto: Arquivo Familiar)

Chico Gomes era muito habilidoso e entendia muito de automóveis. Resolveu construir uma “perua” com sucatas de outros carros que quando ficou pronta foi a maior festa. Ninguém da localidade conhecia tal tipo de veículo, que ganhou o nome de “Eunice” em homenagem a filha. O veículo começou a ser utilizado para transportar de tudo entre Carmo e Além Paraíba, daí foi fundada a Viação Eunice. Começou a progredir com o transporte de carga, ampliando a frota com a compra de três caminhões Ford.

Quando estourou a Revolução de 1930, as tropas de Getúlio Vargas confiscaram os caminhões e o próprio Chico Gomes para fazer o transporte de tropas. Por fim, definitivamente lhe tomaram os caminhões e assim tudo voltou à estaca zero.

Acabada a revolução, Chico Gomes não desistiu e reiniciou seus negócios adquirindo outros três novos caminhões. Nesta época, ele próprio dirigia um dos veículos, sendo os demais conduzidos pelo irmão Pedro, que trouxera de Fortaleza, e o amigo Pacífico.

O negócio de transporte de carga prosperava e Chico Gomes conheceu Odir Perácio, grande exportador de café da região a quem passou a prestar serviços. Mudou-se, então, com a família para Além Paraíba onde progrediu e adquiriu imóveis na Rua Santos Dumont, no Porto Velho. Trouxe do Ceará os pais, os irmãos Zeca, Carlinhos, Raymundo, Lourdes e Carmona. Em Além Paraíba associou-se aos irmãos José e Francisco Villela Pedras em uma empresa concessionária de veículos Chevrolet, Ford e Volvo. Em frente ao Rex Clube, fundou um posto de gasolina, hoje Posto Caik. E com os irmãos que trouxe do Ceará fundou a Agência Internacional, onde comercializava peças de automóveis.

Inauguração da Agência de Automóveis que Chico Gomes fundou em parceria com os irmãos José e Francisco Villela Pedras. (Foto: Arquivo Familiar)

Seus filhos e filhas casaram-se e constituíram famílias. Maria Nazareth casou-se com Ênnio Pires, Walter com Maria do Carmo Laroca Mendes, Maria Luíza (Maísa) com Werley Coutinho Bittencourt, Raymundo com Dinah Mello Lemgruber e Maria Eunice (Nicinha) com Wilmon Gomes da Silva.

Com o falecimento da esposa Maria, em 1958, contraiu segundas núpcias com Nair Satorelo com quem teve uma filha, Mônica, a quem tratava carinhosamente de Moniquinha.

Por ironia do destino, Chico Gomes, um homem que progrediu criando empresas ligadas ao transporte automotivo, faleceu vítima de um acidente automobilístico, em julho de 1968, deixando um grande exemplo de garra, talento e força de trabalho, comprovando que com tais ingredientes é possível construir-se um grande império.

(Texto de Mauro Senra, revisado por Flávio Senra / Publicado na edição nº 341 do Jornal Além Parahyba, de 14/09/2005)