Sociedade Musical Carlos Gomes vai comemorar seu 130º aniversário com Encontro de Bandas
Evento é uma realização da entidade musical aniversariante em parceria com o Jornal Além Parahyba e a Prefeitura Municipal/Secretaria Municipal de Cultura.

A Sociedade Musical Carlos Gomes, em parceria com o Jornal Além Parahyba e a Prefeitura Municipal de Além Paraíba através da Secretaria Municipal da Cultura, e com o patrocínio da Energisa Minas Rio, estará realizando, no dia 16 de agosto próximo, um Encontro de Bandas.
O evento, que tem por motivação a comemoração do 130º aniversário da entidade musical que acontece no dia 15 daquele mesmo mês, contará com a participação de suas co-irmãs Sociedade Musical Sete de Setembro (Além Paraíba), Banda 04 de Maio da Igreja Assembleia de Deus (Além Paraíba), Banda Municipal “Maria da Conceição F. Consendey” (Recreio) e Sociedade Musical “Maestro Rogério Teixeira” (Cataguases), além do Grupo Folclórico de Tambor Mineiro da TrupEncanta (Além Paraíba).
O evento acontecerá no Espaço Público “Dr. Miguel Belmiro de Souza”, popularmente conhecido por “Vassourão”, e será início às 8h30min, valendo ressaltar que contará com exposição e comercialização de produtos artesanais em madeira, bordados e tecidos, bem como de doces, queijos, defumados e licores.
Várias empresas alemparaibanas, além de membros da comunidade, entendendo que a volta deste tipo de evento é de grande valia para a cultura e o turismo no município e merecidamente uma justa homenagem à Carlos Gomes que comemora mais um ano de existência, aderiram a ideia e estão dando total apoio à sua realização. São elas:
· Elizabeth Machado Soluções Financeiras
· Fazenda Serra Bonita (Agropecuária Zamboni)
· Fazenda Paraíso
· Padaria Luzitana
· Restaurante AnQuim (Angustura)
· Viação Treze de Junho
· Drogaria Galeno
· Vereador Oberdan Moreira Rocha
· José Maria da Silva (Tuquinha)
· Museu de História e Ciências Naturais
· Posto Ilha
· Personale Assistencial
· Rádio CPN
· Auto Socorro Águia
· Sicoob-Credimata
· Centro de Formação de Condutores Prudente
· Secretaria Municipal de Educação
Ressalta-se que, já de longa data, entre 12 e 15 anos passados, nenhum Encontro de Bandas foi realizado em terras alemparaibanas, um município que conta com três, sendo duas centenárias, a Carlos Gomes e a Sete de Setembro.
Sociedade Musical Carlos Gomes – 1896/2026

A história da Sociedade Musical Carlos Gomes é uma história de perseveranças e de vitórias. Tudo começou na residência de José Pinto da Silva, no dia 15 de agosto de 1896, constituindo-se assim aquela que viria ser a mais duradoura instituição cultural de Além Paraíba.
Para que isto fosse possível, é muito importante citar, além dos nomes que figuram nas relações de presidentes e de maestros, outros como os de Luiz Pinto da Cunha, Giovani Pianosi, Adalberto Araújo, José Gomes de Pinho, Serafim Mattos, Álvaro Antunes, Francisco de Mattos, José Rodrigues de Almeida (que tomou a iniciativa para a construção da sede própria), José Macedo, José Bernardino de Paula, Cláudio Coutinho, Delfino Rocha, Mário de Castilhos, Manoel Afonso Fernandes, José Antônio Varela e muitos outros.

Representando e honrando Além Paraíba no decorrer de mais de um século, a Banda Carlos Gomes, além da formação de músicos e regentes, teve participação em inúmeros municípios mineiros e fluminenses, como Carangola, Leopoldina, Cordeiro, Três Rios, Cantagalo, Juiz de Fora e outros, valendo ressaltar que foi o grande destaque na tradicional Festa de Nossa Senhora da Penha, no Rio de Janeiro, no ano de 1977, quando tocou para mais de 10 mil pessoas.
A história de uma banda de música é também a história da solidariedade, do espírito coletivo e do amor pela música. As bandas são nossas orquestras de rua, símbolos dos sons que nos remetem à saudade dos tempos esquecidos ou que resgatam nosso orgulho quando enchem o ar com a força de suas marchas e dobrados.

A Banda Carlos Gomes carrega em seu nome a figura de nosso mais fecundo co0mpositor clássico de todos os tempos. E quando ela passa, envolvendo ruas, janelas e praças, com suas percussões e seus metais, é hora de toda a cidade aplaudir, silenciando os nossos instrumentos, para que a Banda predomine, dando um toque lírico à mecanização dos tempos de hoje.
Não é qualquer instituição que faz 130 anos trazendo só alegrias para as pessoas.
Sociedade Musical Carlos Gomes: 130 anos de presença na história e cultura de Além Paraíba…
Maestro Firmino Silva: primeiro mastro da “Carlos Gomes”

Nascido em São João d’El Rei no ano de 1860, Firmino Silva morava com a mãe e dois irmãos: Prisciliano Silva e outro que morreu na Guerra do Paraguai.
Firmino Silva foi um grande músico, tocava vários instrumentos, entre eles o violino e o piano. Apaixonados pela música, ele e seu irmão Prisciliano vieram bem moços para Além Paraíba e se dedicaram à arte e ao dom que Deus lhes dera. Firmino, com sua capacidade musical, rapidamente conquistou vários alunos na cidade, e seu irmão preferiu continuar estudando com mais profundidade, tornando-se um famoso maestro. Prisciliano tocava tão bem que foi premiado com um convite: tocar piano num grande concerto no Teatro de Milão, na Itália, uma das mais importantes casas musicais de toda a Europa.
Enquanto Prisciliano conquistava o povo europeu, Firmino continuou em Além Paraíba, lecionando piano, violino e outros instrumentos. E foi através da música que se apaixonou por Elvira Costa, nascida em 1880, filha de Heliodoro Costa e de Adelaide Costa, residentes na Fazenda da Arapoca. Foi seu professor naquela importante propriedade rural.
Firmino Silva e Elvira Costa se casaram em 1906, e tiveram os seguintes filhos: Ziláh, Iracema, Jucyra Silva, Marília, casada com o Inimá Santos Ferreira, Ináh e Heraldo Silva, casado com Batistina Oliveira Silva. Muitos de seus filhos seguiram a carreira de musicistas.
Esse grande músico que adotou Além Paraíba como sua terra querida formou uma linda orquestra em que participavam somente músicos competentes. Foi também um dos fundadores da Sociedade Musical Carlos Gomes, onde foi o primeiro maestro e a quem chamava carinhosamente de “minha filha mais velha”. Seu filho Heraldo foi também maestro da “Carlos Gomes”, com grande êxito.
Também professor, Firmino Silva fundou um colégio em sua própria casa, na Vila Laroca, onde era auxiliado por sua esposa Elvira. Foi, também, diretor do Liceu Operário, da Estrada de Ferro Leopoldina.
Após receber uma proposta de trabalho foi lecionar em Pirapetinga, e lá compôs uma valsa intitulada “Saudade de Porto Novo”, demonstrando seus puros sentimentos e a saudade da terra adotiva. Tempos depois, recebeu convite para trabalhar em Leopoldina, para ser professor no Ginásio e na Escola Normal, tendo sido um dos fundadores da “Banda Musical Santa Cecília”. Anos depois retornou para sua querida Além Paraíba.
Durante a Revolução de 1930, Firmino Silva compôs um dobrado que dedicou ao Marechal Americano Freire, que ficou muito emocionado quando ouviu pela primeira vez a música tendo-o abraçado com grande carinho.
O maestro Firmino Silva faleceu aos 72 anos de idade, no dia 12 de dezembro de 1932, deixando uma grande lacuna no cenário musical alemparaibano.
Texto: Flávio Senra, Folder do 1º centenário da S.M. Carlos Gomes e Mauro Senra



