População em situação de rua vai de 198 mil para 392 mil em três anos e meio de Governo Lula
OPINIÃO
Por Alexandre Garcia (*)

O número de brasileiros vivendo nas ruas praticamente dobrou em pouco mais de três anos.
Esse não é apenas um dado social.
É um indicador sobre a capacidade do Estado de enfrentar problemas que vão muito além da assistência social.
Dados do Cadastro Único mostram que o número de pessoas em situação de rua passou de 198,7 mil, no fim de 2022, para 392,4 mil em junho de 2026. Trata-se de um crescimento de 97,4%, o maior já registrado na série histórica.
Desde o início do atual governo, a média de novos registros alcançou cerca de 4,6 mil pessoas por mês — mais que o dobro da média observada entre 2019 e 2022.
O Ministério do Desenvolvimento Social atribui esse aumento a fatores como desemprego, rompimento de vínculos familiares, violência, eventos climáticos e também a uma maior eficiência na identificação e cadastramento dessa população.
Ainda assim, o comportamento dos números chama atenção.
Se o crescimento decorresse principalmente de uma regularização de cadastros represados, seria esperado que o ritmo diminuísse ao longo do tempo.
O que os dados mostram, porém, é que o avanço permaneceu elevado durante todo o período e voltou a acelerar em 2026.
O fenômeno também deixou de estar concentrado apenas nas grandes capitais.
Embora São Paulo continue reunindo o maior número absoluto de pessoas em situação de rua, os maiores crescimentos proporcionais ocorreram nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para Roraima, impactado pela migração venezuelana, e Rondônia.
Mais do que um debate sobre estatísticas, os números revelam um problema estrutural.
Uma economia pode registrar crescimento, ampliar programas sociais e aumentar a arrecadação.
Mas, se o contingente de pessoas vivendo nas ruas continua aumentando de forma consistente, isso indica que parte da população permanece completamente à margem da recuperação econômica.
No fim, a situação de rua talvez seja um dos indicadores mais duros da qualidade das políticas públicas.
Porque ela mostra, de forma concreta, quando o Estado deixa de conseguir oferecer aquilo que deveria ser o mínimo: oportunidades para que as pessoas reconstruam suas próprias vidas.
(*) Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional.
Fonte e foto: Gazeta do Povo



