Com 111 anos de idade, Dona Odília provavelmente é a pessoa mais idosa de Além Paraíba
Estudo com supercentenários revela “segredo” da longevidade no Brasil.

Na busca de levar aos leitores informações sobre o quantitativo de moradores em Além Paraíba com mais de um século de vida, a redação do ALÉM PARAHYBA, apesar de não conseguir um número elevado de pessoas com todo esse tempo de existência, conseguiu alguns dados de que no município temos uma mulher, de nome Odília Maria da Conceição, residente no bairro Morro da Conceição, com 111 anos, o que provavelmente leva a crer, salvo se aparecer alguém mais longevo ainda vivo, que ela seria a pessoa mais idosa residindo no município alemparaibano.
Nascida em 1º de abril de 1915, Odília Maria da Conceição é alemparaibana por adoção, isto porque nasceu em Argirita (MG), aportando no distrito alemparaibano de Angustura ainda bem menina.
No distrito angusturense dona Odília cresceu e conheceu o parceiro de toda a vida, o lavrador João Vicente de Oliveira, com quem casou e teve 10 filhos. O mais velho, que recebeu o nome de Joventino, faleceu ainda um bebê. A seguir, vieram Francisco, Joaquim, Jair, Roberto, Maria, Orondina, Glória, Eni e Regina, a caçula com quem reside no bairro Morro da Conceição. Vale ressaltar, além de Regina ainda estão vivas Glória e Eni.
Em Angustura, o casal residia na Fazenda Monte Verde, e junto com o esposo Dona Odília também trabalhava na lavoura, acordando cedo e enfrentando a labuta com disposição sob sol ou chuva, plantando e colhendo o que a terra dava.
Sobre a longevidade de dona Odília, ressalta Regina, a filha com quem reside, que nunca viu a mãe reclamar do trabalho árduo, sempre agradecendo a Deus pelo alimento que supria as necessidades do dia-a-dia familiar.
Nos dias atuais, dona Odília, que anos atrás ficou cega, vive com certo grau de senilidade. Coisas da idade avançada…
Outros alemparaibanos com mais de 100 anos…
Com a descoberta de dona Odília como sendo a provável mais idosa residente em Além Paraíba, três outros nomes próximos ao editor do veículo de comunicação foram evidenciados.

O primeiro é o ferroviário aposentado Ed de Souza Cunha, que em 08 de agosto completará 104 anos. Pai de Indiana, Penha Aparecida e Maria das Graças, viúvo da sempre saudosa dona Maria de Lourdes, Ed Cunha também atuou como comerciante de produtos derivados do mármore, e durante décadas integrou o corpo sinfônico da Sociedade Musical Carlos Gomes, tendo também atuado na Orquestra Além Paraíba.
Outras duas idosas centenárias fazem parte dessa pequena lista ora apresentada:

Maria José Elmais Diniz, a dona Zezé, residente em Angustura, sogra de Flávio Senra, editor desse veículo de comunicação. Dona Zezé nasceu em Angustura, no dia 16 de agosto de 1923, portanto vai comemorar o seu 103º aniversário daqui a 27 dias. Viúva de Paulo Antônio Diniz, é mãe de Maria Lúcia, Márcia e Zaíra, possui quatro netos e sete bisnetos, e adora um baralho sendo uma exímia jogadora de buraco.

Berrnardina Senra Fernandes, a dona Santinha, residente no bairro Porto Velho, viúva de Waldir Fernandes da Silva, é mãe de Flávio Senra, Paulo Sérgio, Miriam Tereza, Mauro Luiz, Bernadete e Maria Helena. Possui sete netos e dois bisnetos. Nasceu em Tombos, no dia 04 de janeiro de 1925, portanto está com 101 anos de idade. Aposentada como professora da municipalidade alemparaibana, foi titular da Pasta Municipal da Educação durante a gestão do ex-prefeito José Alves Fortes, leitora voraz de livros, em especial poesias, é autora vários contos premiados em concursos nacionais do gênero, como o extinto Concurso de Contos do Banco Real. Sua lucidez impressiona todos com quem convive, em especial familiares e ex-alunos que sempre a visitam.
Estudo com supercentenários revela “segredo” da longevidade no Brasil
Por Caroline Figueiredo (*)

O Brasil abriga alguns dos indivíduos mais velhos do mundo. Em um país cuja expectativa média de vida está abaixo da de nações tradicionalmente longevas, o fenômeno chamou a atenção de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que decidiram investigar o que permite a certos brasileiros ultrapassar os 100 — e até os 110 — anos com saúde e autonomia.
Conduzido pelo Genoma USP e publicado na revista científica Genomic Psychiatry, o estudo analisa o perfil clínico e genético de centenários e supercentenários. A hipótese central aponta para a diversidade genética resultante da miscigenação brasileira, em interação com fatores ambientais e comportamentais ao longo da vida.
“Brasileiros estavam ultrapassando os 110 anos e aparecendo entre os mais longevos do mundo. Isso nos chamou atenção porque contrasta com a expectativa média de vida do país”, afirma o pesquisador Mateus Vidigal, primeiro autor do artigo, citando reconhecimentos internacionais como os do Guinness World Records.
A investigação começou durante a pandemia, quando três brasileiros com mais de 110 anos contraíram Covid-19 e se recuperaram. A equipe considerou o episódio extraordinário e decidiu ampliar o levantamento.
Cerca de 160 centenários participam do estudo em diferentes regiões do país. Aproximadamente 20 são supercentenários — pessoas com mais de 110 anos.
As idades estão sendo validadas por meio de documentação oficial, como certidões de nascimento, casamento e registros de batismo. Os participantes passaram por entrevistas clínicas e exames laboratoriais, incluindo análises bioquímicas, hematológicas e imunológicas.
O foco principal é o sequenciamento do genoma completo, que permite mapear todo o DNA e identificar variantes associadas à longevidade e à proteção contra doenças. Desde que a pesquisa iniciou, cerca de um terço dos idosos que participaram morreram, principalmente os acima dos 110 anos.
Até o momento, não foram encontradas variantes inéditas exclusivas da população brasileira — o número de participantes ainda é considerado pequeno para esse tipo de descoberta. No entanto, genes associados à longevidade descritos em estudos internacionais também aparecem nos brasileiros analisados.
De acordo com Vidigal, até aproximadamente os 90 anos o envelhecimento é majoritariamente influenciado por fatores ambientais, responsáveis por cerca de 80% do processo. A genética tem peso menor nessa fase. Após essa idade, porém, a contribuição genética tende a se tornar mais relevante.
“Queremos entender como uma pessoa passa dos 100 anos, muitas vezes ativa e lúcida, enquanto outras, na mesma idade, estão acamadas ou com doenças neurodegenerativas. A genética é parte dessa resposta, mas não explica tudo”, aponta o pesquisador.
O levantamento também confirma um padrão descrito na literatura científica de que mulheres alcançam idades mais avançadas com maior frequência do que homens, resultado de fatores biológicos, hormonais e sociais.
Entre os participantes, chama atenção a manutenção da autonomia em idades extremas. Há supercentenários que permanecem funcionalmente independentes mesmo após os 100 anos.
Ainda assim, pessoas com perfis genéticos semelhantes podem apresentar trajetórias muito diferentes de saúde. Fatores acumulados ao longo da vida — como atividade física, alimentação, exposição a infecções, estresse, condições socioeconômicas e acesso a cuidados médicos — influenciam a forma como os genes se manifestam.
Texto: Flávio Senra (Jornal Além Parahyba) / Carolina Figueiredo (Gazeta do Povo)



